Futebol Brasileirão

Santos vence o Internacional no Beira-Rio e se afasta do Z4

O Santos venceu o Internacional por 3 a 2 neste domingo, no Beira-Rio, pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro, em uma partida de dois tempos completamente distintos. Extremamente eficiente na etapa inicial, o Peixe aproveitou as falhas defensivas, a expulsão de Matheus Bahia e a apatia do Colorado para construir uma vantagem confortável. O Inter reagiu depois do intervalo, marcou duas vezes e chegou a ameaçar uma reação, mas não conseguiu buscar o empate.

A vitória tem enorme peso na luta do Santos contra o rebaixamento. Com os três pontos, o Peixe chegou aos 32 e abriu sete de vantagem para o Vasco, primeiro clube dentro do Z4, ocupando agora a 11ª posição. O Internacional, por outro lado, vive situação cada vez mais delicada. O Colorado chegou ao décimo jogo consecutivo sem vencer e permanece na 18ª colocação, com 25 pontos.

O jogo

O Internacional começou tentando assumir o controle da partida. Nos minutos iniciais, o Colorado povoou o campo de ataque e procurou trabalhar a bola perto da área santista. O problema estava justamente na dificuldade para transformar essa presença territorial em oportunidades reais.

O Santos, por outro lado, precisava de pouco para machucar. Os espaços deixados pelo Inter começaram a aparecer e foram aproveitados logo no começo. Após uma falha de Félix Torres, Gabriel Barbosa apareceu para colocar o Peixe em vantagem. O atacante não desperdiçou a oportunidade e deu ao Santos aquilo que ele mais precisava para executar sua estratégia: o gol.

Em desvantagem, o Internacional tentou manter a postura ofensiva e continuou trocando passes no campo de ataque. Mas a equipe gaúcha encontrava enormes dificuldades para criar. Faltava velocidade na circulação da bola, criatividade para quebrar as linhas e, principalmente, capacidade para aproveitar os espaços que o Santos oferecia.

O Peixe percebeu o cenário e passou a explorar os contra-ataques.

Gabigol voltou a ser decisivo. Em uma arrancada, o atacante sofreu pênalti de Matheus Bahia. Além da penalidade, o defensor recebeu o cartão vermelho e deixou o Internacional com um jogador a menos.

Gabriel Barbosa assumiu a responsabilidade e converteu, ampliando a vantagem santista.

A partir daí, a partida praticamente mudou de dono. Com um jogador a menos e abalado pelos dois gols sofridos, o Internacional perdeu ainda mais capacidade de reação. O Santos passou a controlar o jogo com tranquilidade, sem precisar acelerar e encontrando espaços para trabalhar a bola.

A superioridade ficou evidente na construção do terceiro gol.

Rollheiser recebeu pelo setor ofensivo e levantou a cabeça antes de fazer um cruzamento preciso. Oliva apareceu bem posicionado e completou para as redes, colocando o Santos em uma vantagem de 3 a 0 ainda no primeiro tempo.

O placar traduzia perfeitamente a diferença de eficiência entre as equipes. O Inter até havia tentado jogar no campo ofensivo, mas não conseguiu criar. O Santos, por sua vez, aproveitou praticamente todos os espaços importantes que encontrou.

O intervalo serviu para o Internacional reorganizar a equipe e mudar completamente a postura. O Colorado voltou para o segundo tempo muito mais agressivo, ocupando o campo de ataque e colocando o Santos sob pressão.

A mudança de comportamento foi imediata.

Aguirre, que havia entrado durante o intervalo, assumiu protagonismo e acertou uma forte finalização de fora da área para diminuir a diferença. O gol colocou o Beira-Rio novamente em clima de esperança e deu ao Internacional a energia que havia faltado durante boa parte da etapa inicial.

O Santos percebeu que precisava recuperar o controle da partida. Com Arthur em campo, o Peixe voltou a ter mais posse e conseguiu esfriar o ritmo do adversário. A equipe passou a trocar passes desde a defesa e voltou a encontrar espaços no ataque.

Por alguns momentos, o jogo pareceu novamente sob controle dos visitantes.

O Santos, entretanto, cometeu um erro que devolveu tensão ao confronto. Miguelito derrubou Vitinho dentro da área, e o árbitro marcou pênalti. Bruno Gomes foi para a cobrança e converteu, colocando o Internacional a apenas um gol do empate.

O 3 a 2 mudou completamente o ambiente.

O Inter passou a acreditar que era possível buscar uma reação que, durante o primeiro tempo, parecia praticamente impossível. O Santos precisou se concentrar ainda mais para não deixar escapar uma vitória que havia construído com autoridade.

O Colorado tentou pressionar nos minutos finais, mas a reação acabou parando no segundo gol. O Santos conseguiu resistir à pressão e administrar a vantagem até o apito final.

Depois de um primeiro tempo em que foi extremamente eficiente, o Peixe sobreviveu à reação adversária e saiu do Beira-Rio com três pontos fundamentais.

Análise: Santos foi eficiente, enquanto o Inter expôs seus problemas

A vitória do Santos precisa ser analisada em dois momentos completamente diferentes. No primeiro tempo, o Peixe foi superior principalmente pela capacidade de identificar e explorar as fragilidades do Internacional. Não precisou dominar o jogo durante todo o período. Bastou aproveitar os erros e os espaços oferecidos pelo adversário.

Gabigol foi o principal símbolo dessa eficiência. O atacante apareceu quando teve oportunidades e participou diretamente da construção de uma vantagem que praticamente definiu o confronto ainda antes do intervalo.

A expulsão de Matheus Bahia também foi determinante. Com um jogador a menos e já perdendo por 2 a 0, o Internacional ficou em uma situação muito difícil. O Santos soube aproveitar a superioridade numérica e encontrou ainda mais espaço para circular a bola e atacar.

O terceiro gol, marcado por Oliva após cruzamento de Rollheiser, representa bem o momento da partida. O Santos teve calma para trabalhar a jogada, encontrou espaço no último terço e executou com precisão. Não foi necessário fazer uma pressão desenfreada. O Peixe simplesmente soube jogar de acordo com o cenário.

O segundo tempo, porém, mostrou que a partida poderia ter tomado outro rumo. O Internacional voltou muito mais intenso e conseguiu diminuir rapidamente. A equipe passou a atacar com mais frequência e mostrou uma capacidade de reação que não havia apresentado na primeira etapa.

O problema foi que o Inter precisou correr atrás de um prejuízo grande demais.

Mesmo depois de sofrer o segundo gol, o Santos conseguiu recuperar parte do controle com a entrada de Arthur e passou a utilizar a posse para diminuir a velocidade da partida. Quando o Colorado conseguiu novamente ameaçar, o Peixe já tinha construído uma vantagem suficiente para suportar a pressão.

Para o Internacional, o resultado expõe problemas que vão além da derrota. A equipe chegou ao décimo jogo sem vencer e novamente demonstrou dificuldade para transformar posse e presença ofensiva em chances claras. A reação do segundo tempo foi positiva, mas não apaga a apatia apresentada antes do intervalo.

O Santos, por outro lado, sai do Beira-Rio fortalecido na luta contra o rebaixamento. A equipe foi letal quando precisou, aproveitou os erros do adversário e, mesmo sofrendo uma pressão forte na etapa final, conseguiu preservar uma vitória que pode ter peso enorme na reta decisiva do campeonato.

No fim, o 3 a 2 resume uma partida em que o Santos ganhou pela eficiência e pela capacidade de castigar os erros do adversário. O Internacional reagiu, mostrou outra postura depois do intervalo e quase transformou o jogo, mas a vantagem construída pelo Peixe no primeiro tempo foi grande demais para ser apagada.

(Foto: Maxi Franzo/AGIF)