O técnico Hansi Flick começa a temporada 2024/25 do Barcelona com um dilema que muitos treinadores gostariam de ter: excesso de qualidade no meio-campo. Diferente do início da última campanha, quando precisou improvisar e utilizar jovens menos experientes devido a lesões e ausências importantes, o treinador agora conta com praticamente todo o elenco à disposição, repleto de talento e versatilidade. A única certeza no setor é a presença de Pedri, que chega como titular absoluto e referência técnica.
Na temporada anterior, Flick foi obrigado a iniciar a LaLiga contra o Valencia com Casadó e Bernal como titulares, já que Pedri se recuperava de lesão sofrida contra a Alemanha na Eurocopa, De Jong tratava uma contusão no tornozelo, Gavi estava em reabilitação, Dani Olmo não havia sido inscrito e Fermín apresentava desgaste após Eurocopa e Jogos Olímpicos. Hoje, o cenário é totalmente diferente: todos estão disponíveis, mais experientes e com a confiança em alta no Barcelona.
O meio-campo do Barcelona é, inclusive, um dos mais valiosos do mundo. Segundo dados do site especializado Transfermarkt, o setor está avaliado em cerca de 390 milhões de euros: Pedri (140 mi), Gavi (60 mi), Dani Olmo (60 mi), Fermín (50 mi), De Jong (45 mi), Casadó (30 mi) e Bernal (5 mi). A essa lista ainda podem se somar jovens promessas como Dro, destaque da pré-temporada aos 17 anos, e Guille Fernández, avaliado em 3 milhões de euros.
Entre todos, apenas Pedri é considerado inquestionável. Cotado para figurar no Top-10 do próximo prêmio Bola de Ouro, o canário foi o motor do Barcelona na última temporada, controlando o ritmo do jogo com inteligência e precisão. Sua capacidade de ditar o tempo da partida e encontrar passes decisivos o torna peça fundamental no esquema de Flick, que agora busca definir quem serão seus companheiros ideais no setor.
Disputa acirrada pelas vagas ao lado de Pedri
No sistema com duplo pivô, De Jong aparece como um parceiro natural para Pedri. O holandês oferece equilíbrio, bom posicionamento e segurança defensiva, permitindo que o camisa 8 tenha mais liberdade criativa. No entanto, a concorrência é forte, principalmente com Gavi, que é o jogador mais versátil do elenco. O espanhol pode atuar como volante, armador central ou até meia-ofensivo, e sua pré-temporada sólida lhe garante boas chances de iniciar a liga como titular, especialmente contra o Mallorca.
Mais adiante na hierarquia, mas com armas importantes, estão Fermín e Dani Olmo, jogadores que agregam poder de finalização ao meio-campo. Fermín é conhecido por sua intensidade e presença constante na área, sempre rondando zonas de finalização e incentivando a pressão alta. Já Olmo se destaca pela técnica refinada, domínio orientado e capacidade de criar jogadas a partir de espaços reduzidos, sendo um meia criativo de classe elevada.
Casadó, que ganhou importância na temporada passada, perdeu espaço com o retorno de De Jong e Gavi, mas mantém atributos que podem ser valiosos, especialmente na marcação e no trabalho “sujo” que complementa o talento de Pedri. Bernal, por sua vez, ainda está em recuperação, mas nos poucos jogos que disputou na LaLiga demonstrou um talento nato para atuar sozinho no centro do campo, com excelente visão de jogo e toque de bola.
Além deles, as categorias de base continuam a fornecer opções promissoras. Guille Fernández, um raro “box-to-box” no modelo tradicional do Barcelona, já participou de duas pré-temporadas com o Barcelona. E Dro, revelação de apenas 17 anos, conquistou olhares com sua leveza e inteligência em campo durante a turnê asiática. O clube pretende proteger seu desenvolvimento, mas não descarta dar minutos ao garoto ao longo da temporada.
Setor mais valioso do elenco e um dos mais caros do mundo
A força do meio-campo do Barcelona não é apenas técnica, mas também financeira. Com quase 400 milhões de euros em valor de mercado, o setor está entre os mais caros do futebol mundial. Isso se deve não apenas aos valores individuais elevados, mas também à combinação de juventude e potencial de valorização. Pedri, Gavi, Olmo e Fermín estão em idade de evolução, e cada temporada sólida pode elevar ainda mais suas cifras.
O próprio Flick reconhece que poderá enfrentar dificuldades para encontrar equilíbrio em outros setores, mas no meio-campo a competitividade é máxima. O treinador sabe que precisará gerir o elenco com inteligência para evitar frustrações e manter todos motivados, especialmente com um calendário que inclui LaLiga, Champions League e Copa do Rei.
A temporada também será uma prova para avaliar a resistência física de alguns jogadores, especialmente Pedri, que nos últimos anos sofreu com lesões musculares. O corpo técnico já estuda um planejamento específico para evitar sobrecargas e garantir que o camisa 8 chegue inteiro às fases decisivas.
Por outro lado, Flick pode enxergar na rotação uma arma poderosa. Com tantas opções de qualidade, é possível mudar a forma de jogar sem perder intensidade ou criatividade, adaptando a equipe conforme o adversário e o momento da competição.
Expectativas e projeção para a temporada do Barcelona
O grande desafio de Flick será encontrar a fórmula ideal para que o talento se traduza em resultados. O técnico alemão gosta de times intensos e com mobilidade, características que combinam com boa parte das opções que tem em mãos. No entanto, será inevitável deixar jogadores de qualidade no banco, o que exigirá um trabalho extra na gestão de grupo.
O Barcelona inicia a temporada com a esperança de reconquistar protagonismo na Europa, e o meio-campo pode ser o diferencial nesse objetivo. Com Pedri como maestro e um leque de alternativas para acompanhá-lo, o setor pode oferecer ao Barcelona tanto solidez defensiva quanto criatividade ofensiva.
A presença de jovens promessas também sinaliza que o clube mantém seu DNA de apostar na base. Jogadores como Dro e Guille Fernández podem ganhar minutos em partidas menos decisivas, acumulando experiência e preparando-se para assumir papéis maiores nos próximos anos.
Se conseguir manter todos em bom nível físico e motivacional, Flick terá no meio-campo uma das principais armas do Barcelona para brigar por títulos. No entanto, a abundância de talento também traz um desafio: escolher bem sem deixar que a competição interna gere insatisfação. Uma disputa que, ao que tudo indica, vai seguir intensa durante toda a temporada.