Charles Oliveira x Ilia Topuria UFC
Lutas UFC

Charles Oliveira retorna ao Brasil e tem adversário duro pela frente; o que podemos esperar da luta?

O retorno de Charles “Do Bronx” Oliveira ao Brasil no UFC Rio  carrega um simbolismo que vai muito além de simplesmente disputar mais uma luta. Depois da derrota dolorosa para Ilia Topuria no UFC 317, quando foi brutalmente nocauteado ainda no primeiro round, o brasileiro reencontra seu povo e seu solo natal em um momento de reconstrução e reinvenção.

Do outro lado do octógono estará Rafael Fiziev, striker afiado, técnico e explosivo, que representa exatamente o tipo de oponente que exige foco total e execução tática precisa. A luta, marcada para o dia 11 de outubro, será a principal atração do evento na Arena Farmasi, no Rio de Janeiro, e tem tudo para ser um divisor de águas na carreira recente de ambos.

A reconstrução de Charles Oliveira

Charles viveu momentos gloriosos nos últimos anos. Tornou-se campeão dos leves em 2021, defendeu o cinturão contra grandes nomes como Dustin Poirier e Justin Gaethje, e construiu uma reputação de um dos finalizadores mais letais da história do UFC. No entanto, a derrota para Topuria escancarou um ponto frágil: seu desequilíbrio tático em momentos decisivos.

Após a luta, o próprio Charles admitiu que abandonou completamente o plano de jogo que havia treinado para aquele combate. Em vez de usar sua movimentação, chutes baixos, joelhadas e controlar a distância, ele optou por permanecer estático, trocar golpes e se expôs a um nocaute que muitos consideraram evitável. As críticas foram duras, e figuras como Paddy Pimblett não pouparam palavras, chamando a atuação do brasileiro de “estratégia inexistente”.

Agora, diante de Rafael Fiziev, Oliveira tem a oportunidade de reverter a narrativa. Voltar a lutar no Brasil, diante de uma torcida apaixonada, pode representar não só um impulso emocional, mas também um reencontro com sua melhor versão. No entanto, também existe o risco: lutar em casa pode gerar pressão extra e, se o psicológico não estiver firme, pode jogar contra.

Por isso, o grande desafio de Charles não é apenas físico ou técnico — é mental. Ele precisa mostrar que aprendeu com os erros do passado, que pode manter a calma mesmo diante da adversidade, e que ainda é capaz de ser um dos grandes nomes do peso leve.

O desafio de Rafael Fiziev

Fiziev, por sua vez, chega embalado. Após um período de oscilação, que incluiu derrotas para Justin Gaethje e uma lesão séria contra Mateusz Gamrot, ele voltou ao caminho das vitórias ao superar Ignacio Bahamondes. Seu estilo é baseado em um boxe refinado, e um Muay Thai bem interessante, que usa chutes rápidos, combinações técnicas e uma movimentação de cabeça que já viralizou em vídeos por lembrar cenas de filmes de ação.

É um atleta que gosta de ditar o ritmo, manter a luta em pé e punir qualquer brecha na defesa adversária. Contra Charles, ele provavelmente buscará manter a distância e impedir qualquer tentativa de queda ou clinch prolongado.

Como a luta deve se desenvolver

Do ponto de vista estratégico, a luta é um prato cheio. Se Charles quiser vencer, precisará evitar a trocação aberta. O caminho mais lógico será usar seu grappling, que ainda um dos melhores da divisão, para desgastar Fiziev no solo, buscar o ground and pound e, eventualmente, a finalização. É essencial que Charles controle o ímpeto, use sua envergadura para trabalhar na longa distância e procure quedas quando surgirem as brechas.

Já para Fiziev, a missão será manter a luta em pé o máximo possível, defender quedas e explorar os momentos em que Charles se expõe nas transições. Seus chutes nas pernas e no corpo podem minar a resistência do brasileiro ao longo dos rounds, e a precisão dos jabs pode abrir caminho para combinações mais contundentes.

Um elemento fundamental será o fator ritmo. Se a luta passar do segundo round, a resistência e a inteligência tática farão diferença. Charles já demonstrou capacidade de manter a pressão ao longo de lutas longas, mas também tem um histórico de ser tocado e de vacilar em momentos cruciais. Fiziev, por sua vez, tende a perder intensidade em lutas que se arrastam, o que pode ser um ponto de atenção para seu corner.

Mais do que um confronto entre dois estilos distintos, o duelo entre Charles Oliveira e Rafael Fiziev é sobre momento, maturidade e legado. Para o brasileiro, trata-se de provar que ainda pertence à elite, que pode se reinventar e superar as falhas recentes.

Para o azeri, é a oportunidade de bater um dos nomes mais respeitados da divisão e deixar claro que está pronto para voos maiores. No fim, será a combinação de tática, paciência e coragem que definirá quem sairá vitorioso da Arena Farmasi.

(Foto: Getty Images)