Xabi Alonso, Real Madrid
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Real Madrid: O primeiro grande tropeço de Xabi Alonso

Depois de um início perfeito, com sete vitórias em sete jogos, o Real Madrid de Xabi Alonso levou o primeiro grande choque da temporada. O dérbi no Metropolitano do Real Madrid contra o Atlético expôs fragilidades que ainda não tinham aparecido diante de rivais menos exigentes. O 5 a 2 imposto pelos colchoneros foi um “primeiro aviso” para Xabi: o seu projeto ainda não está pronto para encarar adversários do mais alto nível.

O resultado vai muito além do placar. Pela primeira vez nesta campanha, o Real Madrid se viu sem intensidade, desconectado e sem identidade. E algumas das decisões do técnico basco chamaram a atenção negativamente, deixando claro que, apesar do currículo e da aura que trouxe de Leverkusen, ele ainda tem ajustes delicados a fazer para transformar o time em uma máquina competitiva.

Bellingham titular, Mastantuono no banco

A grande surpresa no onze inicial foi a titularidade de Jude Bellingham. O inglês, recém-recuperado fisicamente, era esperado no banco, mas começou jogando. A decisão parecia arriscada antes da bola rolar – e se confirmou dentro de campo. Jude andou desposicionado, apagado no ataque e só apareceu em alguns lances defensivos, liderando em recuperações, mas sem dar ao time o dinamismo que precisa no setor ofensivo.

Para abrir espaço a Bellingham, Xabi deixou Mastantuono no banco. O argentino era a sensação do início da temporada, tinha sido o destaque contra o Levante e encararia no dérbi vários compatriotas do lado rojiblanco. Sua entrada, já com o placar em 3 a 2, mudou um pouco a cara do Madrid. Em apenas meia hora, foi o jogador que mais cruzou na área, mostrou personalidade e até se irritou com a derrota no final, chutando a bola para a arquibancada. O contraste entre o que os dois renderam levantou questionamentos imediatos sobre as escolhas do técnico.

O enigma Arda Güler e a intensidade perdida

Outro ponto criticado foi a saída precoce de Arda Güler. O turco, que já tinha dado uma assistência para Mbappé no 1 a 1 e criado outra boa chance ao invadir a área, foi substituído logo após receber um cartão amarelo por pênalti em Nico. Xabi preferiu se precaver, mas abriu mão do único jogador que dava um pouco de ritmo ao time. Güler é uma das poucas conexões naturais com Mbappé e Vinicius e parecia ligado no jogo.

O resultado foi um Real Madrid sem criatividade e, sobretudo, sem intensidade. Um dos pontos fortes do time de Xabi até então era a pressão alta: média de 6,5 recuperações no terço final por jogo, segundo a Opta. No dérbi, apenas uma. Em todo o campo, foram só 32 bolas recuperadas, muito menos do que as 54 conquistadas quatro dias antes contra o Levante. O próprio técnico admitiu no pós-jogo que a falta de intensidade foi “o mais preocupante”.

Mudanças tardias e um padrão preocupante para o Real Madrid de Xabi Alonso

As substituições também entraram no radar. Xabi foi obrigado a trocar Militao no intervalo, mas demorou a colocar Rodrygo – só entrou no 70º minuto para substituir um apagado Bellingham. O último recurso, Gonzalo por Huijsen, veio apenas no 89’, já com 4 a 2 contra. Ao final, o Madrid terminou com cinco atacantes em campo (Mbappé, Vinicius, Mastantuono, Rodrygo e Gonzalo), mas sem organização para reagir.

Esse padrão é recorrente: segundo o BeSoccer Pro, 33 das 38 substituições feitas por Xabi nesta temporada ocorreram depois dos 70 minutos. Contra rivais frágeis, dá para empurrar no final; contra um Atlético intenso, já era tarde.

Primeiro aviso sério

O Madrid vinha empilhando vitórias, mas contra adversários de meio ou fundo da tabela. O Atlético foi o primeiro “miura” da temporada – e derrubou o time com autoridade. Assim como já tinha acontecido no Mundial de Clubes contra o PSG, Xabi Alonso tropeçou no primeiro grande desafio.

Desta vez, no entanto, não há a desculpa de estar “em construção”. O projeto já tem Mbappé, Vinicius, Bellingham e outros craques. O dérbi expôs falhas táticas, falta de frescor físico e um treinador que ainda não acertou a mão nas suas principais peças.

Nada está perdido, claro. Mas o “primeiro aviso” ficou dado. Para brigar de igual para igual com Atlético e Barça, o Real Madrid precisa recuperar intensidade, ajustar seu meio-campo e repensar decisões como as que tomou no Metropolitano. Caso contrário, outros tropeços como esse virão – e a paciência, mesmo com Xabi, tem limite.