Khamzat Chimaev
Lutas UFC

Chimaev desafia Poatan e gera críticas de desafiantes: ‘oportunista’

O nome de Khamzat Chimaev voltou a dominar as manchetes do MMA, mas não apenas por sua vitória dominante sobre Dricus Du Plessis no UFC 319, em agosto. O checheno, agora campeão dos médios, voltou a mirar alto — desta vez, no homem que se tornou um ícone da agressividade técnica e da ascensão meteórica no UFC: Alex “Poatan” Pereira, atual detentor do cinturão dos meio-pesados.

A ideia de um confronto entre os dois soa tentadora, até cinematográfica. Chimaev, o predador invicto que controla os oponentes com facilidade brutal, contra Pereira, o striker de elite que destrói adversários com um soco ou chute preciso. No entanto, nem todos no mundo do MMA estão convencidos de que esse desafio é mais do que uma encenação.

E um dos céticos é Brendan Allen, protagonista do card principal do UFC Vancouver, que deixou claro em entrevista coletiva: “Acho que essa é meio que a história do Chimaev, né? Ele fala muito, atrai olhares… Mas, sinceramente, acho que ele tem muito trabalho a fazer antes de pensar em subir de categoria.”

O fenômeno Chimaev: entre o domínio e a autopromoção

Chimaev conquistou o cinturão dos médios de forma incontestável. Contra Du Plessis, ele exibiu um domínio quase total — foram 22 minutos de controle de luta em cinco rounds que lembraram os melhores dias de Khabib Nurmagomedov. Não houve brechas, não houve perigo real. Foi o retrato da eficiência, mas também da previsibilidade.

Depois da luta, no entanto, o discurso de “Borz” mudou o foco: ao invés de defender o título contra os nomes que o cercam — como Reinier De Ridder, Brendan Allen, ou até Israel Adasanya —, Chimaev começou a falar em “superluta” contra Poatan.

O timing é curioso. Poatan, que recentemente reconquistou o cinturão dos meio-pesados ao nocautear Magomed Ankalaev, está no auge da popularidade. Suas lutas viraram eventos de cultura pop, com transmissões recordes e discussões em todo o mundo. O brasileiro é hoje um dos rostos do UFC, ao lado de Islam Makhachev e Tom Aspinall.

Para Chimaev, desafiá-lo faz todo sentido — em termos de marketing.

Mas, como Allen aponta, há uma linha tênue entre buscar desafios legítimos e usar o nome dos outros para se manter relevante. “Não acho que ele vai conseguir essa luta agora. Ele precisa construir o legado na nossa divisão primeiro”, afirmou o americano.

Entre o octógono e o microfone

É impossível negar o impacto que Chimaev tem fora do octógono. Desde que estreou no UFC, em 2020, ele se tornou uma das maiores estrelas do esporte — não apenas por suas vitórias, mas pelo carisma agressivo, o jeito impulsivo e a autoconfiança quase arrogante.

Sua frase icônica “Smash everybody” virou mantra entre fãs e memes nas redes. Seu estilo de luta, baseado em grappling sufocante e explosões curtas em pé, é uma mistura de técnica e brutalidade.

Mas há também o outro lado: a dificuldade em manter consistência. Problemas de peso o afastaram do título dos meio-médios, e longos períodos sem lutar colocaram dúvidas sobre seu comprometimento com o cronograma da organização.

Para muitos analistas, Chimaev ainda não enfrentou o tipo de adversário que testaria sua resistência e sua capacidade de reagir em situações adversas. Dricus Du Plessis foi dominado, mas mostrou que, em pé, Chimaev ainda é vulnerável a golpes curtos e chutes baixos.

Allen, que enfrentará Reinier de Ridder como substituto de Anthony Hernandez no UFC Vancouver, parece enxergar nesse contexto uma oportunidade de se afirmar como o verdadeiro desafiante ao cinturão. “Se ele quer se provar, que defenda o título. Eu estou aqui, e há outros também. Não é hora de brincar de superluta.”

O jogo político do UFC e o papel de Brendan Allen

O comentário de Allen também reflete uma leitura precisa do momento político dentro do UFC. O campeão dos médios está em posição vulnerável: entre a pressão de enfrentar oponentes legítimos e o apelo financeiro de superlutas.

Enquanto isso, lutadores dos médios tentam manter o foco esportivo vivo — a noção de que a próxima disputa de cinturão deve ser conquistada, não negociada. Com o UFC retornando ao Canadá, Allen tem a chance de se firmar como o próximo desafiante. Uma vitória convincente sobre Reinier de Ridder pode colocá-lo em posição privilegiada, especialmente se Chimaev seguir mirando desafios fora da categoria.

No final, o octógono é a melhor forma de provar que alguém está errado.