Khabib vs McGregor UFC
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Por que McGregor perdeu para Khabib, segundo Artem Lobov, seu ex-parceiro de treino?

Em outubro de 2018, o UFC 229 entrou para a história como o maior evento de MMA já realizado. De um lado, Conor McGregor, a estrela global do esporte, ex-campeão simultâneo dos penas e leves, recém-saído de um duelo bilionário com Floyd Mayweather. Do outro, Khabib Nurmagomedov, invicto, dominante e determinado a se impor diante do falastrão irlandês.

O resultado foi claro: uma vitória por finalização do russo no quarto round. Mas segundo Artem Lobov, ex-amigo pessoal e parceiro de treinos de McGregor, a luta foi decidida muito antes dos dois entrarem no octógono.

O motivo por trás da derrota de McGregor

Em entrevista recente, Lobov falou sobre o que ele considera o verdadeiro motivo da derrota de Conor: falta de comprometimento nos treinos:

“Conor não treinou para aquela luta”, revelou. “Ele estava no modo festa. Treinava duas vezes por semana. Eu tentei levá-lo para Las Vegas e disse: ‘precisamos focar’. Ele mandou eu me f***. Não queria saber.”

A luta em si foi dominada por Khabib desde o início. Seu grappling sufocante, seu controle posicional e seu jogo de solo impecável neutralizaram completamente a potência e o timing de McGregor. Ainda que o irlandês tenha vencido o terceiro round, o domínio do russo foi evidente. A vitória por mata-leão no quarto assalto foi apenas a confirmação do que já vinha sendo construído desde o início da luta — e, segundo Lobov, desde muito antes, quando McGregor deixou a preparação de lado.

“Se ele tivesse treinado quatro vezes por semana, acho que poderia ter vencido”, lamentou Lobov.  Ele ainda relembra o McGregor de 2016, que destruiu Eddie Alvarez para se tornar campeão duplo: “Se fosse aquele Conor, aquele que estava 100% focado, a história seria diferente. É esse Conor que eu queria ter visto contra Khabib.”

A crítica de Lobov vai além do campo físico — atinge também o psicológico. Segundo ele, McGregor entrou na luta com a mentalidade errada, influenciado pela fama, pelo dinheiro e pelo estilo de vida fora dos padrões de um atleta de elite. Não é um apontamento isolado. John Kavanagh, treinador de longa data do irlandês, já havia admitido que o camp para o UFC 229 foi “errado”.

Com o tempo, McGregor parece ter reconhecido parte disso. Em entrevistas posteriores, admitiu que seu foco havia mudado após a luta contra Mayweather. O dinheiro havia chegado, os compromissos comerciais aumentaram, e a disciplina que o levou ao topo deu lugar à ostentação. A rivalidade com Khabib, repleta de provocações, brigas e tensão, tirou ainda mais a atenção do que realmente importava: o desempenho esportivo.

A derrota que todos lembrarão

A derrota no UFC 229 não foi apenas mais um número no recorde. Foi o início de uma sequência irregular na carreira de McGregor. Desde então, ele venceu apenas uma luta (contra Donald Cerrone) e sofreu derrotas marcantes para Dustin Poirier, incluindo uma fratura na perna. Em vez de redenção, sua trajetória ficou marcada por mais polêmicas fora do octógono do que resultados dentro dele.

Enquanto isso, Khabib se aposentou invicto, com 29 vitórias, após vencer Justin Gaethje em 2020. Respeitado e idolatrado, tornou-se símbolo de disciplina e controle — tudo o que, segundo Lobov, faltou a McGregor naquele fatídico outubro de 2018.

As declarações de Lobov, portanto, funcionam como um alerta e uma análise profunda sobre o que pode derrubar até os maiores talentos do esporte. O talento natural de McGregor é indiscutível, assim como sua influência no crescimento do MMA mundial. Mas talento sem preparo, sem foco, sem rotina de atleta, cobra seu preço. E contra alguém como Khabib, o preço é alto.

O UFC 229 será lembrado para sempre. Pela luta, pelo caos pós-combate, pelas suspensões, pelas multas e, sobretudo, pela narrativa esportiva: o ápice do embate entre o showman e o guerreiro silencioso. Mas agora, com o relato de Artem Lobov, temos uma nova camada: a lembrança de que, talvez, a maior luta da história do MMA tenha sido decidida nos bastidores, quando um campeão mundial decidiu treinar só duas vezes por semana.

E essa, no nível mais alto do esporte, é uma derrota que começa antes mesmo do gongo soar.

(Foto: Sportsfiles)