O mundo do boxe, sempre propenso a surpresas e espetáculos fora do convencional, pode estar prestes a testemunhar um dos duelos mais inesperados da história: Jake Paul contra Anthony Joshua.
O que inicialmente parecia um golpe publicitário, ou uma provocação midiática de Paul, agora ganhou contornos reais com negociações ativas, projeções financeiras robustas e discussões sobre local, regras e viabilidade esportiva.
De acordo com declarações recentes do promotor Eddie Hearn, responsável por gerenciar a carreira de Joshua, as conversas estão em estágio avançado e há “uma boa chance” de o confronto acontecer em 2026.
No entanto, um obstáculo importante surgiu logo no início: o Conselho Britânico de Boxe (British Boxing Board of Control) se mostrou contrário à ideia de autorizar essa luta em território britânico, alegando discrepância de níveis técnicos e preocupações com a segurança do evento. Segundo Hearn, é improvável que a entidade aprove a licença necessária para realizar o combate no Reino Unido, o que empurra o duelo para os Estados Unidos ou, eventualmente, para o Oriente Médio — dois mercados com menos resistência regulatória e grande potencial de retorno comercial.
Negócio bilionário, mas de enorme risco para Jake Paul
Jake Paul, youtuber transformado em boxeador profissional, construiu sua carreira no ringue enfrentando nomes midiáticos, ex-lutadores de MMA e, mais recentemente, adversários com alguma bagagem no boxe tradicional. Embora sua trajetória ainda seja vista com ceticismo por parte da comunidade técnica do esporte, Paul vem evoluindo em desempenho, condicionamento e estrutura de equipe.
Já não se trata mais de um amador brincando com as luvas, mas de um competidor em ascensão com clara noção de marketing esportivo e apelo de público, numa combinação que atrai promotores e patrocinadores. Quando Jake Paul entra no ringue, o mundo do boxe para e assiste.

Do lado de Joshua, o interesse pela luta parece mais estratégico do que técnico. O britânico, ex-campeão mundial dos pesos-pesados e medalhista olímpico, passou por altos e baixos nos últimos anos, incluindo derrotas marcantes e questões físicas que interromperam sua regularidade. Segundo seu time, AJ vê em Jake Paul uma oportunidade de retorno triunfal aos holofotes com uma vitória de grande visibilidade e excelente remuneração.
Frank Smith, CEO da Matchroom Boxing, chegou a sugerir que 2026 pode ser um ano “histórico” para Joshua, cogitando até um duplo confronto: primeiro contra Paul, depois contra Tyson Fury, num possível retorno do “Gipsy King” aos ringues.
A luta, caso confirmada, será uma tempestade perfeita de entretenimento, rivalidade e potencial financeiro. Eddie Hearn reconhece que, apesar de inusitada, a proposta atrairia milhões de espectadores globalmente. No entanto, ele também faz questão de reforçar que o boxe “não é brincadeira”.
Em entrevista recente, Hearn disse que a luta “poderia acabar com a carreira de Jake Paul” caso o youtuber subestime os riscos. O treinador de Joshua, Ben Davison, foi ainda mais direto ao classificar a luta como “perigosíssima” para Paul, destacando a brutal diferença de potência, experiência e técnica entre os dois.
Como Jake Paul pode enfrentar Anthony Joshua?
A grande questão, para além do espetáculo, é se Jake Paul realmente teria alguma chance esportiva contra Anthony Joshua. Em termos objetivos, a resposta é não. A diferença de porte físico, força, experiência e qualidade técnica é colossal.

Joshua tem quase 2 metros de altura, um alcance superior a 2,08 metros e mais de 100 rounds disputados em alto nível, contra o limitado cartel de Paul, que enfrentou adversários menores e menos experientes.
Para surpreender, Paul teria que adotar uma estratégia ousada: evitar o confronto direto, usar velocidade e movimentação lateral, manter a distância e buscar uma brecha em um possível descuido de Joshua. Essa abordagem, embora teórica, encontra inspiração em exemplos históricos de lutadores menores que venceram favoritos, como em lutas de Mike Tyson nos anos 80. No entanto, o YouTuber está anos luz de ser um Tyson.
Até mesmo os mais otimistas reconhecem que Paul precisaria de uma combinação perfeita de preparação física, coragem e sorte para não apenas sobreviver ao primeiro round. Fora o risco de se machucar gravemente.
Ainda assim, o improvável vem ganhando força. A simples existência de negociações ativas, somada à abertura do próprio Hearn para considerar o confronto como “plausível”, mostra que o boxe profissional atual está cada vez mais disposto a misturar entretenimento e tradição. O que antes era impensável, um ex-influenciador digital enfrentando um ex-campeão mundial dos pesos-pesados, hoje é uma hipótese com chances de se concretizar. É uma situação tão maluca que foi até difícil comentar.
(Imagem de capa: Reprodução DAZN)