A temporada 2025/26 marcará um novo capítulo na história do Barcelona. Lamine Yamal, joia da base catalã e sensação da seleção espanhola na Euro 2024, foi escolhido para vestir a lendária camisa 10. A decisão simboliza mais que um reconhecimento: é uma aposta corajosa no futuro. Aos 17 anos, Yamal se torna o mais jovem a carregar um número que está entre os mais icônicos do futebol mundial.
Durante décadas, a camisa 10 do Barça esteve nos ombros de alguns dos maiores nomes da história do esporte. De Maradona a Messi, ela passou por gerações de craques que transformaram o clube em uma potência global. Agora, ela encontra em Yamal um novo protagonista — não por acaso, formado em La Masia, como outros grandes do passado.
O peso da camisa 10
No Barcelona, vestir o número 10 vai muito além de uma questão estética ou de marketing. Representa assumir um papel de liderança técnica, ser referência no ataque e carregar a criatividade nos momentos decisivos. É a camisa que atrai os olhos, a que carrega expectativas e, muitas vezes, pressões desmedidas. É também a que eterniza nomes.
Yamal sabe disso. Ainda assim, em um gesto que mostra maturidade precoce, ele recebeu a decisão da diretoria com serenidade. Até aqui, ele vinha atuando com a camisa 19 — número que considerava da sorte. Mas, com a iminente saída de Ansu Fati em definitivo, o 10 ficou vago, e o clube não teve dúvidas: o herdeiro natural era Yamal.
Não se trata apenas de talento. A temporada passada mostrou que o jovem espanhol tem mentalidade vencedora. Foram 18 gols e 25 assistências em 54 partidas, números expressivos para qualquer jogador — ainda mais impressionantes se considerados sua idade e o nível de exigência de uma equipe como o Barcelona. Para completar, foi destaque absoluto na campanha vitoriosa da Espanha na Euro 2024, onde ganhou o prêmio de Golden Boy.
A linhagem dos imortais: cinco craques que vestiram a 10 do Barcelona
1. Diego Maradona (1982–1984)
Mesmo com uma passagem curta, Maradona deixou uma marca eterna. Chegou ao Barça como o jogador mais caro do mundo na época. Seu estilo elétrico, sua visão e habilidade fora do comum encantaram os torcedores. Conquistou a Copa do Rei e a Supercopa da Espanha, mas seu talento ultrapassou os troféus. Foi em Barcelona que Maradona iniciou sua mítica jornada no futebol europeu.
2. Romário (1993–1995)
O “Baixinho” foi um dos atacantes mais letais que já vestiram a 10 catalã. No time de Johan Cruyff, Romário brilhou intensamente. Na temporada 1993/94, levou o Barça ao título da La Liga com gols e jogadas geniais. Seus dribles curtos, senso de posicionamento e finalizações precisas fizeram dele um espetáculo à parte. Foi eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA em 1994, enquanto jogava no clube.
3. Rivaldo (1997–2002)
Técnico, frio e decisivo, Rivaldo foi um dos maiores brasileiros da história do clube. Vestindo a 10, conquistou La Liga, foi eleito o melhor do mundo em 1999 e protagonizou partidas históricas. Seu hat-trick contra o Valencia, encerrado com uma bicicleta nos minutos finais, é até hoje considerado um dos momentos mais mágicos do Camp Nou. Era o tipo de jogador que decidia jogos grandes com lances impensáveis.
4. Ronaldinho Gaúcho (2003–2008)
Talvez o nome que mais personificou a essência da camisa 10. Ronaldinho encantou o mundo e transformou o Barcelona em um time temido e admirado. Com ele, o clube conquistou duas Ligas e uma Champions League. Mais do que os títulos, ele trouxe de volta a alegria ao futebol catalão. Seu drible, improviso e carisma foram tão marcantes que até os torcedores do Real Madrid o aplaudiram no Bernabéu — um feito raríssimo.
5. Lionel Messi (2008–2021)
A camisa 10 do Barcelona será para sempre associada a Lionel Messi. O maior jogador da história do clube, Messi usou o número por 13 temporadas, acumulando 672 gols, 305 assistências, 10 títulos da La Liga, 4 Champions e 7 prêmios de Melhor do Mundo. Foi mais do que um camisa 10: foi o rosto do clube, o arquétipo do craque total. Seu domínio técnico e longevidade criaram uma era que parece inalcançável.
Yamal e o desafio de manter a grandeza
Assumir a camisa 10 após Messi é, por si só, uma missão quase impossível. Ansu Fati, primeiro a recebê-la após a saída do argentino, não conseguiu se consolidar. Yamal, por outro lado, chega com outro tipo de bagagem: não apenas esperança, mas resultados concretos. Seu impacto precoce na equipe principal, sua contribuição direta em títulos e sua desenvoltura em campo fazem do momento atual uma oportunidade real de renovar o significado do número 10.
O clube aposta tudo em sua joia. Seu contrato vai até 2031 e inclui uma cláusula de rescisão de 1 bilhão de euros, um indicativo claro da intenção do Barcelona de protegê-lo a qualquer custo. Internamente, ele já é tratado como “jogador franquia”.
A camisa 10 do Barcelona nunca foi apenas um número. É um símbolo de liderança, genialidade e compromisso com a história. Lamine Yamal, com sua técnica refinada, personalidade tranquila e espírito competitivo, tem agora a chance de entrar para a galeria dos imortais. O caminho é longo, mas o talento já é real. O Camp Nou, palco de tantos momentos mágicos, está pronto para assistir a mais um ciclo — e o futuro tem nome, sobrenome e o número 10 nas costas.
Foto: Max Maiwald/DeFodi Images — Divulgação