O campeão mundial de 1997, Jacques Villeneuve, fez uma avaliação extremamente dura do estreante da Mercedes, Kimi Antonelli, após um desafiador Grande Prêmio da Holanda.
O fim de semana de corrida de Antonelli terminou de forma decepcionante, pois ele causou uma colisão com Charles Leclerc, da Ferrari, resultando em uma penalidade de 10 segundos, que se tornou 15 após mais cinco segundos por excesso de velocidade no pit lane.
O jovem italiano voltou das férias de verão com algo a provar, tendo sua temporada de estreia na Mercedes cheia de altos e baixos. A colisão com Leclerc por dentro na Curva 3 em Zandvoort não ajudou em nada. Disputando o quinto lugar na corrida, Antonelli lançou um ataque fora de propósito na Curva 3, jogando Leclerc contra o muro.

O incidente eliminou Leclerc da corrida, e Villeneuve – que estava como comentarista da Sky F1 em Zandvoort – não teve piedade de Antonelli. “Muito ruim. Uma jogada que você pode ver na Fórmula 4, Fórmula 3, de um piloto sem experiência e que simplesmente não calculou como deveria”, avaliou Villeneuve.
“Quando você está na F1, você comete erros. Você ultrapassa o seu limite. Mas não foi isso. Foi apenas mal calculado. Ele não deveria ter feito isso.”, seguiu. “E então ele ficou todo irritado, e cometeu o limite de velocidade também.”, lamentou o ex-campeão.
Villeneuve então lançou um comentário sem rodeios para Antonelli: “Talvez a F1 seja demais para ele.” Pressionado sobre se era justo dizer isso, já que foi apontado que Antonelli tinha acabado de completar 19 anos, Villeneuve respondeu: “Ele está na Fórmula 1.”.
“Qual era a idade do Max quando chegou à F1? Qual era a idade do Lewis quando chegou? Exatamente. Então essa não é uma boa desculpa.”, comentou o canadense.
Ele acrescentou: “Vejam como ele estava atrás antes da curva. Ele estava a dois carros de distância. Em que planeta ele achou que isso ia dar certo?”.
“Todo mundo sabe que quando você desce para o lado de dentro assim, a pista não funciona. Então você realmente precisa estar ao lado do outro piloto. Como o Max. Ele estava bem na frente [do Norris], por fora, e mal conseguiu manter a posição.”, explicou. “Então foi um cálculo muito ruim da parte dele [de Antonelli] e ele deveria ser melhor do que isso na F1.”, acrescentou Villeneuve.
Naomi Schiff, colega de Villeneuve na Sky F1, juntou-se ao time que defendia Antonelli. “Acho que, em defesa dele, um pouco sobre a questão da idade, acho que se olharmos para o Max, quando ele tinha 16, 17, 18 anos, quando chegou à F1, quantos erros graves ele cometeu.”, explicou Schiff. “Quer dizer, ele sempre forçava as coisas um pouco além dos limites.”, seguiu.
“E o lado bom é que ele [Antonelli] está forçando as coisas além dos limites. Eles não precisam levá-lo até lá, então agora precisam apenas controlá-lo, porque ele tem o que é preciso. Ele só precisa não calcular errado tantas coisas.”, completou o comentarista.
A isso, Villeneuve respondeu: “Espere aí. Vou acrescentar algo. Max estava dirigindo acima do limite, mas não estava quatro décimos atrás. Ele estava no ritmo.”.
Villeneuve foi duro, mas ele tem razão: Kimi Antonelli é muito cru para a F1
A crítica feita por Jacques Villeneuve ao jovem Kimi Antonelli pode soar dura à primeira vista, mas é difícil discordar de sua análise após o desastroso desempenho do estreante no Grande Prêmio da Holanda.
Ao atacar de forma precipitada e sem necessidade, Antonelli não só tirou um adversário da corrida, como expôs uma faceta preocupante: a falta de julgamento em momentos críticos. Pior ainda foi a sequência de erros, como o excesso de velocidade no pit lane, que mostrou um jovem claramente abalado emocionalmente e fora de controle após a primeira falha. Isso não é incomum em pilotos inexperientes, mas é inadmissível no nível da Fórmula 1.
A comparação com fenômenos como Lewis Hamilton e Max Verstappen surge inevitavelmente, mas é aí que muitos se enganam. Esses dois pilotos não representam a regra, e sim exceções raríssimas. São talentos extraordinários, que, mesmo chegando muito jovens à F1, adquiriram mais rápido um nível de maturidade, controle emocional e velocidade acima da média. Hamilton estreou na McLaren em 2007 e, desde sua primeira corrida, demonstrou precisão e inteligência de corrida. Verstappen, com apenas 17 anos, foi um dos poucos a fazer a transição precoce parecer natural, sem comprometer a segurança nem os resultados.

Kimi Antonelli, por sua vez, ainda não mostrou ser esse tipo de talento fora da curva. Ele pode ter um futuro promissor, mas é precipitado colocá-lo na Fórmula 1 antes de estar psicologicamente e tecnicamente preparado. A pressão, o nível de competição e a complexidade estratégica da F1 cobram mais do que velocidade pura, exigem cabeça fria, leitura de corrida e, acima de tudo, responsabilidade.
Neste momento parece que a F1 é muito para o jovem piloto da Mercedes. O tempo dirá se Antonelli conseguirá amadurecer e evoluir para merecer seu lugar entre os melhores do mundo. Por enquanto, o melhor seria admitir que ainda há um caminho de desenvolvimento a ser trilhado.
(Imagem de capa: Divulgação F1)