O dia 5 de setembro foi daqueles para se esquecer nas instalações do Paris Saint-Germain. Logo cedo, o clube recebeu a notícia de que o técnico Luis Enrique havia sofrido uma queda de bicicleta e precisou passar por uma cirurgia de urgência por causa de uma fratura na clavícula. Ainda tentando processar esse susto, o PSG foi surpreendido por outro problema, agora dentro de campo: Ousmane Dembélé deixou o gramado lesionado em jogo da seleção francesa contra a Ucrânia, aumentando a lista de preocupações do clube.
O “Mosquito” entrou no intervalo da partida, mas saiu mancando no minuto 84. Pouco depois, os médicos do PSG confirmaram o que temiam: o atacante ficará fora por cerca de seis semanas. Isso significa que ele deve perder jogos importantes, incluindo a estreia dos parisienses na Champions League contra a Atalanta, no dia 17 de setembro, e o clássico contra o Olympique de Marselha, marcado para o dia 21. Para piorar, pode ser que ele também não esteja disponível para o duelo contra o Barcelona, no início de outubro.
A ira parisiense com Deschamps
O clima no PSG ficou pesado. O clube não engoliu a decisão de Didier Deschamps de colocar Dembélé em campo mesmo sabendo que ele chegou à concentração de Les Bleus reclamando de dores no isquiotibial esquerdo, sofridas no dia 30 de agosto contra o Toulouse. Na visão do staff médico parisiense, o risco era evidente, e o recado havia sido dado. Para eles, não havia necessidade de escalar um jogador que não estava 100% em um jogo praticamente resolvido contra a Ucrânia.
Deschamps, por sua vez, se defendeu na coletiva de imprensa. Disse que jamais colocaria Dembélé para jogar se não estivesse em condições e que, inclusive, a nova lesão foi na perna direita, não na esquerda — onde o atleta já vinha sentindo desconforto. Mas isso não convenceu o PSG. Em Paris, a percepção é de que a Federação Francesa de Futebol expôs um dos seus principais jogadores sem necessidade, aumentando o risco de perder uma peça vital para o início da temporada europeia.
Lesões em sequência e desgaste crescente
Para o PSG, esse episódio não é um caso isolado. Dembélé já vinha sofrendo com problemas físicos desde o fim da última temporada. Em apenas quatro meses, essa é a terceira lesão que o francês enfrenta. Primeiro, ele perdeu o início do Mundial de Clubes por um problema no quadríceps. Depois, sentiu novamente o isquiotibial esquerdo contra o Toulouse. E agora, em um jogo da seleção, vê seu início de temporada ser comprometido mais uma vez. A proximidade da gala do Ballon d’Or, na qual ele é candidato, só aumenta a frustração.
O impacto para o PSG é enorme. Dembélé era peça-chave no esquema de Luis Enrique, funcionando tanto pelos lados quanto como articulador de jogadas. Sem ele, a equipe perde velocidade, drible e poder de desequilíbrio no ataque. O treinador espanhol terá que encontrar alternativas rapidamente para não comprometer os planos do time em competições decisivas.
O caso Doué e o “vírus FIFA”
Para completar o pesadelo, Désiré Doué também deixou a concentração da seleção francesa lesionado. O jovem meia, que foi substituído justamente por Dembélé no intervalo contra a Ucrânia, sofreu um problema no gemelo e deve ficar fora de ação entre três e quatro semanas. Assim como o companheiro, ele perderá a estreia na Champions contra a Atalanta e pode não ter condições de atuar no clássico contra o Olympique de Marselha.
O PSG já manifestou seu descontentamento com a Federação Francesa nos bastidores. Para o clube, o “vírus FIFA” — apelido dado às lesões sofridas por jogadores durante datas de seleções — está afetando diretamente seus planos. A sensação em Paris é de que a temporada está começando com obstáculos que poderiam ter sido evitados, caso houvesse uma gestão mais cuidadosa do tempo de jogo dos atletas nas seleções nacionais.
Relação cada vez mais fria com a Federação Francesa
As relações entre PSG e Federação Francesa de Futebol, que já não eram as melhores, ficaram ainda mais tensas. A diretoria parisiense sente que o clube está sendo prejudicado por decisões tomadas sem diálogo suficiente, colocando em risco o investimento feito em atletas de alto nível. Para um time que se acostumou a disputar finais e brigar por títulos grandes, perder peças essenciais logo no início do calendário pode custar caro.
Dembélé deixou Clairefontaine na madrugada de sexta-feira para realizar exames detalhados em Paris. O resultado confirmou o que o PSG temia: ele ficará um bom tempo fora dos gramados. O clima no vestiário é de preocupação, e os torcedores, que esperavam ver a equipe embalada nesta temporada, já começam a temer que o time chegue aos jogos decisivos da Champions sem força máxima.
O desafio de reagir sem Dembélé
Agora, a bola está com Luis Enrique e sua comissão técnica. O treinador, que já enfrenta problemas pessoais com a recuperação da fratura na clavícula, terá que reorganizar sua equipe para lidar com as ausências de Dembélé e Doué. Novas formações, mudanças de esquema e a oportunidade para outros jogadores ganharem espaço serão inevitáveis.
O PSG, campeão europeu e com elenco milionário, não pode se dar ao luxo de tropeçar nesse começo de temporada. Mesmo irritado com a seleção francesa, o clube precisa se concentrar em encontrar soluções internas para manter o ritmo competitivo. A resposta virá nos próximos jogos, e será um teste de fogo para o elenco e para o treinador.