A Champions League deu-se início nesta semana e as preliminares estão a todo vapor para decidir times quais estarão entre os 36 na fase de Liga. Muitos torcedores não dão o devido tratamento para esta etapa de qualificação e acaba perdendo certas histórias, que sempre trazem reflexões para o nosso dia a dia. Dentro da competição internacional, sabemos que temos integrantes mandam seus jogos distantes de seu local de origem — seja por tensões geopolíticas ou capacidade do estádio.
As guerras são acontecimentos fatídicos que tiram a vida de milhões de pessoas, além, claro, dos prejuízos financeiros e danos irreparáveis. Portanto, as equipes que estão expostas a estes perigos não devem se submeter aos riscos. Vale o destaque: dos cinco times inclusos nessa lista, quatro destes mandarão suas partidas na Champions, fora do local de origem em virtude de um conflito armado.
1. Dinamo Kiev – Ucrânia

Para abrir a lista de clubes que jogam longe de seu país de origem, começamos com aquele que talvez tenha o motivo mais compreensível: o Dínamo de Kiev. Oriundos da Ucrânia, os Dinamovtsy estão inseridos em uma região assolada pela guerra contra a Rússia, conflito que se arrasta desde 2022. No entanto, esta não é a primeira vez que o clube ucraniano precisa mandar seus jogos fora do território nacional. Em 2014, em um cenário semelhante ao atual, o Dínamo já havia alterado o local de suas partidas — algumas, inclusive, realizadas com portões fechados.
Campeão do Campeonato Ucraniano, o Bilo-syni entra na última fase preliminar da Champions League 2025/26 com o objetivo de fazer uma campanha digna — e melhor que a do rival, Shakhtar Donetsk, na edição anterior. Vale lembrar que os Hirnyky também precisaram atuar em campo neutro, devido à proximidade de seu estádio com as áreas de conflito armado.
2. Maccabi Tel-Aviv – Israel

O segundo clube desta lista é o Maccabi Tel-Aviv, de Israel. Assim como o Dínamo de Kiev, os times israelenses também estão envolvidos em um cenário geopolítico tenso. O conflito com a Palestina — marcado não apenas por disputas territoriais, mas também por questões religiosas — é amplamente conhecido e tem levado as equipes do país a mandarem seus jogos em campo neutro.
O caso, no entanto, é mais delicado devido à inserção dos clubes do Oriente Médio no contexto da UEFA. A entidade aceitou a participação israelense em suas competições, e, por diversas vezes, partidas foram disputadas em Tel-Aviv — como ocorreu na temporada 2010/11, quando o próprio Maccabi esteve na fase de grupos da Champions League. Contudo, com a intensificação do conflito na região, a alternativa tem sido deslocar o mando de campo para locais mais seguros e estáveis.
Os HaTzehubim são os atuais campeões de Israel e entram na Champions League na segunda fase das preliminares. Eles ainda aguardam o adversário a ser definido na próxima semana.
3. Dinamo Minsk – Bielorrússia

Não são apenas os clubes da Ucrânia e da Rússia que estão sob orientações da UEFA para atuar fora de seus territórios por conta do cenário bélico. Equipes de países vizinhos também enfrentam restrições — como é o caso do Dínamo Minsk, da Bielorrússia.
Por ser um país aliado da Rússia na guerra contra a Ucrânia, a Bielorrússia passou a sofrer sanções esportivas, e os clubes locais foram orientados a disputar seus jogos internacionais em campo neutro. Assim, o Dínamo tem mandado suas partidas no Azerbaijão — uma escolha que gerou queixas de adversários, já que o país fica geograficamente distante do centro da Europa. O deslocamento até lá costuma ser longo e desgastante, o que tem levantado debates sobre a equidade logística nas competições.
Frequentemente participantes da Europa League, os bielorrussos entraram na Champions League devido a a conquista do campeonato nacional. O adversário dos Belo-siniye é o Ludogorets, da Bulgária, e o primeiro jogo terminou com a vitória por 1 a 0 dos búlgaros. Na próxima semana, o Minsk tentará sorte e vai em busca de um resultado favorável.
4. Kairat – Cazaquistão

Para encerrar a lista de clubes inseridos em contextos geopolíticos delicados, o último caso é o do Kairat, do Cazaquistão. A equipe é sediada em Almaty, cidade localizada em uma região frequentemente associada a instabilidades e disputas de influência entre potências vizinhas. Apesar disso, Almaty está geograficamente mais afastada da zona de conflito envolvendo a Rússia — o que já gerou questionamentos sobre a real necessidade de alterar o local dos jogos.
Ainda assim, por precaução e diretrizes de segurança, o Kairat tem mandado suas partidas internacionais em Pavlodar — cidade situada mais ao norte e próxima da fronteira russa. A escolha levanta debates sobre sua lógica, já que Almaty, em tese, estaria menos exposta a riscos diretos.
Na primeira fase preliminar da Champions League 2025/26, os cazaques enfrentam o Olimpija, da Eslovênia. O jogo de ida terminou empatado por 1 a 1, em Liubliana. A partida de volta está marcada para a próxima semana e promete fortes emoções — tanto pelo equilíbrio esportivo quanto pelo desafio logístico: a delegação eslovena enfrentará uma viagem de mais de 5.400 km até o local do duelo decisivo.
5. The New Saints – País de Gales

Por fim, o último clube da nossa lista é o The New Saints, conhecido pela sigla TNS. Apesar de pertencer ao País de Gales, a equipe manda seus jogos em Oswestry, na Inglaterra. No entanto, diferentemente dos outros casos citados, não há nenhum conflito armado envolvido. A razão é de ordem administrativa e está ligada à estrutura esportiva do Reino Unido.
O impasse tem origem na participação de clubes galeses em competições inglesas — algo já conhecido pelos fãs de futebol, com exemplos como o Swansea City e o Cardiff City na Premier League. Por conta do tamanho reduzido de seu território e população, o País de Gales viu boa parte de seus clubes migrarem para o sistema inglês em busca de maior competitividade.
Nas competições da UEFA, porém, essa prática teve que ser revista. Em 2012, a entidade europeia determinou que equipes que disputam ligas estrangeiras não poderiam se classificar para torneios continentais com base nesses campeonatos. Na época, isso colocou em risco a participação do Swansea na Liga Europa, após a conquista da Copa da Liga Inglesa. A solução encontrada foi curiosa: o clube gales disputou a competição como representante da Inglaterra.
O TNS representa duas localidades vizinhas: Oswestry, do lado inglês, e Llansantffraid-ym-Mechain, do lado galês. Com 27 títulos da liga nacional no currículo, o clube joga tecnicamente fora do território de origem, ainda que essa divisão geográfica esteja amparada por um histórico compartilhado entre as cidades.
Na atual edição da Champions, o TNS enfrenta o Shkëndija, da Macedônia do Norte. O jogo de ida terminou em 0 a 0, e agora os Saints precisarão balançar as redes na partida de volta para seguir sonhando com a vaga na segunda fase preliminar.
Preliminares da Champions League
A primeira fase de qualificatória da competição de clubes mais importante da Europa começou e os jogos de ida já os resultados finais. Agora, na próxima semana, os encontros de volta estão programados para o dia 15 de julho. A segunda rodada das preliminares está definida para a semana do dia 22.
Foto: Футбольный Клуб Динамо-Минск/Site oficial — Reprodução