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Crise no Barcelona causa situação vergonhosa no futebol feminino

Não é de hoje que a crise financeira é um problema no Barcelona, e agora ele se tornou um empecilho em diferentes partes da equipe, seja no time masculino, feminino ou até mesmo nas categorias de base. No caso do time feminino do Barcelona, o problema se tornou algo vergonhoso para uma equipe que é considerada uma das melhores de todo o futebol feminino.

Há algumas temporadas, o time de Alexia Putellas e Aitana Bonmatí tem sido uma força dominante na liga espanhola feminina e na Champions League. Porém, para o início da nova temporada, o Barcelona contará com apenas 17 jogadoras em seu time principal, já que 17 atletas deixaram a equipe recentemente. Essa debandada aconteceu devido aos problemas financeiros do clube, que compartilha recursos entre o time masculino, feminuno e juvenil.

Aitana Bonmatí, do Barcelona, e Mariona Caldentey, do Arsenal, na final da Champions League (Foto: Getty Images)
Aitana Bonmatí, do Barcelona, e Mariona Caldentey, do Arsenal, na final da Champions League (Foto: Getty Images)

Problemas financeiros

Por conta dos problemas financeiros do Barcelona, houve atraso na inauguração do recém-renovado Camp Nou e a equipe masculina tem enfrentado dificuldades para registrar jogadores dentro das regras financeiras de La Liga, e isso é só o início do problema.

Na Espanha, vale destacar que todos os aspectos dos clubes estão ligados — masculino, feminino, juvenil e outros. Já no Barcelona, isso inclui não apenas a filosofia de jogo, a mentalidade, mas também as finanças.

Por conta disso, o time feminino está sofrendo por problemas que não são seus, e o problema gerado no time masculino acaba afetando a todos dentro do Barcelona. Mesmo assim, os efeitos são sentidos por todos.

“Ao contrário da Inglaterra ou dos EUA, aqui tudo vai para o mesmo bolso financeiro. Segundo as regras da liga espanhola, o Fair Play Financeiro [FFP] considera os gastos de todo o clube como um só”, como explicou Xavier Vilajoana, ex-diretor do Barcelona que ajudou a criar, desenvolver e administrar o time feminino durante sua passagem pelo clube, em entrevista.

Mesmo que a ideia seja simplificar e garantir estabilidade, a ligação entre o time masculino, feminino e outros no Barcelona não está dando certo. Os gastos com a equipe masculina fizeram com que o time feminino, a base e até mesmo a equipe de futsal cortassem custos, o que também resultou em cortes em instalações, equipe média e infraestrutura.

Time feminino do Barcelona (Foto: Barcelona)
Time feminino do Barcelona (Foto: Barcelona)

Time feminino sofre por nada

Vale destacar que o Barcelona foi a equipe que teve a maior receita entre todos os times femininos da Europa, segundo o relatório da ‘Deloitte Football Money League 2025’. O clube gerou quase 18 milhões na temporada passada, mais do que Arsenal (campeãs da Champions League), Chelsea e Real Madrid.

“Em vez de serem tratadas como partes valiosas do clube, o Barça Feminino e a La Masia têm sido frequentemente tratados como uma solução rápida para esses erros financeiros, o que não é como se constrói um futuro sustentável. A diretoria do Barcelona precisa de uma visão de longo prazo que trate todas as partes do clube com respeito”, afirmou Vilajoana.

“O orçamento deles foi cortado, e agora a seção feminina precisa de cerca de 1 milhão de euros apenas para evitar um déficit, e é por isso que já vimos saídas de pessoas importantes durante o verão.”

Jana Fernandez, Lucia Corrales, Fridolina Rolfo e Ingrid Engen deixaram o time recentemente, enquanto Lucy Broze e Keira Walsh foram para o Chelsea nos últimos 12 meses. Já Mariona Caldentey reforçou o Arsenal na temporada passada, se tornando rapidamente um dos principais nomes do time londrino.

Alexia Putellas (Foto: ESPN)
Alexia Putellas (Foto: ESPN)

Como mudar as coisas no Barcelona?

Existem alguns caminhos para as coisas mudarem no Barcelona, em relação ao seu time feminino. Na Inglaterra, alguns clubes, como o Chelsea e o Everton, venderam seus times femininos na tentativa de aumentar a receita e evitar a violação das regras de Lucro e Sustentabilidade da Premier League. O Aston Villa deve seguir o mesmo caminho. Contudo, isso não serve para o Barcelona.

Desligar o time feminino seria um erro para a diretoria da equipe catalã, como afirma Vilajoana: “O que a equipe feminina precisa não é de independência estrutural, mas sim de respeito e tratamento justo.”

O futebol feminino do Barcelona está sendo abandonado no momento em que o esporte mais cresce no Mundo. E ver um time com nomes como Putellas e Bonmatí, ambas vencedores do prêmio de Melhor Jogadora do Mundo, ser tratado desse jeito mostra que o Barcelona precisa tomar medidas drásticas, mas sem envolver àqueles que não tem nada a ver com o problema.

(Foto principal: Getty Images)