Desde que Alex “Poatan” Pereira perdeu o cinturão dos meio-pesados para Magomed Ankalaev no UFC 313, o futuro do brasileiro no Ultimate começou a ser questionado. E o próprio Poatan não parece estar fazendo questão de esconder os próximos passos. Recentemente, o lutador publicou imagens aparecendo com 110 kg, sinalizando de forma clara que pode estar se preparando para um salto definitivo aos pesos-pesados.
Esse possível movimento de Poatan de uma categoria já dura para a ainda mais brutal divisão dos pesados não é novo e não passa despercebido por ninguém, especialmente pelo atual campeão Tom Aspinall. O inglês já se disse interessado em um confronto contra o brasileiro no ano passado, quando Poatan ainda era campeão dos meio-pesados.
Essa combinação de declarações, imagens e movimentação nos bastidores sugere que o UFC pode ter um novo cenário se formando na divisão dos gigantes. E para Poatan, o desafio seria enorme, mas o potencial de um legado histórico, ainda maior.
A evolução física de Poatan: um peso-pesado natural?
Quem acompanha Poatan desde os tempos do kickboxing sabe que o brasileiro sempre teve um biotipo avantajado. Sua estatura, envergadura e estrutura óssea já o colocavam como um dos maiores meio-pesados da divisão. Mesmo pesando na casa dos 93 kg para competir, sua capacidade de cortar peso sempre foi acompanhada de um físico imponente.
Agora, com 110 kg distribuídos em massa magra e densidade física, Poatan mostra que o peso-pesado não seria um desafio insuperável em termos corporais. O brasileiro já enfrentou adversários do calibre de Jan Blachowicz e Jiri Prochazka no meio-pesado — ambos atletas grandes — e se adaptou bem. Subir de categoria seria um caminho interessante, já que ele já não tem problemas com os cortes de peso para 93 kg.
Porém, no peso-pesado, o desafio não está apenas no tamanho: está na potência que seus adversários oferecem, no jogo de grappling mais pesado e no impacto dos golpes recebidos. E é justamente isso que torna a transição arriscada — e empolgante.
Tom Aspinall: o possível obstáculo no radar
No ano passado, Aspinall fez elogios a Poatan, afirmando que adoraria lutar contra o brasileiro. Ao ser questionado sobre um duelo, Aspinall foi direto:
“Eu aceitaria lutar com ele, claro. Mas seria algo que eu tentaria resolver nos primeiros 10 segundos, com uma queda e finalização rápida,” disse.
Além disso, Aspinall foi enfático ao dizer que só aceitaria o confronto se fosse por título linear dos pesados. Não havia intenção por parte do inglês de fazer uma “superluta sem cinturão em jogo”. Agora, como o campeão linear dos pesados e com Poatan provavelmente fora da disputa dos meio-pesados pelo peso que porta atualmente, é bem capaz que uma luta entre os dois esteja próxima de se concretizar.
Não só Aspinall, mas também o presidente do UFC, Dana White, comentou sobre a possibilidade. Segundo ele, uma luta entre Aspinall e Poatan seria interessante do ponto de vista comercial, mas o dirigente ponderou:
“Eu amo o Alex, mas o Aspinall comeria ele vivo nos pesados,” afirmou Dana, no ano passado.
A fala de Dana indica que, embora a ideia de um Poatan nos pesados seja empolgante, existe uma preocupação sobre o quão competitivo o brasileiro seria imediatamente contra os tops da divisão, especialmente alguém tão completo e atlético como Aspinall.
Quem Poatan pode enfrentar nos pesados
Caso a transição se confirme, Poatan tem um leque interessante de adversários para uma estreia antes de pensar em cinturão. Sergei Pavlovich, m dos maiores nocauteadores da divisão, seria um teste imediato e brutal. Um duelo praticamente garantido para se resolver em pé e de forma violenta. Outro que poderia enfrentá-lo seria o o compatriota brasileiro Jailton Malhadinho, especialista no grappling, e seria um contraponto técnico. Malhadinho vive grande fase e seria um desafio para testar o jogo de chão de Poatan.
Outro nome que faria uma luta interessante seria o francês Cyril Gane. No entanto, é difícil pensar nele como um possível candidato a enfrentar Poatan, já que ele deve ser o próximo desafiante ao cinturão dos pesados. Alexander Volkov, por sua vez, poderia fazer uma “semifinal” com Poatan, com o vencedor provavelmente encarando Aspinall em sua defesa seguinte.
O ’empecilho’ Jon Jones
No meio dessa história, porém, está Jon Jones. Após se aposentar e liberar o cinturão para Aspinall, o estadunidense rapidamente voltou e mostrou interesse em uma luta no evento na Casa Branca, que será no ano que vem. Segundo Jones, ele está disposto “a enfrentar qualquer um que esteja com o cinturão dos pesados”.
Por isso, se Poatan subir, ele teria uma lacuna de quase um ano entre a primeira defesa de cinturão de Aspinall e a terceira, depois de Jones. O brasileiro, então, teria que ser o primeiro escolhido para o britânico. No entanto, será que o UFC se interessa? Será que seria justo com Gane? É um quebra-cabeça para Dana White resolver.
No entanto, não se pode negar que as imagens de Poatan com 110 kg não são apenas um detalhe: são o prenúncio de uma possível nova fase na carreira do brasileiro. Com Aspinall de olho, Dana White atento e o público ansioso, o cenário está armado para que o brasileiro, caso decida subir, seja um dos grandes protagonistas do peso-pesado.
Entre riscos e glórias, o próximo passo é do próprio Poatan: ficar no meio-pesado para tentar reconquistar o cinturão ou buscar o desafio definitivo contra os maiores e mais pesados.
(Foto: Zuffa LLC)