A Ferrari enfrenta o desafio de administrar dois pilotos de alto nível em sua dupla titular. Lewis Hamilton e Charles Leclerc estão na segunda temporada como companheiros de equipe, e, para David Coulthard, a escuderia italiana não tem espaço para impor uma hierarquia clara entre os dois.
O ex-piloto de Fórmula 1 acredita que a Ferrari precisa encontrar uma maneira de trabalhar com ambos, em vez de escolher antecipadamente um piloto número 1 para tentar reduzir a vantagem da Mercedes e de Kimi Antonelli no campeonato.
Hamilton chegou à equipe italiana em 2025, depois de uma longa passagem pela Mercedes. Do outro lado da garagem está Leclerc, que faz parte da Ferrari desde 2019 e passou anteriormente pelo programa de jovens pilotos da escuderia. Embora Leclerc tenha apresentado um desempenho superior ao de Hamilton em 2025, o britânico evoluiu nesta temporada e atualmente está à frente do companheiro na classificação do Mundial.
Coulthard descarta definição de piloto número 1
A discussão sobre uma possível hierarquia interna ganhou força após o GP da Itália. Na primeira volta da corrida em Monza, Leclerc pareceu empurrar Hamilton para fora da pista, fazendo com que o britânico fosse parar na área de escape.
O episódio provocou comentários sobre a necessidade de a Ferrari estabelecer regras mais claras entre os dois pilotos, principalmente diante da disputa contra a Mercedes e Antonelli. Coulthard, porém, considera que definir um piloto número 1 não é uma alternativa viável para a equipe. “Não acho que seja uma opção para eles. Você contrata Lewis Hamilton e tem Charles Leclerc, que está na equipe há vários anos, é extremamente rápido e uma espécie de garoto-propaganda de um piloto de corrida.”, afirmou o ex-piloto durante o podcast Up to Speed.
Na avaliação de Coulthard, a Ferrari escolheu dois competidores de alto calibre e agora precisa administrar essa dupla da melhor maneira possível. “Eles não têm escolha. Contrataram dois dos melhores pilotos do mundo. Então, você precisa gerenciá-los da melhor forma possível”, declarou.
Ferrari precisa controlar a disputa entre os companheiros
A questão não é apenas o desempenho individual de Hamilton e Leclerc, mas também a maneira como os dois competem quando estão próximos na pista. O incidente de Monza foi o maior ponto de tensão entre os pilotos da Ferrari até agora, embora ambos tenham minimizado a importância do episódio após a corrida.
Hamilton chegou a afirmar que uma eventual estratégia conjunta para reduzir a vantagem da Mercedes no campeonato já poderia ter sido implementada antes. Ainda assim, os dois pilotos não trataram o contato em Monza como uma ruptura significativa na relação interna da equipe.
Para Coulthard, isso não significa que a Ferrari não possua mecanismos para controlar o comportamento dos pilotos. Na verdade, ele acredita que regras gerais de conduta provavelmente já estejam previstas nos contratos.
Regras de conduta provavelmente já existem
Questionado sobre a possibilidade de a Ferrari adotar regras de enfrentamento entre Hamilton e Leclerc, Coulthard afirmou que suspeita que elas já existam. “Imagino que eles tenham”, respondeu.
Segundo o ex-piloto, os contratos normalmente incluem cláusulas que obrigam os competidores a seguir instruções razoáveis de membros superiores da equipe. Esse tipo de previsão permitiria à escuderia intervir em situações nas quais a disputa entre os companheiros pudesse prejudicar o time. “Deve haver algum trecho no contrato que diga que o piloto precisa seguir instruções justas e razoáveis de um membro sênior da equipe”, explicou.
Coulthard destacou que essa é uma cláusula bastante comum no automobilismo profissional. Sem ela, uma equipe poderia contratar um piloto que se recusasse a seguir orientações internas ou agisse de maneira contrária aos interesses coletivos. “Você não poderia demiti-lo porque não teria uma cláusula dizendo: ‘Olha, você não está se comportando adequadamente'”, acrescentou.
Hamilton e Leclerc continuam com liberdade para disputar
A posição defendida por Coulthard não significa que a Ferrari deva deixar seus pilotos competirem sem qualquer orientação. A equipe ainda pode estabelecer limites para evitar contatos, disputas excessivamente agressivas ou decisões que comprometam o resultado da escuderia.
A diferença está em impor uma preferência permanente por um dos dois. Hamilton possui experiência e um histórico de conquistas que o colocam entre os pilotos mais bem-sucedidos da história da Fórmula 1. Leclerc, por sua vez, construiu uma relação duradoura com a Ferrari e é considerado uma das principais referências da equipe. A administração dessa dupla exige equilíbrio entre a liberdade de competição e os interesses do campeonato de construtores.
Depois do episódio de Monza, a Ferrari terá de garantir que os dois pilotos compreendam claramente os limites das disputas internas. Ao mesmo tempo, a equipe precisará evitar que uma hierarquia antecipada prejudique um dos competidores. Na visão de Coulthard, a solução não passa por escolher um favorito, mas por administrar dois pilotos de elite com regras claras e intervenções quando necessário.
Foto: (Reprodução/ Grande Prêmio)



