O New York Knicks segue ativo no mercado e acertou a contratação de Malcolm Brogdon, armador veterano de 32 anos, em um contrato de um ano, segundo informação de Shams Charania (ESPN). A chegada do ex-jogador de Bucks, Pacers, Celtics, Blazers e Wizards ocorre em um momento em que a franquia tenta reforçar sua rotação de perímetro e dar mais alternativas ao novo técnico Mike Brown, após flertes frustrados com nomes como Ben Simmons.
Brogdon traz atributos físicos para se encaixar em diferentes formações, além de um arremesso confiável: são 38,8% de aproveitamento nas bolas de três ao longo da carreira, em mais de quatro tentativas por jogo. No entanto, seu histórico recente de lesões — incluindo problemas no joelho, tornozelo, pé e panturrilha — levanta dúvidas sobre sua capacidade de se manter saudável e entregar consistência durante toda a temporada.
Brogdon como solução imediata para o Knicks
No papel, Brogdon é a contratação ideal para aliviar a carga de Jalen Brunson, astro e motor ofensivo da equipe. Brunson foi o grande responsável pela campanha dos Knicks na última temporada, mas sofreu com o excesso de minutos e a falta de alternativas seguras no banco.
Nesse contexto, Brogdon pode assumir a organização do ataque quando Brunson estiver descansando, abrir a quadra com seu arremesso consistente de três pontos, atuar ao lado do titular permitindo que ele jogue mais tempo off-ball e, além disso, oferecer a experiência de playoffs que nomes como Mathews e Shamet ainda não têm no mesmo nível.
Essa versatilidade o torna um encaixe quase natural em Nova York. Mesmo em um contrato não garantido, Brogdon chega para disputar minutos reais de rotação, sobretudo em uma franquia que espera ir longe nos playoffs e que precisa de veteranos capazes de contribuir imediatamente.
A carreira de altos e baixos
Brogdon entrou na NBA em 2016 como escolha de segunda rodada do Milwaukee Bucks, mas rapidamente se destacou. Em Milwaukee (2016-2019), cresceu como coadjuvante de Giannis Antetokounmpo, fez parte do seleto clube 50/40/90 e se consolidou como peça vital em um time de elite. Seu valor de mercado explodiu, mas a opção do Bucks de não renovar acabou levando-o ao Indiana Pacers.
Nos Pacers (2019-2022), Brogdon assumiu papel de protagonista. Teve médias de 18,9 pontos, 6,3 assistências e 5,1 rebotes, sendo o principal organizador da equipe. O problema, contudo, foi sua fragilidade física: perdeu 81 jogos em três temporadas e não conseguiu ser constante em um time que vivia reconstruções e trocas de comando.
Seu auge recente veio no Boston Celtics (2022-23). Como sexto homem, encontrou o equilíbrio perfeito entre função e desempenho: registrou 14,9 pontos de média, com aproveitamento de 44,4% nas bolas de três, conquistou o prêmio de Sexto Homem do Ano e foi fundamental na campanha até as finais da Conferência Leste.
A sequência de lesões, entretanto, voltou a ser um entrave, e ele acabou envolvido em trocas que o levaram para Blazers e Wizards. Nessas últimas paradas (2023-2025), Brogdon foi praticamente esquecido, servindo mais como mentor em elencos em reconstrução do que como protagonista em quadra.
O contexto do Knicks e os desafios contratuais
A chegada de Brogdon acontece em meio a uma movimentação intensa dos Knicks no mercado. O time já havia adicionado Jordan Clarkson, Garrison Mathews e Landry Shamet. Porém, por estar preso ao segundo apron do teto salarial da NBA (US$ 207,8 milhões), a franquia tem pouquíssima flexibilidade para manter todos os contratos. No momento, apenas 12 jogadores têm vínculo garantido, e os três nomes — Brogdon, Shamet e Mathews — disputarão basicamente uma vaga disponível.
O dilema é claro: Brogdon oferece mais experiência e impacto imediato, mas também mais riscos por conta do físico. Já Shamet e Mathews, embora mais jovens e baratos, não possuem o mesmo currículo ou histórico de consistência em playoffs. Para manter Brogdon, os Knicks provavelmente precisarão abrir espaço via troca, sacrificando um contrato garantido.
Em uma análise fria, a chegada de Brogdon pode ser vista como uma jogada de alto risco e alto potencial. Se ele conseguir ficar saudável, oferece exatamente o que o Knicks precisa para equilibrar sua rotação: um organizador confiável para dar descanso a Brunson, um arremesso sólido do perímetro e a experiência de alguém que já atuou em diferentes papéis em equipes competitivas.
No entanto, caso os problemas físicos persistam, New York corre o risco de gastar sua vaga de rotação em um jogador que não consegue estar disponível nos momentos cruciais. Em um time que sonha com o topo do Leste, esse tipo de detalhe pode custar caro.
(Foto: Getty Images)