Internazionale Chivu
Futebol Serie A

A revolução de Chivu na Internazionale; veja como o técnico altera aos poucos a equipe

Determinadas transformações na Internazionale ocorrem de forma sutil: horas, dias e meses se sucedem até que, de repente, percebe-se uma mudança profunda sem que tenha havido sensação de ruptura. Isso acontece porque cada passo precisa ser assimilado no tempo adequado, não no ritmo que gostaríamos de impor, mas no que o corpo e a mente exigem naturalmente. O técnico Cristian Chivu foi o primeiro a compreender isso, mesmo cercado por uma massa barulhenta que clamava por soluções imediatas, pedindo cabeças e criando um ambiente de tensão. Esse ruído poderia tê-lo desviado, mas não abalou sua convicção.

Parte dessa serenidade vem do fato de Chivu nunca ter se preocupado em agradar a torcida da Internazionale ou buscar protagonismo pessoal. Desde o início, voltou sua atenção para o vestiário, estabelecendo um vínculo sincero com os jogadores. Aos poucos, partida após partida, a Internazionale começou a ganhar uma nova identidade. É claro que quem se prende apenas a estatísticas e formações táticas dificilmente percebe essas nuances, mas os olhares mais atentos já captaram o início de um processo destinado a transformar a forma como a equipe enxerga o jogo e a si mesma.

Nesse contexto, a continuidade tática ganha importância: assumir um grupo fragilizado e sem rumo exigia devolver a sensação de estabilidade, que aqui não significa acomodação, mas segurança. O conhecimento acumulado foi preservado e, gradualmente, aprimorado no dia a dia de treinamentos. A evolução física de jogadores como Dimarco, Lautaro, Bastoni e até Carlos Augusto comprova que Chivu conseguiu extrair mais de cada um em relação ao que se via meses atrás. O futuro, assim como as próximas janelas de transferências, mostrará se o time poderá, em algum momento, adotar um esquema com três atacante, desejo antigo do treinador. Até lá, prevalecem as necessidades imediatas de um elenco que mantém características bem definidas.

Chivu trabalha a partir de três princípios básicos. O primeiro é reduzir a obsessão ofensiva para evitar os contra-ataques frequentes que tanto castigaram a equipe. O segundo é reforçar o setor de meio-campo da Internazionale, aumentando a intensidade na zona de proteção. Por fim, há a fase de posse de bola, em que a prioridade é verticalizar o jogo em direção ao ataque, evitando trocas estéreis que pouco acrescentam. Essas ideias, repetidas desde sua chegada, começam a gerar frutos visíveis. São pequenos, mas significativos atos de coragem que mostram sua abertura a tudo o que possa trazer progresso.

Sua aposta em Pio Esposito, por exemplo, evidencia a disposição de dar espaço aos jovens, algo que nem todos teriam ousado. Do mesmo modo, conseguiu convencer veteranos de que o banco de reservas deve ser visto como suporte na Internazionale, não como punição. Toda revolução nasce na mente: passa por dúvidas, amadurece e se consolida em convicções. A Internazionale sob o comando de Chivu já apresenta diferenças marcantes em relação à de Simone Inzaghi, refletindo também a personalidade distinta do romeno, visando os títulos da Serie A e da UEFA Champions League.

O que virá adiante dependerá do tempo e das movimentações no mercado, mas o essencial é que um caminho já foi iniciado na Internazionale. A primeira conquista de Chivu foi restituir ao grupo a confiança de que ainda tem muito a oferecer com a camisa nerazzurra. Obstáculos podem aparecer, mas tanto ele quanto sua comissão demonstram estar conduzindo o trabalho com seriedade, enquanto o elenco mostra receptividade às mudanças. Esses sinais precisam ser valorizados, sobretudo porque o ponto de partida, em junho, era extremamente delicado.

Foto: Getty Images

Chivu tenta embalar a Internazionale após início turbulento na Serie A

Depois de um começo instável na Serie A, Cristian Chivu busca recolocar a Internazionale no eixo nesta temporada. O técnico romeno, que assumiu a responsabilidade de dar sequência ao ciclo vitorioso deixado por Simone Inzaghi, aposta em uma reconstrução paciente, capaz de devolver competitividade à equipe e recuperar terreno perdido, ao amargar o vice-campeonato da UEFA Champions League para o PSG na última edição.

As dificuldades iniciais expuseram velhas fragilidades na Internazionale: inconsistência ofensiva, complicações para propor o jogo diante de adversários fechados e lapsos defensivos que custaram pontos importantes. Em vez de recorrer a mudanças drásticas, Cristian Chivu optou por um processo progressivo, preservando a estrutura vencedora recente, mas implementando ajustes pontuais para tornar o time mais eficiente.

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Ajustes táticos e novas alternativas na Internazionale

O treinador manteve o 3-5-2 como base, mas busca torná-lo menos previsível. A prioridade está em aumentar a intensidade da pressão logo após a perda da bola e acelerar as transições, aproveitando a velocidade de jovens como Pio Esposito e Bonny. No meio, jogadores como Sucic ganham espaço para dividir responsabilidades com veteranos, aliviando o peso sobre Barella e Çalhanoğlu, sem abrir mão da experiência.

Rotatividade como método

Outro aspecto central do trabalho de Chivu é a quebra de hierarquias no elenco da Internazionale. Diferentemente do passado, em que alguns titulares tinham status de intocáveis, o romeno promove rodízio até mesmo entre referências como Lautaro Martínez e Mkhitaryan. A ideia é manter o elenco em constante alerta e ampliar o leque de opções durante a temporada.

A busca pela confiança

A vitória contra o Cagliari foi vista como um indício de recuperação, mas ainda insuficiente para dissipar todas as incertezas. Chivu insiste que, antes de pensar em títulos, o fundamental é restabelecer a confiança coletiva. Sua arrancada depende tanto de resultados imediatos quanto de uma reconstrução psicológica, capaz de devolver ao grupo a mentalidade vencedora dos últimos anos.

O desafio pela frente

O sucesso dessa retomada depende da paciência da diretoria e do apoio da torcida. As mudanças graduais podem demorar a refletir no placar, mas Chivu acredita que a solidez virá justamente desse processo silencioso, no qual cada ajuste se incorpora ao coletivo sem comprometer o equilíbrio já existente.

Com o campeonato ainda em seu terço inicial, o tempo joga a favor. Resta ver se a “revolução discreta” conduzida pelo romeno será suficiente para transformar a campanha da Internazionale e consolidar uma recuperação consistente após um começo vacilante.

(Foto: Getty Images)