Pep Guardiola, Manchester City Champions League
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Guardiola se autodescarta da lista de favoritos da Champions

Pep Guardiola surpreendeu ao falar antes da estreia do Manchester City na atual edição da Liga dos Campeões. Em entrevista coletiva nesta quarta-feira, o técnico espanhol fez questão de minimizar o peso sobre os ombros dos citizens e afirmou que seu time não pode ser considerado favorito para conquistar o torneio. A fala vem no contexto de um confronto especial: a equipe inglesa recebe o Napoli, agora comandado por Antonio Conte e que conta com uma velha cara conhecida da torcida do Etihad, o meia belga Kevin De Bruyne.

Guardiola ressaltou que o City precisa encarar a competição como um “novo caminho”, mais do que uma obrigação de título. “Estamos felizes por estar aqui, temos que desfrutar da viagem. No passado fomos favoritos, mas só ganhamos a Champions uma vez”, disse. “Precisamos começar bem agora que há mais jogos do que antes. Se começamos com um mau resultado, será sempre mais difícil.”

Lesões e a última Champions decepcionante

O treinador também comentou o desempenho decepcionante da temporada passada, quando o City acabou eliminado e terminou a temporada sem títulos continentais. Segundo ele, as críticas que apontaram a ausência de Rodri como fator decisivo não são injustas, mas simplistas. “A baixa do Rodri foi muito importante, mas não foi a única. Tivemos 15 ou 16 lesionados. Nenhum time consegue manter o rendimento assim”, argumentou Guardiola, lembrando que o período crítico de novembro e dezembro coincidiu com a fase mais pesada do calendário e o maior número de baixas.

Para o espanhol, a prioridade do City segue sendo sempre “o próximo jogo” – seja ele pela Premier League ou pela Champions League. Essa mentalidade, segundo Pep, é um dos pilares do sucesso do clube desde que chegou ao Etihad. “Não se escolhe competição. O que importa é este jogo, e em uma semana ou dez dias, quando formos a Huddersfield, esse será o mais importante”, afirmou, reforçando que não pretende “priorizar” torneios.

De Bruyne, Donnarumma e um elenco mais profundo

A partida contra o Napoli marca também o reencontro com Kevin De Bruyne, peça central nas conquistas recentes do City, agora emprestado ao time italiano. Guardiola se mostrou ansioso para reencontrá-lo, mas não surpreso com seu desempenho fora da Inglaterra. “Jogadores desse nível se adaptam muito rápido, não precisam de muito tempo para jogar bem”, elogiou.

O técnico ainda falou sobre a importância de ter um goleiro de peso internacional no elenco. Citou Ederson, peça-chave nas últimas temporadas, e Donnarumma, que apesar da juventude acumula experiência e títulos – incluindo uma Champions League. Para Guardiola, esse tipo de jogador ajuda a manter a equipe competitiva e confiante nos momentos decisivos.

Haaland, liderança e gestão física

Perguntado sobre a evolução de Haaland, Guardiola reconheceu que o atacante amadureceu desde que chegou ao clube. “É normal, é questão de tempo. Ele chegou a um time que já ganhava muito e nos ajudou a conquistar a Champions. Apesar de jovem, ele amadureceu e tem um contrato de longo prazo. Isso é natural”, afirmou. O treinador também descartou a ideia de poupar Haaland preventivamente para evitar lesões: “Se ele estiver em forma, jogará. Se se lesionar, estará lesionado. Não penso em dar descanso por isso.”

Manchester City

Guardiola acredita que, com reforços como Reijnders e Nico González e o retorno próximo de Kovacic, o City está mais preparado para enfrentar uma eventual nova onda de baixas. “Quando todos estiverem disponíveis poderemos fazer rotações e o pessoal do banco pode ter um impacto maior”, disse. “Mas se houver fadiga será difícil.”

Para Guardiola, um City mais cauteloso e menos favorito 

Ao minimizar as chances do Manchester City na atual edição da Champions League, Guardiola tenta blindar o elenco e reduzir a pressão em um torneio de margens tão estreitas. Ele próprio lembrou que o novo formato da competição, mais imprevisível, exige atenção redobrada desde a fase inicial. “Você precisa conseguir todos os pontos que puder para se classificar”, alertou.

Ainda assim, o espanhol deixou claro que não faltará ambição. O elenco mais encorpado, a experiência adquirida com as dificuldades da temporada passada e a liderança de jogadores como Haaland são trunfos para tentar repetir – ou até superar – o sucesso de 2023. Mas, por ora, Guardiola prefere manter os pés no chão e focar no próximo jogo, sem se ver como favorito.