Fórmula 1 Automobilismo

A Liberty Media revolucionou a F1 e agora tenta reconquistar o Brasil

Desde que a Liberty Media assumiu o controle da Fórmula 1 em 2017, o esporte vive uma nova era. A categoria se modernizou, se digitalizou e se transformou em um espetáculo global. Hoje, a F1 bate recordes de audiência em mercados antes distantes, como os Estados Unidos e a Ásia e o novo filme “F1”, em cartaz nos cinemas pelo mundo, prova essa expansão da categoria.

No entanto, o Brasil — país historicamente apaixonado pela categoria — representa um ponto fora da curva, já que a audiência por aqui ainda patina. E essa falta de interesse do brasileiro possui algumas razões que iremos abordar, sendo a principal delas: a ausência de um grande ídolo.

A revolução da Liberty Media na Fórmula 1

A chegada da Liberty Media à F1 marcou uma virada de chave na forma como a categoria é promovida. Um dos maiores marcos foi o lançamento da série documental Drive to Survive, da Netflix, que atraiu uma nova geração de fãs ao mostrar os bastidores das corridas. A série deu rosto, voz e emoção aos pilotos e às equipes, humanizando o que antes era visto apenas como um esporte técnico.

Outras mudanças também impulsionaram a Fórmula 1 para novos patamares, como a maior presença digital, expansão do calendário, corridas em novas praças, como Miami e Las Vegas, que foram fundamentais para o crescimento nos Estados Unidos, e o forte investimento em redes sociais e experiências para fãs.

Com essas estratégias, a Fórmula 1 registrou em 2024 mais de 4,1 bilhões de interações digitais, consolidando-se como um dos esportes que mais crescem no mundo. A audiência televisiva também disparou em mercados como Estados Unidos, Reino Unido e Oriente Médio.

O que fazer para retomar o crescimento de audiência no Brasil?

Enquanto o mundo se apaixonava novamente pela Fórmula 1, o Brasil perdia conexão com o esporte. A principal razão é a ausência de um piloto brasileiro competitivo. Com a aposentadoria de Felipe Massa, em 2017, o país ficou sem representantes de destaque. Gabriel Bortoleto, é muito talentoso, tenta tirar o máximo de sua Sauber, mas ainda não consegue resultados significativos pela limitação do carro, enquanto Felipe Drugovich e Pietro Fittipaldi, apesar de estarem no radar, ainda não figuram como titulares em uma equipe.

Outro fator decisivo foi a mudança na transmissão. Após décadas na TV Globo, a Fórmula 1 migrou para a Band e perdeu parte do público ocasional. A audiência reduzida da emissora prejudicou a popularidade da categoria entre os brasileiros, já que a entrega de público de um programa anterior é absurdamente menor. Plataformas pagas como o F1 TV Pro também não compensaram a falta de exibição num veículo de maior alcance.

Para tentar reverter esse cenário, a Liberty Media fechou um novo acordo com a TV Globo para 2025. A emissora voltará a transmitir algumas das principais corridas do campeonato mundial de Fórmula 1 em rede nacional. A expectativa é reacender o interesse do público e reconquistar a audiência que se afastou nos últimos anos.

Mesmo com Bortoleto não tendo um carro competitivo, a Liberty aposta na força histórica da F1 no Brasil. A ideia é unir nostalgia e acessibilidade: oferecer corridas em TV aberta para reengajar fãs antigos e atrair novos, especialmente jovens que podem conhecer o esporte pela primeira vez.

O desafio de reconectar o Brasil com a F1

Ayrton Senna e Nelson Piquet dividem pódio na era de outro da F1 no Brasil
Ayrton Senna e Nelson Piquet dividem pódio na era de outro da F1 no Brasil (Imagem: Icon Sport)

O Brasil já viveu grandes momentos na Fórmula 1. Entre os anos 80 e 2000, nomes como Ayrton Senna, Nelson Piquet, Rubens Barrichello e Felipe Massa colocaram o país no centro das atenções. Hoje, a realidade é outra: a F1 precisa lutar por relevância em um cenário dominado por futebol, redes sociais e novas formas de entretenimento.

A volta à TV Globo é um passo importante — mas não suficiente. O futuro da F1 no Brasil dependerá também do crescimento de Borboleto e do surgimento de novos talentos, de ações de engajamento com o público jovem e da capacidade da categoria de se adaptar ao perfil do espectador brasileiro atual.

A Liberty conseguiu reinventar a Fórmula 1 no mundo, mas ainda falta uma vitória importante: reconquistar o coração do torcedor brasileiro.

(Imagem de capa: Getty Images/Redbull content)