Um esquema de manipulação de resultados transformou o ex-jogador do Crystal Palace, Moses Swaibu, em milionário. No entanto, a mesma rede de corrupção o levou à prisão e encerrou uma carreira que esteve muito próxima da Premier League. O zagueiro chegou a acumular milhões, mas foi rapidamente detido e se arrependeu profundamente das decisões que tomou enquanto atuava no futebol. Hoje, ele é uma voz ativa na conscientização de atletas sobre os riscos das apostas ilegais. Durante seu envolvimento com a organização criminosa, Swaibu faturou milhões de libras por meio de fraudes no esporte. Aos 36 anos, ele resolveu expor toda a verdade.
A trajetória de Moses Swaibu foi narrada pelo jornal britânico Daily Mail. Na entrevista, o ex-defensor revelou detalhes do esquema e descreveu os acontecimentos que levaram o então melhor jogador jovem do ano do Crystal Palace, atual campeão da Copa da Inglaterra, a ser preso apenas cinco anos depois. Sua história é contada de forma minuciosa na autobiografia Fixed, que funciona como um alerta para uma indústria que, muitas vezes, prefere fechar os olhos para o problema.

Do início promissor no Crystal Palace ao envolvimento com manipulação de resultados
A carreira de Swaibu começou no Crystal Palace, onde, aos 18 anos, foi eleito melhor jogador jovem. Logo depois, transferiu-se para o Lincoln City, profissionalizando-se e ficando a um passo da Premier League. Porém, sua jornada nos gramados acabou aos 23 anos. Atuando pelo Bromley, clube das divisões inferiores da Inglaterra, o defensor recebia 850 libras por semana e, após recusar um primeiro convite para participar de manipulações de resultados, acabou aceitando a proposta no ano seguinte. Foi então que conheceu Tan Seet Eng, líder mafioso de Singapura, e iniciou um perigoso ciclo de corrupção.
A partir dali, Swaibu passou a manipular partidas, facilitando gols para os adversários. O esquema gerava milhões para os chefes no mercado de apostas asiático e também para o próprio jogador. Em apenas sete partidas, o ex-zagueiro do Crystal Palace embolsou cerca de 1 milhão de libras (o equivalente a R$ 7,3 milhões), chegando até a comprar uma Ferrari.
O Daily Mail destacou o método do ex-zagueiro: ele “aprendeu a fingir que corria” quando um atacante adversário avançava, evitando bloqueios ou faltas. Ao marcar o oponente, posicionava-se de forma errada propositalmente, permitindo que o rival tivesse espaço para finalizar. Depois, encenava indignação e culpava colegas de equipe, mascarando o seu erro intencional.
Prisão e mudança de vida, após início de carreira no Crystal Palace
O esquema funcionou por um tempo, mas, na nona tentativa de manipular um jogo, Swaibu percebeu o peso de continuar atuando dessa forma e decidiu se aposentar. No entanto, em 2013, aos 24 anos, já fora dos gramados, o zagueiro revelado pelo Crystal Palace, seguia organizando manipulações, intermediando contatos entre jogadores e criminosos.
Foi então que recebeu um convite para se reunir com outro grupo em um restaurante chinês, sem saber que essa máfia estava sendo investigada. A Agência Nacional de Crimes flagrou Swaibu junto aos suspeitos e decretou sua prisão. Em 2015, ele foi condenado a 16 meses de reclusão, dos quais cumpriu apenas quatro.
A experiência na cadeia foi marcante e, segundo ele, transformadora. O ponto de virada para o ex-zagueiro do Crystal Palace, aconteceu quando sua filha Taliya, então com dois anos, foi visitá-lo. “Nenhuma quantia de dinheiro obtida com a manipulação de resultados valia mais do que vê-la ter que ir até a prisão para me ver”, relatou ao jornal.
Após deixar a prisão, Swaibu decidiu dedicar-se ao combate ao crime que o destruiu, depois de uma carreira promissora no futebol inglês. Fundou a Gamechanger 360, consultoria que atua na prevenção de manipulação de resultados e já prestou serviços para a Fifa e o Comitê Olímpico Internacional (COI). Sua autobiografia, Fixed, reforça essa missão.
Recentemente, o ex-zagueiro do Crystal Palace discursou em uma convenção com mil representantes da entidade que regula o futebol, alertando sobre os perigos das manipulações. O tema voltou aos holofotes na Europa devido a punições como as de Ivan Toney (Brentford) e Sandro Tonali (Newcastle), além das investigações envolvendo brasileiros como Lucas Paquetá e Bruno Henrique, que defendem West Ham e Flamengo, respectivamente.
(Foto: Divulgação/Crystal Palace)