Nem Filipe Luís deve ter imaginado um começo de trabalho tão insano quanto está vivendo no Flamengo. Depois de brilhar nas categorias de base, o ex-lateral recebeu a chance de comandar o time profissional e, desde então, já é visto como um dos principais técnicos da América do Sul. E o melhor: seu trabalho agora está ganhando os holofotes do mundo inteiro, ainda mais depois da aula que deu contra o Espérance Tunis na estreia da Copa do Mundo de Clubes.
Filipe está no comando do time carioca há menos de uma temporada, mas já conseguiu deixar sua marca: um Flamengo com uma identidade clara, sólido na defesa e capaz de causar estragos no ataque. O mundo ficou simplesmente impressionado com as qualidades da equipe comandada por ele, que engoliu o time tunisiano do início ao fim.
O Diário AS não escondeu o espanto com o nível de organização do Flamengo. Havia aquela pulguinha atrás da orelha sobre a possibilidade de o time sentir o peso da estreia no torneio, mas os rubro-negros foram frios e focados do primeiro ao último minuto, mesmo com uma escalação inédita que teve a estreia de Jorginho ao lado de Pulgar e Gerson.
O Flamengo de Filipe Luís dominou a posse de bola e, quando perdia, pressionava como um rolo compressor para recuperar rapidamente. A famosa “pressão pós-perda” funcionou lindamente. O time até perdeu um pouco do ritmo no segundo tempo, mas matou o jogo com uma jogadaça do estreante no meio, que deixou Luiz Araújo em ótima posição para acertar um chutaço e fechar o placar em 2 a 0.
E teve mais: Gerson também se aproveitou da formação sólida com Pulgar e Jorginho à frente da zaga para ganhar liberdade e explorar o lado esquerdo. Sem De La Cruz, ele vinha se preocupando mais com a defesa, mas agora está conseguindo pisar mais na área e arriscar jogadas individuais com sua perna esquerda.
Filipe Luís e Flamengo: sem palavras

O mundo espanhol já vinha de olho em Filipe Luís desde o início da sua trajetória como treinador. O Marca destacou sua precoce chegada a finais no comando do Flamengo. Com apenas quatro jogos, ele já tinha implementado suas ideias no grupo e, não à toa, levantou a taça da Copa do Brasil.
O Diário AS também acompanhou de perto o caminho do ex-lateral antes mesmo da Copa do Mundo de Clubes começar. Eles chegaram a escrever:
“Três títulos em menos de 30 jogos: esse é o técnico Filipe Luís que inspira o Flamengo. Seus números atingiram patamares meteóricos, com uma média de um título a cada oito jogos. Além disso, ele chegou a ter mais títulos do que derrotas nesse início (embora isso já tenha mudado com o passar das partidas). Agora, como líder do Campeonato Brasileiro, Filipe Luís está se exibindo para o mundo. Desta vez, do banco de reservas, não do campo.”
Mas os elogios não vieram só da imprensa. O diretor português José Boto, em entrevista à La Gazzetta dello Sport, também rasgou elogios ao trabalho do brasileiro:
“Se um dia eu voltar à Europa como diretor esportivo, e tiver que escolher um treinador, na minha lista restrita sempre estarão Roberto De Zerbi e Filipe Luís. Eles são brilhantes, sabem exatamente o que querem e como chegar lá. São parecidos não só nas ideias táticas, mas também na obsessão pelo trabalho. Pensam futebol 24 horas por dia e estão sempre buscando aprender algo novo. Essas são as características que mais valorizo.”
E para reforçar a moral que o Flamengo de Filipe Luís tem, até Bernardo Silva, meia do Manchester City, fez questão de colocar os rubro-negros no topo entre os brasileiros na Copa do Mundo de Clubes:
“O Palmeiras sempre foi muito competitivo nos últimos anos, o Botafogo ganhou a Libertadores no ano passado, mas talvez o Flamengo esteja um pouco acima este ano. Qualquer um desses times pode brigar de igual para igual com qualquer adversário. E, como portugueses, falamos o mesmo idioma e sempre desejamos o melhor.”
O trabalho de Filipe Luís continua chamando atenção, e parece que o mundo do futebol vai seguir “alucinado” por ele por um bom tempo.
Foto: Thiago Ribeiro/AGIF