Era hora de observar de perto. A segunda partida da era Xabi Alonso no comando do Real Madrid pela La Liga se tornou o cenário ideal para compreender seus planos, já que ele já havia deixado claro que a Copa do Mundo de Clubes não faz parte de suas prioridades após a eliminação diante do PSG nas semifinais. Era o momento perfeito para entender suas intenções. Alonso poderia repetir a equipe que venceu o Osasuna na estreia e consolidar a base de seu time, ou reforçar sua ideia de grupo unido com a máxima: “Conto com todos”. E optou pela segunda alternativa.
Na vitória por 3 a 0 sobre o Oviedo, no último fim de semana, o treinador do Real Madrid mostrou coerência tanto na defesa quanto no ataque ao realizar quatro alterações. Dani Carvajal e Rüdiger entraram no setor defensivo, ocupando os lugares de Alexander-Arnold e Éder Militão. Já nas pontas, Rodrygo assumiu o espaço de Vinicius Júnior e Franco Mastantuono ganhou a vaga de Brahim Díaz. Foi uma verdadeira declaração de princípios por parte do técnico tolosarra. “As substituições vão depender de cada circunstância. Escolheremos o que for melhor para a equipe em cada situação”, declarou na sala de imprensa do Tartiere.
A mensagem de Alonso no Real Madrid é clara: não há espaço para acomodação. Jogadores titulares precisam estar atentos, porque o status de intocável custará caro. E os reservas, por sua vez, não devem desistir após perder minutos ou relaxar por não começarem entre os onze. As mudanças, feitas logo depois de uma vitória convincente, aumentam ainda mais a expectativa para o próximo confronto contra o Mallorca, onde não há garantias sobre a escalação inicial. Nessa dinâmica, os pilares têm sido Thibaut Courtois, Dean Huijsen, o meio-campo formado por Tchouaméni, Valverde e Güler, além do protagonismo de Kylian Mbappé.
Mas Alonso também sabe usar o banco do Real Madrid como recado. O exemplo mais evidente foi Vinicius Júnior. Contra o Osasuna, o atacante demonstrou timidez e parecia atuar mais para si do que para a equipe. Diante da escolha entre manter a confiança cega ou enviar um alerta rápido, Alonso não hesitou: preferiu a segunda opção. Esse gesto rompeu, ao menos momentaneamente, o rótulo de intocável que o camisa 7 vinha carregando nas últimas temporadas, salvo em casos de suspensão ou lesão.
Quem herdou a vaga no último fim de semana, foi o atacante Rodrygo. Depois de não ter jogado contra o Osasuna e de ter tido apenas 93 minutos nos seis jogos do Mundial de Clubes, o atacante entrou contra o Oviedo como titular na sua posição favorita: a ponta esquerda. A partida chega em um momento chave, com a janela de transferências ainda aberta, e reforça a confiança do treinador, que afirmou: “É mais um jogador do elenco”.
Agora cabe ao paulista decidir: se vai lutar pela titularidade, mesmo competindo diretamente com Vinicius, ou se buscará novos ares onde encontrará mais espaço e tranquilidade em uma temporada que terminará em Copa do Mundo. Até o momento, Alonso mostra que confia nele não apenas com palavras, mas também em ações concretas. No ataque, Mbappé é o epicentro da equipe. Com 177 minutos de 180 possíveis, o francês soma três gols e uma presença em campo que vai além dos números: sua postura e linguagem corporal transmitem um impacto que contrasta com a temporada passada. Com Endrick lesionado, todos os demais atacantes já ganharam espaço, até mesmo Gonzalo, que jogou apenas meia hora.
Entre os que ainda não estrearam em La Liga 2025/26, excluindo os lesionados (Mendy, Camavinga, Bellingham e Vinicius), restam apenas quatro nomes: Lunin, Alaba, Asensio e Fran García. Dani Ceballos, por sua vez, jogou apenas cinco minutos — o suficiente para que sua saída em Oviedo tivesse tons de despedida. Bastaram duas rodadas para que uma ideia ficasse cristalina: Alonso quer competitividade em cada posição do elenco. O nome, o histórico ou o preço pago por uma contratação de peso, como Trent Alexander-Arnold, não serão suficientes. O critério é simples: “Faremos o que for melhor para a equipe em todos os momentos”. Uma frase que mantém todos os jogadores em alerta.

Xabi Alonso aposta no coletivo para redefinir o Real Madrid
O início da trajetória de Xabi Alonso no Real Madrid revela uma mudança de filosofia: a força coletiva prevalece sobre o brilho individual. O treinador busca construir um ambiente competitivo, no qual cada jogador entenda que sua importância está diretamente ligada ao funcionamento do grupo. Um dos primeiros passos foi eliminar a ideia de “intocáveis”. A mensagem interna foi clara: só rendimento e adaptação ao modelo de jogo garantirão espaço. “No Real Madrid, ninguém tem lugar assegurado”, teria reforçado o técnico, passando a responsabilidade de manter o nível a cada atleta.
Nomes de peso como Vinicius Júnior, Rodrygo e até Mbappé já sentiram essa abordagem. Alonso não se apoia em estatísticas ou atuações isoladas, mas na capacidade de cada jogador contribuir dentro da engrenagem coletiva. Foi assim ao lidar com a queda de rendimento de Vinicius, pedindo paciência e analisando o desempenho de maneira mais ampla.
Ao mesmo tempo, jovens como Franco Mastantuono vêm recebendo minutos importantes, em um processo de renovação gradual e contínuo. Alonso acredita que a combinação entre a experiência de jogadores consagrados e a ousadia dos mais novos é essencial para sustentar um time competitivo durante toda a temporada.
Sua visão, moldada pelo aprendizado no futebol espanhol e lapidada na Bundesliga, aposta em intensidade, disciplina tática e solidariedade defensiva, sem abrir mão da criatividade ofensiva. O objetivo é tornar o Real Madrid um time imprevisível, capaz de se adaptar e se reinventar em função de cada adversário. Com esse modelo, Alonso deseja firmar os merengues menos dependentes de estrelas individuais e mais coletivo, onde cada vitória seja resultado da soma de esforços. Uma equipe na qual o protagonismo é partilhado e a marca do sucesso pertence ao grupo como um todo.

Xabi Alonso e o desafio de devolver a La Liga ao Real Madrid
O Real Madrid inicia a temporada com uma missão clara: recuperar a La Liga e encerrar a sequência de domínio do Barcelona, campeão na última edição. A chegada de Xabi Alonso ao comando técnico trouxe uma nova mentalidade ao clube merengue, baseada na coletividade e na competitividade interna, princípios que podem ser decisivos para transformar o time em candidato real ao título.
Desde as primeiras partidas, Alonso deixou evidente que não pretende viver à sombra de nomes intocáveis. O treinador espanhol, marcado pela disciplina tática e pela experiência adquirida na Bundesliga, busca quebrar a lógica de dependência de estrelas isoladas, apostando em um elenco dinâmico e preparado para se adaptar a diferentes cenários. Essa filosofia contrasta diretamente com o modelo de jogo do Barcelona, mais enraizado na posse de bola e no brilho individual de suas referências.
O fortalecimento do meio-campo do Real Madrid é um dos pilares da proposta de Alonso. Jogadores como Tchouaméni, Valverde e Arda Güler formam a espinha dorsal de um setor que combina intensidade, criatividade e equilíbrio defensivo. Essa base sólida não só protege a defesa, como também potencializa o rendimento do ataque, liderado por Kylian Mbappé, que chegou para assumir protagonismo imediato.
Outro ponto-chave é a gestão de talentos ofensivos como Vinicius Júnior e Rodrygo. Alonso tem mostrado que o rendimento coletivo está acima de qualquer status, promovendo uma rotação que mantém o elenco em alerta. A mensagem é clara: ninguém tem lugar garantido. Essa competitividade interna pode ser justamente o diferencial que faltou em temporadas anteriores, quando a equipe sofreu com oscilações de rendimento.
Além disso, Alonso aposta na juventude como motor de renovação. Jogadores promissores, como Franco Mastantuono e Endrick (quando recuperar-se da lesão), representam o futuro imediato do clube e ajudam a manter a energia competitiva ao lado de veteranos experientes.
Para superar o Barcelona, Alonso precisa consolidar um Real Madrid mais pragmático, capaz de controlar jogos difíceis fora de casa e de impor intensidade contra rivais diretos. Se conseguir equilibrar solidez defensiva com a explosividade do ataque, o Real terá armas suficientes para rivalizar em igualdade com o time catalão.
O grande trunfo do treinador está em transformar a pluralidade de talentos em uma engrenagem coletiva eficiente. Caso consiga impor sua filosofia e manter o elenco em sintonia, Xabi Alonso pode não apenas reconquistar a La Liga, mas também inaugurar um novo ciclo de hegemonia merengue no futebol espanhol.
(Foto: AFP/Getty Images)