Liverpool
Futebol Premier League UEFA Champions League

Um vislumbre do futuro? Liverpool dá show na Champions mesmo com lesão de Isak

A noite de quarta-feira foi de coragem e ousadia para o técnico Arne Slot. Sob pressão após quatro derrotas consecutivas, o comandante do Liverpool surpreendeu ao deixar Mohamed Salah no banco e alterar o esquema tático da equipe contra o Eintracht Frankfurt. O risco era enorme, mas o resultado foi ainda maior: uma vitória convincente por 5 a 1 e um desempenho que pode marcar o início de uma nova fase dos Reds.

A grande novidade foi a dupla de ataque formada por Alexander Isak e Hugo Ekitike, escalados juntos pela primeira vez. O plano funcionou perfeitamente — o Liverpool dominou as ações, criou inúmeras chances e viu Ekitike brilhar contra o ex-clube, marcando um dos gols da goleada em Anfield.

No entanto, nem tudo foi festa. Isak deixou o campo no intervalo após sentir dores na virilha. “Ele precisou sair no intervalo porque sentiu um incômodo. É uma pena, mas é difícil achar o equilíbrio certo com um jogador que ficou três meses fora”, explicou Slot à TNT Sports. “Esperamos que não seja nada grave.”

Mudanças ousadas e um sistema promissor

A escolha de Slot levantou curiosidade entre torcedores e analistas. Como funcionaria o Liverpool com dois centroavantes e sem Salah desde o início? A resposta veio em campo, com uma atuação ofensiva que encantou. Fora de posse, o Liverpool se organizava num 4-4-2 compacto. Quando tinha a bola, o desenho mudava para um fluido 3-2-5, com Cody Gakpo e Jeremie Frimpong (depois substituído por Conor Bradley) dando amplitude pelos lados.

Isak atuou mais pela esquerda, Ekitike centralizado e Florian Wirtz flutuando pela direita — os três se revezando constantemente nas movimentações ofensivas. O resultado foi uma equipe leve, criativa e letal. “Foi uma atuação cheia de boas associações e sinais de evolução”, analisou o jornalista tático Umir Irfan. “Pode ser o início da identidade que Slot busca para o Liverpool, mesmo que custe o espaço de alguns nomes consagrados.”

Defensivamente, ainda houve falhas. O Eintracht abriu o placar num contra-ataque veloz, expondo a fragilidade dos Reds, que já sofreram 18 gols em 13 jogos nesta temporada. Ainda assim, o time reagiu de forma avassaladora, virando o jogo com autoridade e marcando cinco vezes com cinco jogadores diferentes.

Ataque mortal, defesa em construção

A nova formação trouxe o melhor de um ataque que parecia estagnado. O pressing alto voltou a funcionar, e a movimentação de Ekitike foi elogiada até pelos ex-jogadores que comentaram a partida. “Ele foi o melhor em campo”, disse Owen Hargreaves. “Tem que ser titular fixo. É um jogador completo, elegante, e está em todo lugar.”

Stephen Warnock, ex-lateral dos Reds, destacou que o novo sistema ainda precisa de ajustes defensivos, mas viu sinais positivos. “É normal que existam falhas no início. Fora de casa é ainda mais difícil se adaptar, mas o time mostrou personalidade. Szoboszlai e Curtis Jones foram excelentes, tanto com a bola quanto na recomposição.”

O técnico Slot, por sua vez, parece disposto a insistir na ideia. “Talvez esse seja o sistema para o futuro”, afirmou após o jogo. Com a intensidade e a movimentação ofensiva em alta, o treinador pode ter encontrado uma nova forma de equilibrar juventude e talento sem depender tanto dos velhos pilares do elenco.

Salah perde espaço — mas pode ganhar uma nova chance

Deixar Mohamed Salah no banco foi, sem dúvida, a decisão mais corajosa da noite. O egípcio, que marcou 52 gols na Champions League — mais que todo o elenco atual somado —, vive um início de temporada abaixo das expectativas, com apenas dois gols na Premier League em oito partidas.

Quando entrou nos minutos finais, Salah mostrou ansiedade e tentou resolver sozinho, finalizando de ângulos difíceis e ignorando companheiros melhor posicionados. “Talvez Slot queira provocá-lo, deixá-lo com raiva para reagir”, sugeriu Hargreaves. “Não é uma má estratégia. Agora o Liverpool tem opções.”

Warnock foi além: “Salah não está em seu melhor momento, e o jogo contra o Frankfurt mostrou que o time pode funcionar sem ele. Isso é importante com a Copa Africana chegando. Foi um teste de como será jogar sem Salah — e deu certo.”

Um novo começo para o Liverpool em meio às incertezas

O desempenho de Isak e Ekitike juntos durou apenas 45 minutos, mas deixou uma ótima impressão. Andy Cole, ex-atacante do Manchester United, elogiou a combinação. “Eles são jovens, rápidos, habilidosos e ousados. Podem causar estragos se jogarem juntos com frequência.”

Agora, com a lesão de Isak e a ausência de Frimpong por algumas semanas, Slot precisará ajustar novamente seu time. A boa notícia é que o Liverpool parece ter redescoberto seu ritmo e confiança.

O desafio será manter esse padrão no fim de semana, quando os Reds enfrentam o Brentford pela Premier League. Com Salah buscando se reafirmar e Ekitike em alta, o Liverpool pode ter encontrado não só a vitória que precisava, mas também um vislumbre promissor do futuro sob o comando de Arne Slot.