O meia-atacante Franco Mastantuono viveu, na última quinta-feira (4), a realização de um grande sonho. Aos 18 anos, o jovem do Real Madrid foi escalado como titular da Argentina na vitória por 3 a 0 sobre a Venezuela, válida pela penúltima rodada das Eliminatórias Sul-Americanas da Copa do Mundo de 2026. Ao lado de seu ídolo Lionel Messi e de Julián Álvarez, do Atlético de Madrid, o jovem atleta dividiu o protagonismo no Monumental de Núñez. Apesar do triunfo convincente, a joia argentina acabou recebendo uma bronca do capitão em razão de uma jogada específica, episódio explicado pelo próprio jogador na zona mista do campo.
Mesmo com o episódio, não restam dúvidas de que Mastantuono tem tudo para se tornar um dos futuros líderes da Albiceleste quando Messi não estiver mais em campo. Atuando na ponta direita, brilhou em meio à pouca idade e conquistou a torcida portenha presente em Buenos Aires. Depois da partida, contou que o camisa 10 “queria matá-lo” por ter arriscado o chute ao gol em vez de tocar a bola para o craque. A repreensão foi imediata, mas também compreensiva: “Ele queria me matar, mas entendeu. Pedi desculpas pela jogada e ele me perdoou logo em seguida”, revelou o jovem.
O estádio do River Plate, onde iniciou sua trajetória, foi palco de aplausos constantes cada vez que o atacante tocava na bola. Ao lado de Messi, demonstrou calma e personalidade, criando tabelas e arriscando passes longos. Ainda ousou finalizar em algumas oportunidades, lembrando em certos momentos o melhor de Ángel Di María. Nada, nem mesmo a cobrança do capitão, conseguiu apagar o brilho de atuar ao lado de seu maior ídolo.
Na zona mista, Mastantuono destacou a emoção da noite especial, citando inclusive a tatuagem que carrega em homenagem ao oito vezes melhor do mundo. “Foi incrível jogar com ele. Um verdadeiro sonho da minha vida. Atuar no campo do River Plate também foi emocionante. Sempre disse que ele é meu ídolo desde criança. Acompanhei sua carreira inteira e estar ao lado dele foi algo único”, declarou.
O duelo contra a Venezuela também marcou a despedida de Messi dos gramados argentinos com a camisa da seleção. Antes mesmo da bola rolar, o craque não escondeu a emoção e foi visto com os olhos marejados durante o hino nacional. Após o apito final, deixou no ar a possibilidade de não disputar a próxima Copa. Durante o jogo, o camisa 10 se doou intensamente, ajudando na marcação, pressionando e até correndo mais de 60 metros para recuperar uma bola perdida.
Por fim, Mastantuono não permaneceu até o fim da partida contra a Venezuela, sendo substituído por Nico González, mas deixou o campo com a sensação de dever cumprido. A Argentina encerra as Eliminatórias diante do Equador, em jogo que vale apenas para cumprir tabela, já que ambas as seleções estão classificadas para a Copa do Mundo de 2026, que será realizada no Canadá, nos Estados Unidos e no México. Com Messi fora da lista de relacionados do técnico Lionel Scaloni, cresce a chance de o garoto do Real Madrid voltar a figurar entre os titulares.

Mastantuono busca espaço como protagonista da nova geração argentina
A seleção argentina atravessa um processo de renovação. Messi ainda é referência técnica e emocional, mas novos talentos começam a ganhar espaço sob o comando de Lionel Scaloni. Entre eles, Franco Mastantuono desponta como um dos nomes mais promissores e já dá sinais de que pode assumir responsabilidades maiores em breve. Jogando aberto pela direita, mas com liberdade de movimentação, o meia-atacante mostrou repertório ofensivo diversificado: dribles curtos, visão apurada de jogo e presença constante na área. Sua entrega sem a bola, pressionando e recompondo a marcação, também agradou à comissão técnica.
A conexão com Messi chama atenção. Além das jogadas combinadas, o garoto tem recebido conselhos diretos do craque, evidenciando uma relação de apoio entre gerações. Para os dirigentes e comissão, essa química pode ser determinante na adaptação de Mastantuono e na transição de protagonismo que a seleção vive. Internamente, Scaloni trata o jovem com cautela, mas acredita que ele já reúne condições de assumir um papel importante em partidas decisivas. A experiência adquirida no Real Madrid é vista como crucial para sua maturidade e consolidação na equipe.
Com a Copa do Mundo de 2026 no horizonte, Mastantuono busca se firmar não apenas como promessa, mas como peça fundamental na renovação argentina. Ao lado de jovens como Garnacho e Buonanotte, projeta-se como parte do núcleo que sustentará a seleção após a despedida definitiva de Messi. O grande desafio agora é transformar lampejos de talento em consistência. Para se consolidar entre os titulares, o meia-atacante precisa somar atuações sólidas, assumir mais responsabilidades e mostrar que tem condições de carregar parte do peso que Messi suportou por quase duas décadas.
Torcida dividida sobre a estreia do jovem
Entre os torcedores, a recepção ao jovem atacante foi mista. Muitos exaltaram sua rápida adaptação e destacaram sua boa conexão com Messi, apontando-o como símbolo de esperança para o futuro da seleção. Entretanto, há quem enxergue exagero na repercussão. Alguns críticos afirmam que, apesar do entusiasmo, sua atuação não foi decisiva para o resultado e que os erros cometidos mostram que ainda há um longo caminho até a titularidade absoluta. Para esses, o reconhecimento da torcida estaria desproporcional ao impacto efetivo em campo.
Independentemente das opiniões, uma coisa é clara: Franco Mastantuono já entrou no radar como uma das figuras centrais do futuro da Argentina, carregando consigo tanto a expectativa quanto a pressão de suceder o maior jogador da história do país.
(Foto: Getty Images)