Se tem algo que o Real Madrid sabe fazer como ninguém é se reinventar. Mas agora o desafio é grande: Jude Bellingham, o motor do meio-campo merengue e principal referência ofensiva da última temporada, está fora por três meses — entre 10 e 12 semanas de ausência, o que o tira de cena até outubro. A lesão do craque inglês exige respostas rápidas e inteligentes. E quem está com a prancheta na mão é Xabi Alonso, que começa a escrever seu primeiro grande capítulo no comando técnico do clube.
A missão é clara: manter o nível de atuação sem o jogador mais decisivo do elenco. E a solução pode estar justamente onde o Real mais gosta de buscar: na aposta pela juventude. Os nomes da vez são Arda Güler e Franco Mastantuono. Dois talentos com idade de categoria de base, mas com futebol de gente grande. E o plano? Usar os dois juntos, dividindo a criação e a chegada na área rival.
O novo protagonista: Güler assume o palco
Arda Güler já vinha pedindo passagem. E agora, sem Bellingham, a era Güler começa pra valer. Se antes ele ganhava minutos esporádicos com Ancelotti, agora ele tem tudo para se tornar titular absoluto. O turco mostrou no Mundial de Clubes que não treme em jogos grandes. Além de técnica refinada, ele demonstrou personalidade. Com apenas 19 anos, já se impõe em campo como veterano.
Na última temporada, mesmo com as lesões e a forte concorrência, Güler acumulou 1.775 minutos (sem contar os jogos do Mundial de Clubes), sendo que 30% desse tempo foi só a partir da 33ª rodada de La Liga — ou seja, começou a ganhar espaço quando a temporada já se encaminhava para o fim. Mesmo assim, marcou dois gols e deu duas assistências. A curva de crescimento dele é visível. Começou a explodir em abril… e agora não tem mais freio.
A dúvida que permanece é sobre o posicionamento ideal: ele pode jogar como camisa 6, como volante box-to-box ou mesmo voltar às origens como meia-armador. Mas, com Bellingham fora, a tendência é vê-lo mais adiantado, próximo da área, assumindo papel criativo e decisivo.
Mastantuono, a joia argentina que vai estrear com pressão
Do outro lado da equação está o prodígio argentino Franco Mastantuono, que ainda nem completou 18 anos — seu aniversário será em 14 de agosto, um dia antes do pontapé inicial de La Liga. Só depois disso poderá ser registrado e começar sua trajetória oficial no futebol espanhol.
Mas a confiança da diretoria e da comissão técnica é total. Em Chamartín, a visão é clara: ele não é só uma promessa, é um futuro pilar do clube. A expectativa é que ele assuma protagonismo com naturalidade, mesmo chegando agora. Sua adaptação será acompanhada de perto, mas ninguém espera um processo demorado. A ideia é tê-lo à disposição ainda em agosto.
Taticamente, ele pode se encaixar em duas estruturas principais:
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Como meia-direita em um 4-4-2, com Güler (ou Valverde) na esquerda;
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Ou como meia-armador num 3-5-2, centralizado, com liberdade de flutuação.
Xabi Alonso gosta de versatilidade, então os esquemas são apenas pontos de partida. O futebol moderno exige movimentação e dinâmicas híbridas. E, nesse cenário, a dupla Güler-Mastantuono tem tudo para dar certo: um combina passe curto e visão de jogo, o outro oferece chegada à área, drible e personalidade.
Camavinga de carta na manga
Enquanto Mastantuono ainda não estiver disponível, a tendência é que Camavinga assuma o papel de equilíbrio no meio-campo. O francês é uma peça coringa: pode jogar como volante, lateral e até zagueiro em linhas mais baixas. Neste novo Real Madrid, ele pode dar sustentação para que Güler jogue mais solto, flutuando entre as linhas, assim como Bellingham.
Com isso, o meio-campo pode se configurar assim nos primeiros jogos:
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Tchouaméni como cabeça de área,
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Camavinga e Kroos/Kroos como interiores,
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Güler como meia solto, em zona central.
Rodrygo e Brahim: os esquecidos da vez
A má notícia para Rodrygo e Brahim Díaz é que, neste novo cenário, ambos devem perder ainda mais espaço. Brahim, mesmo sendo eficiente quando acionado, ainda não parece gozar da confiança necessária para assumir protagonismo. Já Rodrygo, segundo fontes próximas ao clube, tem grandes chances de ser negociado — com rumores cada vez mais fortes de uma saída nesta janela.
A ausência de Bellingham escancara espaço, mas não para quem já estava em queda. O Real Madrid vê nesse momento uma chance de promover renovação interna, sem depender de mercado.
O início de um novo ciclo sem Bellingham (por enquanto)
A lesão de Bellingham, obviamente, representa um golpe. Mas também abre uma enorme oportunidade de transição. Com Xabi Alonso no comando, o Real Madrid deve seguir apostando em um modelo de futebol dinâmico, com jovens promessas bem orientadas, sem abrir mão da competitividade e da tradição vencedora.
Os próximos três meses sem Bellingham serão, ao mesmo tempo, um teste de fogo e um laboratório de ouro. Se Güler e Mastantuono conseguirem entregar — e há boas razões para acreditar nisso —, o Real Madrid de Bellingham pode sair dessa situação ainda mais forte do que entrou. Afinal, como bem sabe a história do clube, grandes ídolos surgem justamente quando ninguém espera.
A reconstrução já começou. Agora é com Xabi Alonso. E com a nova geração que está batendo à porta.