Carreras
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Álvaro Carreras: de aposta a motor do Real Madrid e candidato à seleção espanhola

O Santiago Bernabéu já testemunhou grandes laterais na história do Real Madrid, mas poucos causaram impacto imediato como Álvaro Carreras. Em apenas seis partidas, o jogador de Ferrol transformou a faixa esquerda do time de Xabi Alonso em uma das principais armas ofensivas e defensivas da equipe.

Sua contratação por 50 milhões de euros na última janela, vista inicialmente com desconfiança, hoje parece uma das movimentações mais interessantes do mercado europeu.

O encaixe perfeito no sistema de Xabi Alonso

Carreras não apenas jogou os 540 minutos disponíveis entre Liga e Champions, como se tornou peça indiscutível na engrenagem madridista. Para Xabi Alonso, que privilegia laterais capazes de dar amplitude sem perder a solidez defensiva, o espanhol oferece o equilíbrio ideal.

Diferente de jogadores cujo destaque está na técnica, Carreras baseia seu jogo em leitura tática, precisão nos passes e intensidade física, características que fazem dele mais do que um simples lateral — um verdadeiro organizador pela esquerda.

As estatísticas confirmam o impacto: diante do Espanyol, por exemplo, o Real Madrid direcionou a maioria de suas ações ofensivas pelo setor ocupado pelo novo camisa 3. O jogo, que poderia ter sido um teste complicado contra Tyrhys Dolan — quarto jogador mais eficiente em dribles na Liga —, acabou se transformando em mais uma prova da solidez de Carreras: não foi superado nenhuma vez no um contra um.

A mistura entre ataque e defesa

Os números avançados reforçam que Carreras já figura entre os laterais mais completos da Europa. Ele é o segundo com mais passes certos por jogo nas cinco grandes ligas (46,2), além de ocupar o sexto lugar em interceptações (2,29 por partida) e o terceiro em chances criadas em jogada (1,30). Trata-se de uma combinação rara: agressividade defensiva com alto poder de construção ofensiva.

Essa dualidade explica por que o Real Madrid passou a ter tanta confiança em atacar pela esquerda. Cada subida do lateral não é apenas um movimento de apoio, mas uma forma de criar superioridade numérica e ditar o ritmo das jogadas. Carreras, com sua energia e precisão, tornou a faixa um espaço de desequilíbrio constante.

É inevitável que seu nome comece a ser associado a grandes laterais da história recente do clube, como Roberto Carlos e Marcelo, cada um com características distintas. Carreras não possui o mesmo virtuosismo técnico de Marcelo, nem o chute poderoso de Roberto Carlos, mas carrega em seu estilo uma modernidade que o aproxima da nova geração da posição: laterais capazes de acumular funções de construtores, defensores e criadores de jogadas.

Nesse sentido, o espanhol lembra perfis mais recentes, como Alphonso Davies e Theo Hernández, mas com um toque mais cerebral, pautado por leitura e precisão.

Seleção espanhola no horizonte para Carreras?

O impacto imediato em Madrid fez com que Carreras passasse a ser observado com atenção pela seleção espanhola. Com as métricas que apresenta e a regularidade demonstrada, parece apenas uma questão de tempo até ser chamado por Luis de la Fuente.

Além da qualidade, há um fator estratégico: a Espanha carece de laterais-esquerdos que unam consistência defensiva com presença ofensiva. Jogadores como Jordi Alba já estão em fim de carreira, e alternativas mais jovens ainda não convenceram plenamente. Nesse contexto, Carreras surge como um nome pronto para assumir protagonismo em um ciclo que já tem como objetivo a Euro 2028.

O Bernabéu, acostumado a aplaudir os grandes nomes que fizeram da lateral esquerda uma posição lendária, já tem um novo ídolo em construção.

(Foto: Divulgação/Real Madrid)