O Chelsea conquistou seu primeiro título da Copa do Mundo de Clubes ao derrotar o PSG por 3 a 0 no último domingo, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. O técnico Enzo Maresca celebrou a atuação da equipe e exaltou a importância do novo torneio, afirmando que, em alguns anos, poderá superar até mesmo a Champions League em relevância. Os três gols que garantiram a vitória dos Blues foram anotados ainda no primeiro tempo, com dois de Cole Palmer e um de João Pedro. Eleito o melhor jogador da competição, Palmer recebeu inúmeros elogios do treinador italiano na coletiva pós-jogo.
A empolgação de Maresca é justificada pelo peso do título em sua ainda curta carreira como treinador, iniciada em 2021. Aos 45 anos, ele já havia sido campeão da Championship com o Leicester em 2023/24 e, nesta temporada 2024/25, levantou a Conference League e agora o Mundial de Clubes pelo Chelsea. Na próxima temporada, 2025/26, Maresca terá a chance de comandar pela primeira vez uma equipe na Champions League, após garantir a vaga ao terminar em quarto lugar na Premier League.
No mesmo dia em que Jannik Sinner trouxe à Itália um título histórico em Wimbledon, a bandeira italiana também tremulou em Nova Jersey, onde Enzo Maresca discretamente entregou ao Chelsea a primeira edição do novo Mundial de Clubes da FIFA. E é justamente essa discrição que chama atenção. Diferente de muitos treinadores atuais, Maresca deixa suas ações falarem por si: não faz discursos sobre “seu futebol”, nem adota um tom filosófico ou de guru incompreendido.
Talvez seja justamente por isso que sua trajetória tenha sido tão paradoxal. Até quatro anos atrás, Maresca jamais havia comandado um time na Série A italiana. Sua primeira experiência como técnico principal foi no Parma, e não durou muito: contratado para recolocar o clube na elite, foi demitido após apenas treze partidas, sendo substituído por Iachini após um empate contra o Cosenza. Apesar de um início inconsistente no Chelsea, seu trabalho gerou discussões amplas – muitas vezes, até desproporcionais ao que havia apresentado em campo.
O treinador italiano demonstrou boas ideias, mas os resultados não acompanharam, gerando críticas que, frequentemente, não condiziam com a realidade. Foi no Leicester que sua carreira ganhou novo rumo. Maresca foi exaltado quando os resultados não vieram e, ironicamente, acabou esquecido por muitos na Itália quando mostrou serviço: dominou a Championship de forma silenciosa, recolocou o Leicester na Premier League e foi aclamado na Inglaterra, enquanto na Itália seu sucesso gerou reações discretas. Mas, fiel ao seu estilo, Maresca deixou os fatos falarem e, ambicioso como sempre, aceitou o desafio de reorganizar um Chelsea que parecia completamente perdido.
Anunciado em 3 de junho do ano passado, Maresca precisou de apenas treze meses para recolocar o clube no topo do mundo, com o título da Conference League, o quarto lugar na Premier League e, agora, a Copa do Mundo de Clubes após a vitória dominante sobre o PSG. Tudo isso sem frases de efeito, sem autoexaltação e sem discursos vazios – apenas resultados.

Campanha do Chelsea no Mundial de Clubes
A caminhada do Chelsea rumo ao título mundial começou de forma instável na fase de grupos. Os Blues ficaram em segundo lugar no Grupo D, atrás do Flamengo, após perderem para o time carioca (3 a 1) na segunda rodada. Antes, haviam vencido o Los Angeles FC (2 a 0) na estreia e garantiram a classificação ao derrotar o Espérance (3 a 0) na última rodada.
No mata-mata, a equipe de Enzo Maresca mostrou sua melhor versão. Nas oitavas, o Chelsea bateu o Benfica na prorrogação por 4 a 1. Nas quartas, eliminou o Palmeiras com vitória por 2 a 1, e depois superou o Fluminense por 2 a 0 na semifinal, antes de conquistar o título com um categórico 3 a 0 sobre o PSG na grande decisão.

Enzo Maresca: os pilares do sucesso do Chelsea na temporada
Com pouco mais de um ano no comando, Maresca já devolveu ao Chelsea o prazer de levantar troféus importantes. Sob sua liderança, o clube ergueu neste domingo a Copa do Mundo de Clubes, derrotando o PSG por 3 a 0 no MetLife Stadium, nos Estados Unidos, coroando uma temporada que pode marcar o início de uma nova era em Stamford Bridge.
Reconhecido por seu trabalho meticuloso e por priorizar a saída de bola qualificada desde a defesa, Maresca implementou rapidamente ideias claras na equipe. Inspirado pela experiência como auxiliar de Pep Guardiola no Manchester City e pelo acesso conquistado com o Leicester, trouxe ao Chelsea um estilo de posse dominante, movimentação intensa no meio e ocupação inteligente dos espaços.
Os próprios jogadores apontam a comunicação aberta e os treinos objetivos como diferenciais. “Ele conversa individualmente com cada um, mostra onde podemos melhorar e faz ajustes simples que mudam o jogo. Essa confiança nos fortalece”, contou o capitão Reece James após a final. Além disso, Maresca demonstrou equilíbrio para lidar com as oscilações. Depois de um início instável na Premier League, o Chelsea encontrou consistência nos momentos decisivos e superou grandes adversários até chegar ao título mundial no novo formato da FIFA.
Com essa conquista, Maresca já entrou para a história recente do clube como o técnico que recolocou o Chelsea no cenário global, mostrando que, mesmo sob pressão intensa, há espaço para filosofia de jogo clara, paciência e trabalho bem executado. Agora, os Blues miram objetivos ainda maiores: lutar pelo título inglês e reafirmar sua posição entre os gigantes europeus.
Por fim, mesmo não sendo apontado como favorito absoluto, o Chelsea derrubou rivais poderosos no mata-mata, incluindo Palmeiras e Fluminense, antes de vencer o PSG, atual campeão da Champions League, na grande final. Os Blues voltam a campo no próximo mês para dois amistosos contra Bayer Leverkusen e Milan, antes da estreia oficial na temporada 2025/26 da Premier League, em 17 de agosto, contra o Crystal Palace.
(Foto: Getty Images)