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ATP e WTA jogam contra si mesmas quando prejudicam tenistas com calendários absurdos!

As reclamações sobre o calendário da ATP e WTA não são novas, no entanto, os torneios no Canadá e em Cincinnati deixam em evidência como são prejudiciais aos tenistas. As disputas em Montreal e Toronto se encerram nesta quinta-feira (5) e, no mesmo dia, já haverá jogos da chave principal da competição nos Estados Unidos.

Ou seja, quem chegou nessas últimas fases no Canadá, já não terá um bom descanso para Cincinnati. O que explica porque muitos tenistas do topo escolheram pular a atual disputa. Novak Djokovic, por exemplo, já confirmou que também não irá jogar no próximo Masters 1000, ficando de fora dos dois grandes torneios antes do US Open.

Outros, como Aryna Sabalenka, Carlos Alcaraz e Jannik Sinner estarão em Cincinnati e apenas pularam as partidas do Canadá. Até porque a chave principal foi iniciada apenas duas semanas depois da final de Wimbledon. Em um passado não tão distante, havia uma ‘pausa’ de cerca de um mês entre um torneio e outro, o que permitia que mais estrelas estivessem nas quadras canadenses.

Top seed Gauff rallies to reach WTA Montreal fourth round
As disputas no Canadá iniciaram apenas duas semanas depois de Wimbledon. Foto: The Canadian Press via AP

ATP e WTA atrapalham os tenistas

É importante notar que torneios Masters e WTA 1000 são, em sua maioria, mandatórios no calendário. Ou seja, assim como os Grand Slams, os tenistas são obrigados a participarem e a não participação gera punições. A mais óbvia, é o que os atletas não receberão pontos ou premiação em dinheiro, e essas são as competições que melhor pagam os profissionais.

Mas não é só isso para os homens. Caso o tenista fique de fora de um torneio mandatório, não é possível ‘trocar’ os seus três piores resultados em M1000 por melhores em outras disputas. Por exemplo, para o ranking, apenas os últimos 19 torneios (20, caso tenha se classificado para o ATP Finals) em um ano, são contados, mas é possível disputar mais do que isso.

Em uma situação onde o atleta tenha sido eliminado na primeira rodada de um Masters 1000, poderia trocar essa pontuação por um título ao nível de ATP 250 que não estava sendo contado, por exemplo. Isso acaba não afetando tenistas do topo, como Alcaraz, Sinner e Djokovic. Mas é por isso que atletas de ranking mais baixo, até mesmo aqueles que estão apenas fora do top 10, não pulam torneios.

A situação muda um pouco para as mulheres, os últimos 18 torneios (ou 19 com o WTA Finals) são considerados para o ranking. No entanto, as tenistas são obrigadas a disputarem 20 competições no ano. Se isso não acontecer, pontos são descontados, como foi com Iga Swiatek no final de 2024.

Então temos um cenário onde os órgãos que regulam o esporte, a ATP e WTA, apresentam punições caso os tenistas não consigam seguir a loucura do calendário atual. É claro que lesões e até mesmo fadiga, com médicos atestando a situação, são argumentos aceitos para perder torneios mandatórios. Entretanto, os atletas evitam, já que estão sempre buscando escalar o ranking.

The Cincinnati Open runs from 7-18 August.
Cincinnati Open começa a disputa no mesmo dia da final do Canada Open. Foto: Dylan Buell/Getty Images

Torneios longos e pouco descanso

Nos últimos anos, algumas mudanças foram feitas nos torneios e no calendário. O problema principal é que os motivos são sempre financeiros e não pensados no bem-estar dos tenistas. É claro, é importante considerar o lucro, para ser possível manter toda a estrutura da ATP e WTA.

Contudo, alguns fatores tem mais atrapalhado os profissionais e, ao longo prazo, não é algo compensado pelo lucro. Um desses são os torneios de Masters e WTA 1000 agora sendo disputados por cerca de duas semanas. No passado, essas competições eram de apenas sete dias, o que permitia um maior descanso entre um e outro.

Além de diminuir o período de repouso, ainda foi aumentado o tempo de disputa. Essa é uma reclamação comum, já que faz com que o torneio seja ainda mais cansativo. Não bastasse isso tudo, ainda há aqueles que são combinados, como Indian Wells e Miami Open. Nesse caso, se um tenista for bem nos dois, fica em quadra por quatro semanas seguidas.

É claro que, recentemente, está cada vez mais complicado para chegar na fase final de ambos. Já que há um grande desgaste, o que, por vezes, pode até mesmo influenciar no resto da temporada.

Foto: Toby Melville/Reuters