A relação entre Xabi Alonso e Vinicius Jr está chamando atenção na Espanha. O brasileiro, estrela máxima do Real Madrid, tem vivido dias estranhos sob o comando do novo técnico. No último domingo, ficou nítido o descontentamento do atacante quando foi substituído mais uma vez por Alonso – algo que, para falar a verdade, já virou rotina. Desde que o espanhol assumiu, Vini foi sacado de campo em quase todos os jogos.
Para piorar, no meio da semana, quando o Real Madrid estreou na Champions League contra o Olympique de Marselha, Vinicius nem começou entre os titulares. Para um jogador acostumado a ser peça intocável, é um baque e tanto. A cena causou um rebuliço gigante nos jornais espanhóis, alimentando especulações sobre um possível desgaste entre craque e treinador logo no começo da temporada.
Descanso não é desculpa
O mais curioso é que Vinicius parecia estar em ótima forma física e mental. Pela primeira vez desde 2020, ele não precisou viajar ao Brasil na data Fifa e ficou em Madri para descansar e treinar. Ou seja, não dá para dizer que o atacante voltou “pesado” ou sem ritmo. Mesmo assim, Alonso insiste em tirá-lo ou deixá-lo no banco.
Isso abriu espaço para um boato ainda mais forte: será que Vinicius está pensando em sair do Real Madrid no fim da temporada? Ainda não existe nada concreto, mas a simples pergunta já causa calafrios na torcida merengue. Afinal, o brasileiro é hoje um dos jogadores mais decisivos do clube e um símbolo dessa nova fase.
“Alonso é como Zidane”
Fontes próximas ao jogador ouvidas pelo The Athletic dizem que o momento lembra muito a época em que Zinedine Zidane era técnico do Real Madrid. Não é exatamente um elogio. Naquele período, Zidane também não demonstrava a mesma confiança em Vinicius que treinadores como Santiago Solari ou Carlo Ancelotti tiveram.
Segundo essas fontes, esse “primeiro ano difícil” já era esperado. Desde a pré-temporada se falava que Vinicius teria de lidar com mudanças profundas e com um técnico mais rígido no trato com as estrelas. Por outro lado, elas negam que Alonso esteja sendo orientado pela diretoria a “pressionar” o brasileiro por causa de suas negociações de contrato, que vêm sendo complicadas.
Sem ordens de cima
Ao que tudo indica, essa é mesmo uma decisão técnica de Alonso. Ele acredita em rotação pesada e não parece disposto a abrir mão disso, mesmo que isso machuque o ego dos jogadores mais badalados do elenco. O espanhol construiu sua reputação como treinador sendo meticuloso com detalhes táticos e disciplinador com jovens promessas – e parece disposto a manter essa linha no Real Madrid, independentemente dos nomes.
A lembrança do passado com Zidane é inevitável. Para muita gente, Vinicius cresceu justamente quando saiu das mãos do francês e encontrou mais confiança com Ancelotti. Agora, esse cenário “Zidane 2.0” pode gerar desgaste, ainda mais num momento em que o calendário está lotado de jogos importantes, exigindo sintonia máxima entre elenco e treinador.
Estilo Alonso e o risco de fricção
O estilo de Alonso é muito mais controlado, quase científico. Ele prefere rodar o elenco, testar alternativas, mudar esquemas e dar espaço para outros jogadores. É uma filosofia que pode funcionar a longo prazo, mas que no curto prazo bate de frente com a expectativa das estrelas de serem titulares absolutos em todos os jogos grandes.
Com Vinicius, a situação é ainda mais delicada. O brasileiro já não é mais uma promessa, mas sim um protagonista, peça central da estratégia ofensiva do Real Madrid. Tirar ou colocar no banco um jogador assim manda uma mensagem clara – e nem sempre positiva. Para alguns torcedores, Alonso está “mexendo onde não precisa” logo no começo do seu trabalho.
Um problema para a temporada toda
Nada indica que Alonso vá mudar de ideia tão cedo. Ele mesmo já deixou claro que a rotação é parte do projeto. E com partidas encavaladas de La Liga, Champions League e Copa do Rei, a tendência é que esse método continue. Se o Real Madrid vencer, a discussão vai diminuir. Se tropeçar, a pressão vai cair com tudo sobre o técnico e sua relação com Vinicius.
Para o brasileiro, será um teste de paciência e profissionalismo. Lidar com um treinador exigente, que não cede fácil e ainda por cima tem apoio do clube, não é simples. Mas Vinicius já provou ser resiliente antes. Resta saber se Alonso vai conseguir repetir o sucesso de Zidane – que, apesar dos atritos, empilhou títulos – ou se essa tensão pode virar um problema real dentro do vestiário merengue.