João Fonseca terminou a sua participação em Grand Slams na temporada. Apesar da derrota por 3 a 0 para Tomas Machac, o saldo do brasileiro é positivo nesse primeiro ano. Foi sua primeira temporada completa no tênis profissional e o carioca já está próximo do top 40.
Além disso, sua idade é sempre algo importante de notar. Poucos tenistas adolescentes avançam tão longe em majors. E, segundo dados da própria ATP, Fonseca se tornou o sétimo mais jovem a chegar ao menos da segunda rodada de todos os Grand Slams. Na lista, apenas Andrei Medvedev não foi campeão de um:
- Goran Ivanisevic — 17 anos e 11 meses: um título;
- Boris Becker — 18 anos: seis títulos;
- Bjorn Borg — 18 anos e 2 meses: 11 títulos;
- Carlos Alcaraz — 18 anos e 3 meses: cinco títulos (e contando);
- Stefan Edberg — 18 anos e 10 meses: seis títulos;
- Andrei Medvedev — 18 anos e 11 meses: nenhum título;
- João Fonseca — 19 anos: primeira temporada;
- Rafael Nadal — 19 anos e 2 meses: 21 títulos.

João Fonseca teve bons resultados
Há uma grande mídia em cima de João Fonseca e isso faz com que pessoas que não acompanham tênis sempre, procurem mais sobre o esporte. O que não é ruim, mas é importante lembrar para esse público que, com 19 anos, o que o brasileiro faz no circuito, não é ‘normal’.
Apenas alguns grandes nomes tiveram resultados tão bons em seu primeiro ano no profissional. Além disso, o teto do carioca é alto e a expectativa para seu futuro sucesso é grande, e justificável. Uma derrota, para um tenista melhor ranqueado em um Grand Slam, não significa que João é ruim.
Fonseca, aliás, fez uma ótima partida, mas parou na superioridade do adversário. Machac devolvia todas as bolas e não deu espaços para que o jovem de 19 anos fizesse algo a mais. A inexperiência faz parte e é algo que só será resolvido com o tempo.
Vamos recordar que João estava na segunda rodada do US Open, após boa vitória na estreia. Ainda, venceu em todas as estreias de Slams, e todas foram por 3 a 0, incluindo uma vitória contra Andrey Rublev no Australian Open, que, na época, era top 10. Nesses jogos, Fonseca enfrentou cinco tie breaks e venceu todos.
Acabou parando na segunda partida na Austrália e nos Estados Unidos. Mas, em Wimbledon e Roland Garros, chegou até a terceira rodada. Ao todo, termina sua participação em majors com seis vitórias e quatro derrotas. Com um grande talento, o carioca chamou a atenção de todos no circuito.

Grande talento e com seu estilo
Um dos pontos positivos de João Fonseca no US Open é que o tenista voltou ao seu estilo agressivo. Nos torneios anteriores, o brasileiro aparentava estar sem confiança. Seu estilo e a sua forma de pensar o tênis é com agressividade, e mudar isso pode não ser bom para o atleta.
Isso não quer dizer para não fazer ajustes. Pequenas mudanças aqui e ali, em posicionamentos ou onde e quando atacar, são necessárias. No entanto, a idade precisa, mais uma vez, ser lembrada. Com 19 anos, fazer mudanças mais drásticas podem ser mais maléficas do que benéficas.
No momento, Fonseca já lida com uma grande pressão, o que também não precisa ser algo negativo. Mas acrescentar a pressão de mudar ao tenista não é preciso. Seu jogo agressivo é a sua marca e onde está seu talento. O necessário para o futuro é apenas lapidar o atleta.
Foto: Mike Frey-Imagn Images