A contratação do zagueiro colombiano Carlos Cuesta representa um passo importante na tentativa do Vasco de resolver um de seus problemas defensivos. Aos 26 anos, Cuesta chega ao clube vindo do Galatasaray, da Turquia, com o respaldo de quem já atuou em bom nível na Europa e é nome frequente nas convocações da seleção colombiana.
A contratação do zagueiro colombiano mostra a ambição da diretoria em montar um sistema defensivo mais moderno, técnico e confiável, ao lado do também recém-contratado Robert Renan no miolo da defesa.
Revelado pelo Atlético Nacional, Cuesta chamou atenção ainda jovem ao conquistar a Copa Libertadores de 2016 e, logo depois, a Recopa Sul-Americana. Sua maturidade em campo desde cedo o levou ao futebol europeu, onde defendeu o Genk, da Bélgica, com destaque.
No clube belga, atuou por quatro temporadas, acumulando mais de 130 partidas e conquistando a Copa da Bélgica, além de participar de competições como a Liga Europa e a Liga dos Campeões.
Em 2024, foi negociado com o Galatasaray por cerca de 8 milhões de euros. Embora tenha feito poucos jogos pelo clube turco, principalmente por conta de lesões e concorrência interna, Cuesta demonstrou potencial e gerou interesse do Vasco, que conseguiu concretizar sua chegada no segundo semestre de 2025.
Estilo moderno e técnico: Cuesta encaixa no futebol propositivo de Diniz
Carlos Cuesta é um zagueiro que se encaixa perfeitamente no perfil buscado pelo técnico Fernando Diniz: rápido, técnico, com bom passe e leitura de jogo. Diferente de defensores mais tradicionais, que se destacam exclusivamente pela imposição física, o colombiano se sobressai pela mobilidade, capacidade de antecipação e qualidade na saída de bola. Tem facilidade para conduzir o jogo desde a defesa, algo essencial no sistema de Diniz, que exige participação ativa dos zagueiros na construção ofensiva.
Mesmo com 1,79m, Cuesta compensa a estatura mediana com tempo de bola e posicionamento. Sua velocidade permite cobrir espaços nas costas da defesa e realizar desarmes limpos com frequência. No Genk, foi um dos defensores com maior índice de acerto em passes e interceptações, algo que o fez ser apontado como um dos zagueiros mais promissores da liga belga.
O zagueiro também se destacou na seleção colombiana durante a Copa América de 2024, onde assumiu a titularidade após a lesão de Lucumí e teve boas atuações, apesar de um erro isolado na semifinal contra a Argentina.

O que ainda precisa ser observado é sua forma física. No Galatasaray, enfrentou dificuldades para emplacar uma sequência de jogos, algo que será crucial em sua adaptação ao futebol brasileiro. O calendário apertado e a intensidade da temporada exigem resistência e constância, e Cuesta terá que rapidamente ganhar ritmo de jogo e recuperar a confiança.
Dupla promissora e papel estratégico na reconstrução
A chegada de Carlos Cuesta ganha ainda mais importância quando analisada no contexto da formação de uma nova dupla de zaga. Ao lado de Robert Renan, cria-se uma combinação interessante: Renan, com maior estatura e imposição no jogo aéreo, pode complementar Cuesta, que traz mais velocidade e capacidade de construção. A tendência é que ambos se consolidem como titulares, formando uma zaga jovem, técnica e com enorme potencial de crescimento.
Para o Vasco, que sofreu com inúmeras trocas na zaga nas últimas temporadas e jamais encontrou uma formação confiável, Cuesta pode ser a peça-chave para consolidar um setor defensivo mais equilibrado. Sua liderança silenciosa, experiência em competições internacionais e perfil de jogo moderno podem influenciar diretamente no rendimento coletivo da equipe.
Além disso, a contratação de Cuesta soma a outras investidas ousadas do clube em 2025, como as chegadas de Thiago Mendes, Matheus França e Andrés Gómez, mostrando que o projeto vascaíno é realmente evoluir e passar por uma reformulação profunda.
Se conseguir se adaptar rapidamente ao futebol brasileiro e retomar o nível que apresentou no Genk, Cuesta tem tudo para ser o melhor zagueiro do elenco cruzmaltino e uma referência técnica da equipe. Sua chegada representa mais que um reforço pontual: é um movimento estratégico de um clube que entende que, para voltar a ser competitivo, precisa resolver seus problemas defensivos com urgência e apostar em jogadores com capacidade de entregar desempenho imediato.
(Imagem de capa: Reprodução Colômbia)