Ter Stegen, Barcelona
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Ter Stegen: 10 meses de calvário no Barcelona!

Se tem um jogador que está vivendo um pesadelo de longa duração no Barcelona, esse alguém é Marc-André ter Stegen. O goleiro alemão, que por anos foi sinônimo de segurança, liderança e consistência debaixo das traves do Barça, completa agora dez meses de um verdadeiro calvário. Uma sequência de lesões, incertezas, perda de protagonismo e agora, até o risco real de uma nova cirurgia nas costas, transformaram o que era uma carreira sólida no clube em uma montanha-russa de más notícias.

Tudo começou no dia 23 de setembro de 2023, no Estádio de La Cerámica, contra o Villarreal. Ninguém poderia imaginar que aquela partida marcaria o início da pior fase da trajetória de Ter Stegen como jogador do Barcelona. Durante o jogo, ele sofreu uma ruptura total do tendão patelar do joelho direito. Uma lesão grave, que o forçou a passar por uma cirurgia e ficar afastado dos gramados por pelo menos oito meses.

O retorno que nunca engrenou

Depois de meses de recuperação, o goleiro até conseguiu voltar no final da temporada. Mas, quando voltou, o cenário já era outro. O técnico Hansi Flick, recém-chegado ao comando da equipe, havia apostado suas fichas em Wojciech Szczesny, que assumiu a titularidade durante a ausência do alemão. Resultado: mesmo com o retorno físico de Ter Stegen, ele praticamente não teve espaço no time. Fez apenas dois jogos com o Barcelona e mais dois com a seleção alemã na Nations League. Muito pouco para um jogador que era, até recentemente, o capitão da equipe e um dos pilares do elenco.

No entanto, quando parecia que o pior já tinha passado, as coisas só pioraram. Em maio, começaram os primeiros rumores sobre a possível chegada de Joan García, jovem goleiro do Espanyol, ao Barça. E quando o clube pagou a cláusula de rescisão do jogador e oficializou a contratação, ficou claro que o futuro de Ter Stegen estava ainda mais ameaçado.

Mesmo assim, o alemão não quis saber de sair. Em entrevistas no fim de junho, ele deixou claro que seu plano era seguir no clube. Mas o cenário interno já era outro: o Barcelona via com bons olhos a saída do veterano goleiro para aliviar a folha salarial e criar espaço no Fair Play Financeiro. O que antes era estabilidade virou um impasse incômodo. De titular absoluto, Ter Stegen virou opção no banco — e talvez nem isso.

Mais um revés físico de Ter Stegen

Para piorar ainda mais a situação, o goleiro voltou aos trabalhos nesta pré-temporada tentando mostrar serviço, mas a notícia que circulou no primeiro dia de treinos foi desanimadora: Ter Stegen ficou no ginásio e não treinou com o grupo. Oficialmente, o clube não detalhou os motivos, mas rapidamente veio à tona que o alemão estava com dores nas costas — uma região que já o incomodou no passado.

O problema é sério. Tanto que, segundo fontes próximas, ele está cogitando uma nova cirurgia. Ainda não há uma decisão final, mas deve ser tomada em breve. O receio é que, operando ou não, o tempo de recuperação não será curto. E como se não bastasse, essa não é a primeira vez que ele sofre com as costas: em novembro de 2023, ele já havia enfrentado uma lesão semelhante, que o tirou de combate por três meses.

Ou seja, o que era pra ser um recomeço virou um novo capítulo de incertezas. O corpo já não responde como antes, a concorrência aumentou e a paciência do clube parece ter diminuído. O que fazer, então?

De ídolo a peça fora do tabuleiro?

Ter Stegen sempre foi um dos jogadores mais respeitados do elenco blaugrana. Capitão, poliglota, símbolo de profissionalismo. Mas o futebol é cruel. Em menos de um ano, ele passou de intocável a negociável. E essa virada tem tudo a ver com o cenário financeiro e esportivo que o Barcelona vive. Com limitações orçamentárias, o clube precisa fazer escolhas duras — e isso significa, muitas vezes, abrir mão de atletas experientes com altos salários.

A chegada de Joan García, jovem, barato e promissor, escancara essa mudança de paradigma. Szczesny também deve continuar, ao menos como plano B. E Ter Stegen, que um dia foi a primeira opção de qualquer treinador, agora está na rampa de saída, como dizem na Espanha.

E agora?

O futuro de Ter Stegen é uma grande incógnita. Vai operar? Vai sair? Vai insistir em ficar mesmo sendo reserva? Ou vai aceitar uma proposta de fora — talvez da Bundesliga, onde seu nome ainda tem peso — para retomar a titularidade e o protagonismo que sempre teve?

O certo é que o goleiro vive a fase mais difícil da sua carreira desde que chegou ao Camp Nou, em 2014. E a cada semana que passa, o cenário fica mais nebuloso. Ficar parado de novo por lesão pode ser o golpe final numa trajetória que, até pouco tempo atrás, era de pura estabilidade.

Dez meses. Esse é o tempo que separa Ter Stegen do momento em que era o dono da meta do Barça até agora, em que nem ao menos consegue treinar com os companheiros. Um período marcado por lesões, cirurgias, concorrência pesada, reviravoltas de mercado e um possível adeus silencioso.

Se o futebol é feito de fases, essa definitivamente é a pior de todas para o camisa 1 alemão. Resta saber se ele vai encontrar forças — físicas e mentais — para virar esse jogo. Porque, se tem uma coisa que o esporte ensina, é que até mesmo os maiores ídolos precisam, às vezes, recomeçar do zero.