Antes da chegada de Xabi Alonso ao Santiago Bernabéu, seu antecessor, Carlo Ancelotti, costumava afirmar que priorizava o trabalho defensivo, já que o ataque, com a qualidade habitual dos jogadores do Real Madrid, não necessitava de tanta ênfase. Alonso, entretanto, não chega a radicalizar dessa forma, mas deixou claro, após a vitória por 3 a 0 contra o Oviedo no último fim de semana pela La Liga, que pretende erguer esta nova versão do clube merengue a partir da defesa. O setor ofensivo ainda mostra evolução gradual, mas avança.
Sob o comando do atual técnico XabI Alonso, o Real Madrid é o segundo time com maior posse de bola do campeonato (67%, apenas atrás do arquirirval Barcelona com 76%), somando 42 finalizações, sendo 14 delas no alvo, e quatro gols marcados, média de dois por partida. Contra o Osasuna a equipe foi mais contida, mas no Estádio Tartiere registrou dez finalizações certas, paradas apenas pelas defesas de Escandell, que evitaram um placar ainda mais elástico diante do Oviedo.
Se no ataque o progresso é moderado, na defesa o impacto é imediato: em duas rodadas, nenhum gol sofrido e um controle da pressão e da reatividade que há tempos não se via no Bernabéu. Apenas Villarreal e Real Madrid seguem sem ser vazados, mas os números destacam ainda mais o trabalho defensivo merengue: foi o time de Xabi Alonso que menos permitiu finalizações (oito no total, contra dez do Villarreal e 12 do Barcelona), além de apenas três chutes no alvo sofridos, superando até os índices defensivos de rivais diretos.
O diferencial está justamente na pressão sem a bola, algo que não foi possível consolidar na era Ancelotti. O italiano admitia que não via sua equipe preparada para pressionar durante os 90 minutos, preferindo recuar em bloco baixo. Xabi Alonso, por outro lado, busca mudar essa identidade, e os dados reforçam: o Real Madrid lidera em recuperações no campo adversário (84), bem à frente do Barcelona (61). Tchouameni é peça central nesse sistema, funcionando como elo entre defesa e meio-campo e referência da pressão alta.
Do gol, Courtois observa com clareza os efeitos desse novo estilo. O goleiro belga precisou intervir apenas três vezes nas duas primeiras rodadas, beneficiado pela forma como a pressão coletiva neutraliza os ataques rivais. Como já declarou Xabi Alonso em relação a Mbappé, neste Real Madrid não há espaço para quem se acomoda ao recuar: a exigência é de participação total.

Xabi Alonso aposta em identidade coletiva para consolidar estilo no Real Madrid
O início da temporada tem evidenciado qual será a marca do trabalho de Xabi Alonso: um Real Madrid coeso, intenso e guiado pelo coletivo acima das individualidades. Em duas rodadas da La Liga, a equipe soma vitórias seguras, sem gols sofridos, transmitindo confiança e absorvendo rapidamente os conceitos do novo treinador.
A filosofia se constrói a partir da defesa: pressão alta, recuperação imediata da bola e transformação de cada perda em oportunidade ofensiva. Os números validam o modelo: o Real é uma das duas únicas equipes ainda sem sofrer gols e lidera o campeonato em roubadas no campo rival. Para Xabi Alonso, isso só é possível com engajamento total, inclusive de craques como Mbappé, que têm se mostrado mais participativos na recomposição.
Outro ponto-chave é a compactação entre setores. Com linhas curtas, Alonso reduz os espaços para o adversário e facilita transições rápidas. Courtois, pouco exigido nesse arranque, destacou que a nova forma de pressionar força os rivais a lançamentos longos, facilmente controlados pela defesa e por ele próprio.
Para Xabi Alonso, a consolidação do estilo depende de disciplina tática e repetição ao longo da temporada. Ele acredita que a regularidade defensiva será determinante para a competitividade do Real tanto em La Liga quanto na Champions. O objetivo vai além das vitórias imediatas: Alonso quer erguer uma identidade duradoura, a chamada “Muralha Branca”, que sirva de alicerce para conquistas consistentes.

Xabi Alonso mira hegemonia e glória europeia no comando do Real Madrid
O projeto de Alonso vai além de solidificar a defesa. No clube mais vitorioso da Europa, o técnico traça metas ambiciosas para a temporada 2025/26: reconquistar a hegemonia nacional e devolver aos merengues o protagonismo na Champions League, competição que molda a identidade internacional do Real Madrid.
Com Barcelona e Atlético de Madrid dividindo o protagonismo nos últimos anos, Xabi Alonso vê no Real Madrid a chance de retomar o domínio da La Liga. A base está na segurança defensiva, mas o treinador também aposta na força ofensiva de Mbappé, Vinícius Júnior e Bellingham para transformar o controle de jogo em gols e triunfos.
Na Champions, o desafio é ainda maior: desde 2022 o clube não levanta a taça, e a pressão interna é intensa para que a “mística europeia” volte a se traduzir em títulos. Alonso, campeão da competição como jogador em 2014, pretende imprimir intensidade e disciplina para transformar sua equipe em protagonista frente às maiores potências do continente.
Além de mirar os dois grandes objetivos, Alonso valoriza a integração de jovens talentos, promovendo jogadores da base ao elenco principal, e busca manter competitividade em todas as frentes, incluindo a Copa do Rei e o novo Mundial de Clubes ampliado da FIFA. Com discurso firme e ideias claras, Xabi entende que no Real Madrid não basta vencer: é preciso conquistar títulos e deixar legado. Sua missão na temporada 2025/26 é transformar a “Muralha Branca” em sinônimo de sucesso e devolver o clube ao topo do futebol mundial.
(Foto: Getty Images)