Rory MacDonald voltou aos holofotes com uma declaração que fez muito fã de MMA parar o que estava fazendo: “Sim, provavelmente”, disse MacDonald sobre uma possível luta da trilogia de Lawler no podcast Overdogs.
“Sem querer desrespeitar o Robbie, mas se eles oferecessem, eu ficaria superinteressado”, continuou MacDonald. “Só por causa da nostalgia, e ele me venceu duas vezes.”, seguiu.
“Eu amo o Robbie. Eu o respeito. Ele é incrível.”, elogiou Rory MacDonald. “Então, se possível, eu conversaria com ele pessoalmente sobre isso antes”, disse MacDonald, se ele fosse fazer uma revanche contra Lawler.
É impossível ouvir essa frase e não ser transportado imediatamente para o UFC 189. Ali, diante de um Lawler feroz, Rory viveu e proporcionou uma das maiores guerras da história do MMA. O combate, vencido por Lawler no quinto round, não foi apenas uma batalha sangrenta. Foi uma demonstração crua e honesta da essência do esporte: entrega absoluta, técnica sob pressão, sofrimento físico elevado à máxima potência, mas também respeito.
A imagem dos dois lutadores se encarando ao fim do quarto round, com os rostos desfigurados, é uma das mais icônicas da história do UFC. Não à toa, essa luta entrou para o Hall da Fama e até hoje é considerada por muitos a melhor luta já realizada no octógono.
Antes disso, no UFC 167, os dois já haviam se enfrentado pela primeira vez. Na ocasião, Lawler venceu por decisão dividida, numa luta mais contida, mas que já demonstrava o equilíbrio entre os dois. Foi o prenúncio do que viria dois anos depois: uma rivalidade marcada por guerra, não por palavras.
Os estilos casavam perfeitamente. Lawler com sua agressividade calculada e poder bruto, MacDonald com seu estilo cerebral, preciso, frio, mas igualmente implacável quando pressionado.
Uma guerra que moldou Rory MacDonald e Robbie Lawler

O segundo duelo não moldou apenas rankings. Moldou histórias pessoais. Lawler, consagrado como campeão dos meio-médios, teve naquele momento a confirmação de que sua segunda passagem pelo UFC era muito mais do que um retorno: era um renascimento. Já MacDonald saiu da arena derrotado, mas também engrandecido. Ele mesmo já declarou que aquela luta lhe ensinou mais do que qualquer vitória.
A luta, no entanto, deixou marcas físicas e emocionais. Rory fraturou o nariz e o pé durante o confronto. Sua carreira no UFC não voltou a alcançar o mesmo nível, apesar de boas apresentações posteriores. Ele migrou para o Bellator, onde foi campeão, e depois para o PFL, onde chegou à final. Em 2022, Rory decidiu se aposentar.
Já Lawler também enfrentou uma trajetória de altos e baixos, com vitórias históricas e derrotas duras, até se despedir do MMA em 2023, após uma vitória por nocaute e uma ovação dos fãs. Ambos saíram de cena de cabeça erguida, mas parece que uma ponta solta permanece.
Por isso, a recente declaração de Rory MacDonald não soa como uma provocação, tampouco como um desejo de revanche mal resolvido. É um tributo. Um chamado. Um desejo legítimo de encerrar um ciclo com dignidade e emoção. Caso aconteça, será um evento carregado de história, de peso emocional, e de significado para todos que acompanham o esporte há mais de uma década.
Uma trilogia que o MMA merece
Num tempo em que rivalidades muitas vezes são fabricadas em coletivas de imprensa e alimentadas por trash talk artificial, a conexão entre Rory MacDonald e Robbie Lawler é a antítese disso tudo. É real. É forjada na dor, no respeito e na entrega mútua. O que os dois já fizeram transcende números, cinturões e rankings. Ambos criaram um momento eterno.
Se essa trilogia se concretizar, será um presente para os fãs. Seria, sem dúvida, uma despedida à altura de dois guerreiros que marcaram época. E se não acontecer, ao menos a memória da guerra entre eles permanecerá como uma das páginas mais emocionantes da história do UFC, a lembrança de um tempo em que dois homens entraram no octógono dispostos a dar tudo, e saíram dele transformados para sempre.
(Imagem de capa: Getty)