Em uma noite de alta intensidade e muitos chutes a gol, Cruzeiro e Sport protagonizaram um dos duelos mais abertos e emocionantes do Brasileirão até aqui. Foram 42 finalizações no total, praticamente divididas entre os dois lados, mas o placar terminou empatado em 1 a 1, neste domingo (5), pela 27ª rodada da Série A.
Derik Lacerda, em um rápido contra-ataque, abriu o placar para o Sport ainda no primeiro tempo, e Gabigol, já na etapa final, empatou para o Cruzeiro. Apesar da pressão intensa dos mineiros e das inúmeras chances criadas, o goleiro Gabriel Vasconcelos foi o grande nome da partida, garantindo um ponto valioso para os pernambucanos.
Com o resultado, o Cruzeiro chega a três jogos sem vencer, mas ainda se mantém firme na terceira colocação, com 52 pontos, consolidado no grupo que briga por vaga direta na Libertadores. Já o Sport, mesmo mostrando competitividade, segue como lanterna da competição, com apenas 16 pontos, tentando evitar um rebaixamento que parece cada vez mais inevitável.
O jogo
O jogo começou surpreendendo quem esperava um Cruzeiro dominante do início ao fim. Logo nos minutos iniciais, o Sport mostrou que não veio apenas para se defender. Derik Lacerda, em chute de fora da área, obrigou Cássio a fazer sua primeira defesa importante da tarde.
A resposta celeste, porém, foi imediata. O Cruzeiro tomou o controle da posse de bola e passou a empurrar o Sport para dentro da própria área. O zagueiro Villalba, aparecendo como elemento surpresa, arriscou de longe e quase abriu o placar, exigindo uma defesa difícil de Gabriel Vasconcelos.
O time mineiro acelerava o ritmo, especialmente com Kauã Moraes e Matheus Pereira articulando pelo meio. Aos 18 minutos, o Cruzeiro quase marcou em uma sequência de chances: Kauã cruzou da esquerda, Pereira desviou e a bola explodiu na trave. No rebote, Arroyo soltou a pancada, mas Gabriel espalmou novamente.
O domínio era amplo. Aos 21, Gabigol recebeu em contra-ataque rápido, cortou para o meio e bateu firme — a bola passou raspando a trave. Pouco depois, o atacante ainda acertou o travessão, mas o lance foi anulado por impedimento.
Enquanto o Cruzeiro acumulava finalizações, o Sport resistia como podia. E, como no velho ditado do futebol, “quem não faz, leva”. Aos 41 minutos, em um raro contra-ataque, Derik Lacerda foi lançado em profundidade, venceu a corrida com a defesa, driblou Cássio e empurrou para o gol vazio: 1 a 0 Sport.
Nos acréscimos, o atacante quase ampliou, acertando o travessão em outro contra-ataque. O Cruzeiro foi para o vestiário com um volume de jogo avassalador, mas atrás no placar — um retrato cruel de um time que produziu muito, mas pecou na finalização.
O Cruzeiro voltou do intervalo determinado a empatar, mas o Sport surpreendeu novamente. O técnico adversário reforçou a defesa com a entrada de Igor Cariús, montando uma linha de cinco atrás. Mesmo assim, o Leão seguiu perigoso nos contra-ataques.
Logo aos 6 minutos, Hyoran recebeu livre na área, mas finalizou fraco de canhota, nas mãos de Cássio. O Cruzeiro respondeu rapidamente e, empurrado pela torcida, intensificou o bombardeio. Aos 14 minutos, o esforço foi recompensado: Matheus Pereira encontrou Gabigol livre na entrada da área. O atacante puxou para a perna direita e bateu — a bola desviou no meio do caminho e enganou o goleiro. Empate no Mineirão: 1 a 1.
O gol incendiou o jogo. O Cruzeiro retomou o controle da posse e passou a pressionar em busca da virada. Sinisterra, que entrou bem, quase marcou em chute colocado que raspou a trave. O Sport, por outro lado, não se limitou a se defender e explorou os espaços deixados pelos mineiros.
Aos 31, Derik Lacerda, novamente ele, fez jogada individual pela esquerda, cortou para o meio e exigiu mais uma boa defesa de Cássio. O duelo ficou completamente aberto, com transições rápidas e ataques de ambos os lados.
O Cruzeiro chegou a ter uma grande chance em bola cruzada por Kauã Moraes, mas não conseguiu completar. O Sport respondeu no contra-ataque: Igor Cariús invadiu a área e cruzou rasteiro, a bola passou por Cássio e Barletta chegou de carrinho, mandando por cima — o gol da vitória escapou por centímetros.
Nos minutos finais, o Cruzeiro foi para o abafa. Gabriel Vasconcelos fez pelo menos três defesas difíceis em chutes de fora da área, garantindo o empate. A partida terminou sob aplausos da torcida mineira pelo esforço, mas também com certa frustração pela falta de efetividade.
Volume de jogo não garante resultado: Cruzeiro precisa arrumar a pontaria
O Cruzeiro produziu muito, mas voltou a esbarrar em um problema recorrente: a finalização. Foram mais de 20 chutes, mas apenas um gol — reflexo de uma equipe que domina, cria, mas não concretiza. O sistema ofensivo funcionou bem até a entrada da área, especialmente com Matheus Pereira ditando o ritmo e Gabigol buscando o jogo.
Defensivamente, no entanto, o Cruzeiro mostrou vulnerabilidade nos contra-ataques, algo que o técnico Leonardo Jardim precisa ajustar. O gol sofrido foi exemplo disso: uma linha alta mal posicionada e espaço generoso para Derik Lacerda decidir.
O Sport, por sua vez, mostrou evolução em relação a rodadas anteriores. Mesmo lanterna, o time foi competitivo, teve organização defensiva e eficiência nas transições. O atacante Derik Lacerda foi o grande destaque, sendo decisivo no gol e constante ameaça nas escapadas.
O empate, apesar de parecer ruim na tabela, teve gosto diferente para cada lado. O Cruzeiro lamenta por não ter vencido, mas mantém-se sólido na parte alta. O Sport, ainda que siga em situação dramática, sai do Mineirão com moral, provando que pode ser perigoso mesmo fora de casa.
No fim, ficou a sensação de que o Cruzeiro perdeu dois pontos, enquanto o Sport ganhou um — um daqueles empates que valem mais do que o resultado sugere.
(Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro)