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Barcelona dá indícios de que não levará em conta desejo de Araújo sobre seu futuro

O Barcelona está começando a encarar de frente os problemas da instabilidade, e o setor mais exposto até aqui tem sido o defensivo. Depois de uma temporada passada sólida, coroada com título da La Liga e uma defesa entre as menos vazadas da Europa, a equipe esperava mais segurança com o retorno de algumas peças-chave, e entre elas, claro, Ronald Araújo, um dos líderes do elenco e símbolo da zaga culé nos últimos anos.

Mas o que se viu, até agora, está bem distante da melhor versão do uruguaio. Após uma lesão que o tirou de boa parte do último semestre, Araújo voltou com ritmo abaixo, cometendo erros incomuns e deixando a desejar nos duelos individuais, justamente uma de suas maiores virtudes. Ainda é cedo pra cravar qualquer coisa, mas na diretoria, os cochichos já viraram conversas mais sérias. O futuro do zagueiro está em pauta. E ao que tudo indica, o clube está mais interessado em seguir seus próprios planos do que os do jogador, que já deixou claro que pretende ficar.

Mesmo com contrato até 2031, assinado ainda na gestão anterior, como uma aposta de longo prazo, Araújo continua sendo alvo da Premier League. E não estamos falando de qualquer um: Manchester United, Liverpool, Newcastle e Tottenham monitoram de perto sua situação. Ele já mostrou em outras temporadas que tem nível para competir entre os melhores do mundo. A questão é: vai conseguir retomar esse nível com a camisa do Barça?

A dúvida cresce especialmente por conta de sua atual participação no Barcelona de Hansi Flick. Contra o Sevilla, no último fim de semana, Araújo foi escalado como titular e, inclusive, usou a braçadeira de capitão. Mas a liderança em campo ficou só no título: cometeu um pênalti bobo, teve atuação abaixo da média e foi um dos símbolos da derrota por 4 a 1, em pleno Estádio Ramón Sánchez Pizjuán. Um resultado que esfriou o embalo do técnico alemão, que sonhava em manter o Barcelona na liderança da La Liga.

O mais curioso é que, mesmo com esse cenário de desempenho irregular, Araújo não pensa em sair na próxima janela. O zagueiro e sua equipe confiam que ele pode dar a volta por cima e voltar a ser peça fundamental. Só que o Barça pensa diferente. Internamente, a preocupação é que o defensor perca ainda mais espaço, e valor de mercado. E num clube que precisa vender bem para equilibrar as contas, um zagueiro com mercado ativo na Inglaterra e preço estimado em 35 milhões de libras soa como uma oportunidade difícil de ignorar.

Barcelona tem planos pela frente

A política esportiva do Barcelona, pelo menos nos últimos tempos, tem sido clara: aproveitar a base, gastar pouco e vender bem. O clube ainda enfrenta uma série de restrições financeiras, com teto salarial apertado e a necessidade constante de manter as contas em ordem, especialmente após os altos investimentos mal planejados nas últimas temporadas. Nesse cenário, jovens como Pau Cubarsí e entre outros talentos, ganham espaço, enquanto veteranos ou atletas que não entregam de imediato passam a ser vistos como moeda de troca.

Flick chegou no Barcelona com o objetivo de renovar o espírito competitivo do elenco, e deve contar com a base como alicerce do seu projeto. Isso não significa abrir mão dos mais experientes, mas sim ser estratégico: quem tem valor, mas não é essencial, pode virar recurso.

Assim, mesmo que Araújo queira ficar, a lógica do clube pode prevalecer. Porque no fim das contas, a reconstrução do Barcelona passa menos por promessas individuais e mais por decisões duras, como talvez abrir mão de um zagueiro que já foi pilar, mas que hoje vive à sombra do que já foi.

Foto: David Ramos/Getty Images