O Santos venceu o Remo por 2 a 1 neste sábado, no Mangueirão, e confirmou mais um passo importante em sua reação no Brasileirão. Em uma partida truncada, marcada por muitos erros de passe e pouca inspiração ofensiva, o Peixe precisou da qualidade de Gabriel Barbosa para buscar a vitória. Gabigol deu a assistência para Rony abrir o placar e, poucos minutos depois, apareceu na área para marcar o gol decisivo.
A vitória é a quarta consecutiva do Santos, que chegou a seis rodadas de invencibilidade e alcançou os 38 pontos, assumindo a nona colocação da Série A. O Remo, com 23 pontos, permanece na vice-lanterna. Mais do que o resultado isolado, o triunfo confirma a transformação do momento santista, que vem deixando a parte de baixo da tabela para se aproximar da primeira metade da classificação.
O jogo
O confronto no Mangueirão começou com pouca inspiração dos dois lados. O Remo tentou controlar mais a posse de bola, mas encontrou dificuldades para transformar a circulação em oportunidades. A equipe paraense trocava passes principalmente longe da área e raramente conseguia acelerar as jogadas.
O Santos também não encontrava facilidade para construir. Os meio-campistas conseguiam superar a primeira linha de pressão do adversário, mas a equipe tinha dificuldades para dar sequência às jogadas e avançar com qualidade. O resultado foi um início de partida lento, com muitos erros técnicos e poucas finalizações.
A primeira oportunidade realmente perigosa apareceu somente aos 26 minutos. Vitor Bueno cobrou falta de longa distância com força e direção, obrigando Diógenes a fazer uma boa defesa no canto. O Remo até arriscava mais de fora da área, mas não conseguia acertar a meta com frequência.
O Santos demorou ainda mais para finalizar. Aos 34 minutos, Christian Oliva recebeu perto da meia-lua, girou sobre a marcação e bateu com qualidade. Marcelo Rangel respondeu com uma grande defesa, espalmando a bola por cima do gol.
Gabriel Bontempo e Rony também tiveram oportunidades, mas erraram o alvo. O Remo tentou responder principalmente pelo lado do campo, com Marcelinho aparecendo em algumas chegadas ofensivas, mas também sem conseguir superar Diógenes.
O primeiro tempo terminou com um retrato fiel do que havia sido a partida: muita disputa, muitos erros de passe e pouca produção ofensiva.
Na volta do intervalo, o cenário mudou pouco. As duas equipes retornaram sem alterações e continuaram cometendo erros básicos de domínio e passe. Até as bolas paradas eram mal aproveitadas, com escanteios que não encontravam os atacantes.
O primeiro chute no alvo da segunda etapa aconteceu somente aos 21 minutos. Galeano recebeu de Marcelinho, avançou e bateu cruzado. Diógenes novamente apareceu bem para espalmar.
Na sequência, o Santos teve uma chance ainda mais clara. Arthur encontrou Gabriel Barbosa em condição de finalizar cara a cara com Marcelo Rangel. Gabigol tentou encobrir o goleiro com uma cavadinha, mas Rangel levou a melhor e evitou o gol.
O jogo continuava preso no empate, mas a qualidade individual começava a fazer diferença. Aos 33 minutos, Rony e Gabigol construíram a jogada que finalmente abriu o placar. O atacante recebeu de Gabriel Barbosa, devolveu a bola e voltou a aparecer para finalizar. Depois da tabela, Rony bateu cruzado, acertou o canto e colocou o Santos na frente.
O gol mudou a partida. O Remo precisou se lançar mais ao ataque e passou a ocupar espaços que não encontrava anteriormente. A resposta veio rapidamente. Aos 38 minutos, Diógenes saiu mal do gol durante uma sequência de cruzamentos e a bola acabou sobrando para Pikachu. O jogador levantou a cabeça e cruzou rasteiro para Marllon, que apareceu livre e completou para a rede vazia.
O empate parecia colocar novamente o jogo em aberto, mas o Santos ainda tinha Gabriel Barbosa. Aos 42 minutos, em cobrança de escanteio, Lucas Veríssimo desviou a bola na segunda trave. Gabigol se antecipou ao goleiro e completou de canhota para o fundo da rede. O atacante, que havia perdido uma grande oportunidade poucos minutos antes, não desperdiçou a segunda chance.
O gol foi o golpe decisivo. O Remo ainda perdeu Gabriel Poveda, expulso nos acréscimos, e não conseguiu encontrar forças para buscar novamente o empate. Já nos instantes finais, Gabriel Menino ainda roubou uma bola no campo de ataque e tentou uma cavadinha, mas Marcelo Rangel encaixou.
O Santos segurou o resultado até o apito final e voltou para casa com mais três pontos.
Análise: Santos cresce, e Gabigol mostra por que continua sendo decisivo
O 2 a 1 não foi resultado de uma grande atuação coletiva do Santos. A equipe teve dificuldades para construir, errou passes e passou longos períodos sem conseguir ameaçar o gol do Remo. Ainda assim, conseguiu vencer porque soube aproveitar os momentos decisivos e contou com um jogador capaz de mudar a história da partida.
Gabigol foi esse jogador. O atacante terminou com um gol e uma assistência, participando diretamente dos dois gols santistas. No primeiro, teve tranquilidade para tabelar com Rony e encontrar o companheiro em condição de finalizar. No segundo, mostrou posicionamento e oportunismo para atacar o espaço após o desvio de Veríssimo.
Essa capacidade de aparecer nos momentos importantes é especialmente valiosa em partidas como a deste sábado. Quando o jogo é truncado e as oportunidades são escassas, a diferença muitas vezes está justamente na qualidade de quem consegue transformar uma pequena brecha em gol.
O Santos também merece crédito pela sequência construída. Quatro vitórias consecutivas e seis partidas sem perder mostram uma equipe que mudou completamente o cenário em relação à luta contra a parte de baixo da tabela. Com 38 pontos e na nona colocação, o Peixe agora começa a olhar para cima.
O mais importante é que essa arrancada não dependeu apenas de grandes atuações. Contra o Remo, o Santos jogou abaixo do que poderia, mas conseguiu vencer. Em um campeonato longo, esse tipo de resultado também tem peso.
A equipe soube resistir quando o adversário teve mais posse, encontrou dificuldades para progredir e ainda sofreu o empate poucos minutos depois de abrir o placar. Mesmo assim, não perdeu o controle emocional e voltou a buscar o resultado.
Rony também teve papel importante. O atacante participou da construção do primeiro gol ao lado de Gabigol e mostrou movimentação para aparecer na área. Foi justamente uma combinação entre mobilidade e qualidade individual que destravou um confronto que parecia caminhar para o empate.
Do lado do Remo, fica a sensação de uma equipe que conseguiu competir durante boa parte do jogo, mas que teve dificuldade para transformar posse e volume em oportunidades claras. O time paraense chegou a empatar e teve seus momentos, mas não conseguiu impedir que Gabigol decidisse novamente.
A falha de Diógenes no lance do empate também pesou. Depois de uma boa atuação, com defesas importantes durante a partida, o goleiro saiu mal e permitiu que o Remo chegasse ao 1 a 1. Poucos minutos depois, porém, o Santos aproveitou uma bola parada e voltou a ficar na frente.
No fim, o Peixe não precisou dominar para vencer. Precisou ser eficiente quando as oportunidades apareceram. E essa talvez seja uma das principais características dessa arrancada. O time ainda tem pontos a melhorar, especialmente na construção ofensiva e na capacidade de controlar partidas com mais autoridade. Mas encontrou uma sequência de resultados e, principalmente, jogadores capazes de decidir.
(Foto: Raul Baretta/Santos)



