Nesse dia dos pais, o time da vez na nossa série das cinco maiores vitórias de cada um dos grandes clubes tem o Santos como protagonista. O time de Pelé conquistou tudo o que era possível, mas entre os principais triunfos tem partidas da geração de 2002 e da era Neymar.
Confira as principais vitórias do glorioso Santos Futebol Clube, time que escreveu alguns dos capítulos mais vitoriosos da história do futebol brasileiro, rivalizando com potências mundiais. Veja os cinco jogos escolhidos.
5. Santos 2×1 Peñarol – Final da Copa Libertadores de 2011

O ano de 2011 marcou o fim de um longo jejum de títulos continentais para o Santos. Desde a era Pelé, o clube não conquistava uma Copa Libertadores, e a pressão por voltar ao topo do futebol sul-americano crescia ano após ano. A final, contra o tradicionalíssimo Peñarol, do Uruguai, teve um gosto especial: além de reeditar o duelo de 1962, colocava frente a frente duas camisas pesadas, com múltiplos títulos internacionais. O Estádio do Pacaembu estava lotado, e a atmosfera era de decisão histórica.
O jogo foi tenso. Depois de um empate sem gols no primeiro jogo em Montevidéu, o Santos precisava vencer em casa. Comandado por Neymar, que vivia seu auge técnico no clube, o Peixe não conseguiu transpor a defesa uruguaia no primeiro tempo, mas no segundo tempo, o próprio camisa 11 abriu o placar. Logo depois, Danilo ampliou o marcador, dando tranquilidade aos santistas. Já na reta final o Peñarol descontou com Durval (contra), mas não houve tempo para uma reação uruguaia. Com o apito final, o Santos voltou a reinar na América.
Essa vitória teve um peso imenso. Não apenas porque selou o tricampeonato da Libertadores, mas porque solidificou a geração de Neymar, Ganso e companhia como a mais importante desde os tempos de Pelé. A campanha foi marcada por vitórias emblemáticas e por muita resiliência. O título de 2011 projetou Neymar para o mundo e consolidou o Santos novamente como uma potência internacional.
Para a torcida santista, aquele 22 de junho de 2011 ficou eternizado. Foi o momento em que gerações que apenas ouviram falar dos tempos de ouro puderam, enfim, celebrar um título continental com lágrimas e orgulho. A noite no Pacaembu foi de festa, consagração e reconexão com a grandeza histórica do clube.
4. Santos 4×2 Milan – Final do Mundial Interclubes de 1963 (segundo jogo)

Após conquistar a Libertadores de 1963 sobre o Boca Juniors, o Santos partiu para defender seu título mundial diante do poderoso Milan. A primeira partida, disputada na Itália, terminou com vitória rossonera por 4 a 2. Para o segundo confronto, no Maracanã, o time brasileiro precisava de uma virada histórica. Sem Pelé, lesionado, poucos acreditavam que o Santos conseguiria reverter a vantagem italiana. Mas o que se viu foi uma aula de superação e talento.
No dia 14 de novembro, diante de mais de 120 mil torcedores, o Santos entrou em campo com espírito guerreiro. O Milan abriu o placar e ainda ampliou no primeiro tempo, deixando a torcida santista sem muitas esperanças. Mas, na etapa complementar, o Peixe reagiu, contando com atuações inspiradas de Pepe, que marcou um gol de falta; Coutinho, que atuou bem; Lima, que marcou um belo tento e, principalmente, Almir Pernambuquinho, que substituiu Pelé e marcou dois gols. O jogo terminou 4 a 2 para o Santos, levando a decisão para uma terceira partida, também no Maracanã. A força mental e o talento do time brasileiro deram uma demonstração de que, com ou sem Pelé, o Santos era gigante.
Mais do que apenas um placar elástico, essa vitória foi simbólica por mostrar a força do elenco santista. Era comum, na época, os times brasileiros dependerem de um ou dois craques. O Santos, porém, mostrou que sua força vinha do coletivo. Jogadores como os citados, além de Mengálvio, Mauro Ramos, Gilmar e Dalmo seguraram a pressão italiana e garantiram a sobrevivência na disputa pelo título mundial, vencendo na raça e na técnica.
Esse triunfo tem um valor emocional gigantesco para o torcedor santista. Foi a noite em que o Santos venceu a desconfiança e igualou as forças contra um dos maiores clubes da Europa, mesmo com seu maior craque fora de combate. A vitória por 4 a 2, diante de um Maracanã em êxtase, é lembrada como uma das atuações mais fantásticas da história do clube.
3. Santos 3×2 Corinthians – Final do Campeonato Brasileiro de 2002

O Campeonato Brasileiro de 2002 foi um marco na história recente do futebol nacional. Pela primeira vez, uma geração jovem, quase improvisada, como a do Santos, chegou à final da competição, desafiando gigantes e expectativas. O adversário era o Corinthians, em um clássico paulista com enorme peso histórico e emocional. Com Robinho e Diego como destaques, o Santos chegou à final com um futebol atrevido e ofensivo no mata-mata, após se classificar em oitavo lugar na classificação, conquistando a simpatia de boa parte do país.
No jogo decisivo, o Santos já havia vencido a primeira partida por 2 a 0. O Peixe, após as famosas oito pedaladas de Robinho, que culminaram num pênalti batido por ele, saiu na frente na etapa inicial. Já no segundo tempo, quando a partida parecia tranquila para os santistas, Deivid e Anderson viraram para o Corinthians, causando uma tensão enorme nos santistas. Contudo, o final do clássico reservava uma das maiores emoções para o torcedor santista, já que Elano e Léo reverteram o resultado, anotando o segundo e o terceiro gols, dando o tão sonhado título para o Alvinegro Praiano.
O valor simbólico dessa vitória é enorme. Ela marcou o renascimento do Santos no cenário nacional após um longo período sem conquistas de grande expressão. Mais do que isso, revelou ao Brasil uma geração que encantou com dribles, ousadia e personalidade, rompendo com o modelo tático engessado que dominava o futebol na época. Robinho e Diego se consagraram como os novos “Meninos da Vila”, e o técnico Emerson Leão saiu como herói.
Para a torcida, aquele título foi um grito de alívio e orgulho. O Santos voltou a ser protagonista, com um estilo de jogo fiel à sua essência histórica. A final de 2002 não foi apenas uma vitória sobre um rival: foi a retomada de uma identidade, a celebração de um futebol alegre e a certeza de que o DNA ofensivo santista estava mais vivo do que nunca.
2. Boca Juniors 1×2 Santos – Final da Libertadores de 1963

Em 1963, o Santos vivia seu auge. Já campeão mundial e da Libertadores no ano anterior, o desafio era provar que a hegemonia sul-americana não era momentânea. A final da Libertadores daquele ano colocava o Peixe diante do Boca Juniors, no mítico estádio La Bombonera. Vencer na Argentina, contra uma torcida hostil e um adversário tradicional, era uma missão bem inglória, mas não para aquele Santos.
O primeiro jogo, no Maracanã, terminou com vitória santista por 3 a 2. Na volta, o Boca pressionou desde o início, contando com o apoio maciço de sua torcida, abriu o placar no início do segundo tempo com Sanfilippo. Entretanto, na sequência, o Santos mostrou frieza e experiência. Com gols de Coutinho e Pelé, o Peixe virou o jogo e venceu por 2 a 1, calando a Bombonera. Era o bicampeonato da Libertadores, conquistado com autoridade fora de casa, diante de um dos maiores clubes do continente.
Essa vitória teve um peso gigantesco. Foi a confirmação do domínio santista na América do Sul, agora conquistando o título em solo argentino, algo raro até os dias atuais. Além disso, o jogo marcou mais uma atuação de gala da dupla Pelé e Coutinho, que deixou sua marca em uma das atmosferas mais hostis do continente.
Para os torcedores, aquela noite foi mais do que um título: foi uma demonstração de grandeza internacional. Vencer o Boca em plena Bombonera consolidou o Santos como o maior time da América. Foi uma vitória épica que simbolizou o respeito que o clube impôs fora do Brasil, colocando definitivamente o nome do Santos entre os gigantes do futebol mundial.
1. Benfica 2×5 Santos – Final do Mundial Interclubes de 1962

O ápice da história santista aconteceu no dia 11 de outubro de 1962, no Estádio da Luz, em Lisboa. Após vencer o primeiro jogo da final do Mundial Interclubes por 3 a 2 no Maracanã, o Santos precisava apenas de um empate para garantir o título. Do outro lado estava o poderoso Benfica de Eusébio, campeão europeu, jogando em casa. Mas o que se viu foi um massacre técnico numa das maiores atuações de uma equipe de futebol em todos os tempos.
O Santos simplesmente atropelou o Benfica. Com um Pelé em estado de graça, o Peixe abriu vantagem com dois gols do Rei e um de Coutinho ainda no primeiro tempo. Na segunda etapa, Pelé e Pepe fizeram mais dois, fazendo os portugueses aplaudirem de pé o visitante. O hat-trick de Pelé demonstrou a atuação lendária do Rei, que além dos gols, só faltou “fazer chover”, com incontáveis dribles e jogadas espetaculares. A partida terminou 5 a 2, pois Eusébio e Santana descontaram no fim, mas o estrago causado pela equipe brasileira já estava feito.
Essa vitória é considerada, por muitos, a maior exibição de um clube brasileiro fora do país. O Santos mostrou ao mundo a força do futebol arte brasileiro. Pelé se consolidou como o maior jogador do planeta, e o Santos foi coroado como o melhor time do mundo. A superioridade técnica, a ousadia ofensiva e a frieza para decidir fora de casa tornaram essa partida lendária.
Para o torcedor santista, aquele 5 a 2 é mais do que um resultado: é um patrimônio emocional, uma lembrança de quando o Santos encantou o planeta. O Estádio da Luz foi o palco do espetáculo que selou a maior conquista da história do clube. O mundo viu e reconheceu que o Santos de Pelé era o melhor time da Terra.
(Imagem de capa: Divulgação)