Memphis Depay Holanda
Futebol

Memphis faz história e salva Holanda de vexame contra a Lituânia

A tarde de domingo teve todos os ingredientes de um jogo que poderia virar zebra histórica nas Eliminatórias da Copa do Mundo. A Holanda, líder do Grupo G, saiu na frente com tranquilidade, sofreu um apagão no primeiro tempo e precisou recorrer a seu maior artilheiro para escapar de um tropeço inesperado. Memphis Depay marcou duas vezes e comandou a vitória por 3 a 2, consolidando-se ainda mais como ícone da seleção laranja.

O jogo

Logo nos primeiros minutos, a equipe de Ronald Koeman mostrou a diferença técnica que separa as duas seleções. Depay e Gakpo testaram o goleiro Gertmonas antes dos cinco minutos, e a pressão inicial se transformou em gol aos dez: cruzamento de Gakpo e conclusão certeira de Memphis, anotando seu 51º gol com a camisa da Holanda, ultrapassando Robin van Persie como maior artilheiro da história da seleção.

O domínio se ampliou aos 32 minutos, quando Timber aproveitou erro da defesa lituana e fez o 2 a 0. A sensação era de que viria uma goleada, mas a Holanda se acomodou. A Lituânia, empurrada pela torcida, aproveitou. Aos 35, Lusickas fez boa jogada pelo lado esquerdo e rolou para Gvidas Gineitis acertar um chute de canhota e diminuir. O baque foi suficiente para bagunçar a defesa laranja, e pouco antes do intervalo veio o empate: cobrança de falta na área e Girdvainis desviou para o 2 a 2, incendiando o estádio.

O intervalo chegou como um alívio para os holandeses. Na volta, Koeman reorganizou a equipe, mas a construção ofensiva ficou mais difícil. A Lituânia recuou bem e apostou em contragolpes, enquanto a Holanda tinha dificuldades em acelerar o jogo. A solução veio outra vez de Depay. Aos 63 minutos, Dumfries cruzou na medida e o camisa 10 testou firme para marcar seu segundo gol e dar novo fôlego à equipe.

Depois do 3 a 2, a Holanda ainda tentou ampliar: Gakpo acertou a trave e Donyell Malen parou em mais uma boa defesa de Gertmonas. Nos minutos finais, a Lituânia partiu para o tudo ou nada, levantando bolas na área e exigindo atenção da zaga visitante. No fim, prevaleceu a maior qualidade da Holanda, mas o sofrimento foi maior do que o esperado.

Memphis faz história na Holanda

O triunfo em Kaunas reforça dois pontos claros sobre a atual fase da Holanda. O primeiro é o protagonismo absoluto de Memphis Depay. Mesmo longe de viver seus melhores anos em clubes, o camisa 10 mantém uma relação de entrega e decisão com a seleção nacional. Seus dois gols não apenas garantiram os três pontos, mas também evitaram um vexame que poderia custar caro na tabela. Tornar-se o maior artilheiro da história da equipe, à frente de nomes como Van Persie, Huntelaar e Kluivert, dá dimensão de sua importância.

O segundo ponto é a inconsistência coletiva. A Holanda começou intensa, pressionando alto e impondo sua superioridade técnica, mas relaxou após abrir 2 a 0. Essa queda de concentração permitiu que a Lituânia, uma equipe limitada, empatasse em poucos minutos. Essa oscilação já havia sido vista em outros jogos recentes e revela um problema de mentalidade que Ronald Koeman ainda não conseguiu corrigir.

Ofensivamente, o time mostrou variação, com Gakpo sendo o motor pelo lado esquerdo e Dumfries cumprindo bem sua função de corredor pelo lado direito. Mas a falta de criatividade pelo meio e a lentidão na recomposição defensiva expuseram fragilidades. Timber, autor do segundo gol, alternou boas aparições ofensivas com falhas de cobertura, enquanto Van Dijk e De Vrij se mostraram surpreendentemente desconcentrados na bola parada que originou o empate.

Do lado lituano, fica o mérito da competitividade. O time não desistiu após o 2 a 0, soube explorar o relaxamento adversário e teve coragem para buscar o ataque. No entanto, o abismo técnico apareceu no segundo tempo, quando faltaram recursos para transformar pressão em oportunidades reais de gol.

No panorama das Eliminatórias, a vitória foi fundamental. Com 10 pontos, a Holanda mantém distância de Polônia e Finlândia, que brigam pela segunda vaga. Mas o alerta fica ligado: se a equipe permitir oscilações semelhantes contra adversários mais qualificados, a classificação pode se complicar.

A tarde em Kaunas, portanto, serviu como um lembrete. O talento individual de Depay pode salvar a Holanda em muitos momentos, mas a dependência excessiva de um jogador e os apagões coletivos ainda são sinais de fragilidade. Para uma seleção que sonha em voltar a disputar títulos, esses detalhes precisam ser corrigidos antes que a zebra deixe de ser apenas um susto e se torne realidade.

(Foto: Getty Images)