O sábado no Bernabéu não reservou nada de especial para quem esperava um Real Madrid vibrante. Contra o Espanyol, a equipe comandada por Xabi Alonso venceu, é verdade, mas apresentou um futebol bem diferente daquele que se imaginava quando o técnico basco assumiu o time. Com mudanças no sistema de jogo e um ritmo arrastado, o Real pareceu mais preocupado em garantir os três pontos do que em mostrar qualquer evolução tática ou intensidade.
Desde antes do apito inicial, a partida já não prometia grandes emoções. E com a bola rolando, isso se confirmou rapidamente. O time jogou sem brilho, preso a um esquema que ainda não convenceu. O tão comentado duplo pivô Tchouaméni-Valverde não funcionou; a dupla ofensiva Mbappé-Gonzalo, que tinha tudo para empolgar, também não conseguiu criar perigo real. As mudanças feitas por Xabi, como a entrada de Asencio no lugar do suspenso Dean Huijsen, pouco alteraram o panorama.
Estrelas apagadas e um Real Madrid sem identidade
O caso de Mastantuono é emblemático. O argentino segue acumulando minutos e oportunidades, mas ainda não entregou aquilo que se espera dele. O torcedor merengue continua aguardando o brilho que os bastidores prometem. Vinicius, de volta ao time titular depois do incômodo por ter ficado no banco contra o Marselha, também não foi protagonista. Suas arrancadas já não têm o mesmo veneno de antes e acabaram se perdendo na previsibilidade.
O único que realmente se salvou foi Mbappé. O francês, mesmo com a equipe sem inspiração, marcou seu sétimo gol em seis partidas e manteve seu faro artilheiro intacto. Fora isso, nada no Real Madrid deu sinais de melhora. O futebol coletivo, que deveria ganhar corpo com o passar das semanas, parece estagnado, sem aquele toque moderno e intenso que Xabi Alonso prometeu ao chegar.
A paciência do torcedor e o peso das expectativas
A torcida, por enquanto, perdoa. Afinal, o treinador ainda está no início da sua trajetória no comando do clube – são apenas seis jogos oficiais, doze se incluirmos o Mundial de Clubes. Há uma espécie de “crédito” natural dado a um técnico novo, especialmente alguém com o peso e o prestígio de Xabi Alonso. Mas esse crédito não é infinito. O torcedor do Real Madrid está acostumado a ver sua equipe não apenas vencer, mas encantar.
É justamente aí que mora o risco. Se o treinador não encontrar logo uma identidade clara para o time, a paciência pode acabar. O Real Madrid não é um clube qualquer, e o ambiente no Bernabéu cobra resultados e desempenho em igual medida. As vitórias, mesmo sem brilho, ajudam a segurar a pressão, mas a cada atuação apática aumenta a sensação de que o projeto está aquém do prometido.
Um alerta para Xabi Alonso
Para Xabi Alonso, a lição é clara: é preciso acelerar o processo de dar cara ao time. A promessa era de um futebol moderno, intenso, capaz de misturar posse de bola com transições rápidas e agressivas. Até aqui, vimos apenas lampejos dessa ideia. As mudanças no sistema, que deveriam surpreender e potencializar os craques do elenco, só deixaram o Real Madrid mais plano e previsível.
Ainda há tempo para ajustar. O elenco é forte é óbvio, tem nomes capazes de decidir e uma torcida disposta a apoiar se perceber evolução. Mas o relógio corre. Se o treinador não der um salto de qualidade nas próximas semanas, o discurso de “processo” pode perder força e abrir espaço para críticas mais pesadas. O Real Madrid não costuma esperar muito por respostas – e, neste momento, Xabi Alonso precisa mostrar que sabe exatamente para onde está levando esse poderoso e estrelado time.