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Hulk se encontra com Marcão; até onde craque pode levar o Fluminense?

O empate por 3 a 3 com o Athletico-PR deixou um gosto amargo no Fluminense. O time esteve duas vezes à frente no placar, sofreu o empate nos acréscimos e perdeu a chance de conquistar três pontos importantes na Arena da Baixada.

Ainda assim, uma notícia foi especialmente positiva para o Tricolor: Hulk está cada vez mais à vontade. O atacante foi o principal nome do Fluminense em Curitiba. Marcou um golaço de fora da área e participou da jogada que terminou no gol de Ignácio. Mais do que os números, assumiu a responsabilidade em uma partida na qual o time encontrou dificuldades para construir.

É justamente isso que mudou.

Hulk deixou a fase de adaptação para trás

Quando chegou ao Fluminense, Hulk precisou de tempo para entender um novo ambiente, novos companheiros e uma dinâmica diferente daquela que conhecia no Atlético-MG. Agora, a adaptação parece superada.

Em 11 partidas pelo clube, soma quatro gols e duas assistências. Sob Marcão, participou diretamente de um gol em cada um dos quatro jogos disputados até aqui.

A sequência é significativa porque mostra um atacante mais envolvido com o funcionamento da equipe e, ao mesmo tempo, mais confortável para assumir o protagonismo. Contra o Athletico, isso ficou evidente.

O Fluminense teve dificuldades para manter a bola no campo ofensivo durante parte do jogo, e Hulk foi quem mais tentou quebrar essa lógica. Procurou a finalização, chamou a responsabilidade e encontrou soluções quando o coletivo não funcionava tão bem.

Marcão encontrou uma maneira de potencializá-lo

O momento de Hulk também coincide com a chegada de Marcão. O treinador conseguiu estabelecer um ambiente no qual o camisa 7 parece mais solto para participar das jogadas e ocupar diferentes espaços do ataque.

Isso é importante porque Hulk não precisa necessariamente ficar preso à área para ser decisivo. Sua força física permite proteger a bola, enquanto a qualidade na finalização faz com que qualquer espaço próximo da área possa se transformar em perigo. Quanto mais liberdade tiver para aparecer nesses setores, mais difícil fica para a defesa adversária prever seus movimentos.

Marcão parece ter entendido isso.

Fluminense não pode depender só dele

O crescimento de Hulk resolve parte do problema, não todos. Contra o Athletico, Ganso precisou recuar em diversos momentos para ajudar na construção e na marcação, enquanto os atacantes ficaram mais isolados. O resultado foi um Fluminense que encontrou dificuldade para produzir coletivamente, principalmente no primeiro tempo.

Quando isso acontece, a equipe naturalmente procura Hulk.E ele respondeu. O risco é transformar essa resposta em dependência.

Um Fluminense forte precisa fazer com que Soteldo, Canobbio, Ganso e os jogadores que chegam de trás também participem da criação. Hulk deve ser o jogador que decide as jogadas, não aquele que precisa criá-las e resolvê-las sozinho.

Quanto mais opções o time oferecer, maior será o impacto do camisa 7.

A lesão de John Kennedy aumenta sua importância

A evolução de Hulk ganhou ainda mais peso depois da lesão de John Kennedy. O atacante, artilheiro do Fluminense na temporada, sofreu uma entorse grave no joelho direito e ficará fora da reta final de 2026. Com isso, o time perdeu uma de suas principais referências ofensivas justamente no momento mais importante do calendário.

Hulk não precisa ocupar individualmente o espaço deixado por John Kennedy. Mas terá de assumir uma parcela maior da responsabilidade pelos gols e pelas decisões.

Até agora, tem feito isso.

O teste será maior nas próximas semanas

É justamente por isso que o bom momento de Hulk chega em uma hora tão importante. O Fluminense vem de quatro partidas sem perder e mostrou poder de reação em jogos recentes. Agora, terá pela frente uma sequência que pode definir o tamanho da temporada.

Além da disputa pelo Brasileirão, o Tricolor enfrentará o Platense nas quartas de final da Libertadores. O nível de exigência aumenta.

Em jogos desse tamanho, uma jogada individual pode decidir uma classificação. Ter um jogador capaz de transformar uma pequena oportunidade em gol representa uma vantagem enorme.

Mas o Fluminense precisará entregar mais do que entregou contra o Athletico. A equipe não pode passar longos períodos sem conseguir controlar o jogo e esperar que Hulk resolva tudo.

Até onde esse Hulk pode levar o Fluminense?

Essa é a parte mais interessante. O camisa 7 não vai corrigir sozinho os problemas defensivos, a dificuldade de construção ou a necessidade de encontrar um funcionamento coletivo mais estável.

Mas jogadores decisivos mudam o teto de uma equipe.

Se Hulk mantiver esse nível, o Fluminense passa a ter uma arma capaz de decidir partidas equilibradas, mudar o roteiro de confrontos difíceis e aproveitar momentos que outros jogadores talvez não consigam transformar em gol.

A idade exige cuidado com a minutagem e com a carga física. Aos 40 anos, administrar sua utilização será tão importante quanto encontrar as melhores maneiras de explorá-lo.

Marcão parece ter encontrado o caminho para tirar mais do craque. Agora, cabe ao restante do time acompanhar esse crescimento. O Fluminense ainda tem ajustes a fazer, mas uma coisa mudou nas últimas semanas: quando o jogo aperta, existe alguém disposto a assumir a responsabilidade.

Hulk se encontrou com Marcão. E, se o Fluminense conseguir colocar esse Hulk em condições de decidir nos grandes jogos, o teto do time na reta final pode ser bem mais alto do que parecia algumas semanas atrás.

FOTO: MARINA GARCIA / FLUMINENSE F.C. / DIVULGAÇÃO