A luta entre Virna Jandiroba e Mackenzie Dern, marcada para o próximo sábado (25), no UFC 321, promete ser muito equilibrada. O confronto não apenas vale o cinturão vago do peso-palha feminino, como também representa uma revanche direta do combate ocorrido em dezembro de 2020, no UFC 256, quando Mackenzie Dern saiu vitoriosa por decisão unânime.
Cinco anos depois, o cenário é completamente diferente. Jandiroba vive o auge de sua carreira e chega à disputa em uma sequência impressionante, enquanto Dern, apesar de manter sua fama de finalizadora, apresenta um retrospecto mais irregular.
Virna Jandiroba acredita profundamente que desta vez pode sair com o cinturão, e há razões sólidas, técnicas, físicas e mentais, para sustentar essa confiança. E é justamente isso que vamos abordar, inclusive concordando com ela.
Desde a derrota para Dern, Virna evoluiu em praticamente todos os aspectos de seu jogo. De lá para cá, conquistou seis vitórias em sete lutas, está invicta há cinco confrontos consecutivos e vem de triunfos expressivos contra adversárias de elite, como Amanda Lemos e Yan Xiaonan, ambas ex-desafiantes ao título.
Essas vitórias não apenas consolidaram sua posição no topo do ranking, mas também provaram que Jandiroba conseguiu adaptar e expandir seu estilo. Seu jiu-jitsu, já reconhecido como de altíssimo nível, tornou-se mais estratégico, com maior controle posicional e transições inteligentes.
Além disso, sua trocação evoluiu o suficiente para permitir que ela se mantenha competitiva em pé, usando golpes limpos para abrir espaço para suas quedas, algo que antes não fazia com tanta eficiência.
A confiança de Virna é um reflexo direto desse amadurecimento técnico e psicológico. No UFC 256, ela enfrentava uma Mackenzie mais experiente no palco grande, ainda em busca de se firmar no cenário internacional. Agora, Jandiroba chega como uma atleta completa, acostumada a lutas principais e dona de um ritmo de combate muito mais calculado.
Contra Yan Xiaonan, por exemplo, Jandiroba demonstrou controle tático notável: manteve a calma, encurtou a distância no momento certo e dominou as ações no solo, neutralizando completamente uma das melhores trocadoras da divisão. Esse tipo de performance dá a ela a convicção de que pode aplicar o mesmo plano de luta sobre Mackenzie, que ainda apresenta brechas defensivas na trocação e no jogo de grade.

O duelo entre Jandiroba e Dern pode virar um jogo de xadrez
Tecnicamente, o confronto entre as duas é fascinante. Ambas são especialistas no solo, mas há diferenças importantes em seus estilos. Mackenzie Dern tem um jiu-jitsu explosivo e criativo, buscando finalizações a partir de transições rápidas, mesmo de posições aparentemente desfavoráveis.
Já Virna Jandiroba trabalha com pressão e controle, preferindo dominar o espaço antes de atacar. Essa distinção pode ser decisiva: enquanto Dern costuma se arriscar para tentar encerrar lutas rapidamente, Jandiroba aprendeu a ser paciente e estratégica, controlando o tempo da luta e desgastando as oponentes antes de buscar a finalização. No MMA atual, essa abordagem tende a ser mais eficiente, especialmente em lutas de cinco rounds, como é o caso dessa disputa de cinturão.
Outro fator que reforça a crença de Virna em sua vitória é o momento distinto das duas. Mackenzie Dern, embora venha de duas vitórias consecutivas (incluindo uma finalização sobre Amanda Ribas), soma cinco triunfos e quatro derrotas desde 2020, demonstrando certa instabilidade.
Em várias dessas derrotas, ficou evidente sua dificuldade em lidar com adversárias que conseguem impor volume em pé e neutralizar suas quedas. Lutas contra Marina Rodriguez e Yan Xiaonan expuseram exatamente essas limitações, e são brechas que Virna, agora muito mais confiante e bem condicionada, certamente tentará explorar.
Além disso, Dern ainda apresenta vulnerabilidades em seu wrestling ofensivo, dependendo muitas vezes de puxadas de guarda para levar a luta ao chão, o que pode ser arriscado contra uma grappler com base tão sólida quanto a de Jandiroba.
Para vencer, Virna sabe que precisará seguir um plano claro: ditar o ritmo desde o início, evitar as trocas longas em pé e buscar o controle posicional no solo. Sua estratégia ideal passa por pressionar Dern contra a grade, trabalhar quedas bem cronometradas e, uma vez no chão, usar o ground and pound para abrir espaço e pontuar.
O objetivo deve ser cansar Mackenzie, forçando-a a lutar em desvantagem física e emocional. Diferentemente de 2020, Jandiroba tem hoje o preparo físico e mental para manter esse tipo de plano durante cinco rounds inteiros, sem perder intensidade.
Outro elemento poderoso é o fator psicológico. A revanche carrega um peso emocional, e Virna parece ter transformado isso em motivação. Ela já declarou que aquela primeira derrota foi um divisor de águas, e que desde então trabalha todos os dias para não repetir os mesmos erros.
Agora, com o cinturão em jogo, o combustível para a ‘Carcará’ é ainda maior. Além disso, a baiana demonstra serenidade, fruto da experiência adquirida em anos de treinos e vitórias duras, e essa calma pode ser crucial para resistir aos momentos de perigo que inevitavelmente surgirão diante de uma finalizadora como Dern.
Virna Jandiroba acredita que pode vencer porque chega ao UFC 321 no ponto mais alto de sua carreira: fisicamente afiada, tecnicamente completa e mentalmente preparada. Ela evoluiu desde a primeira luta, enquanto Mackenzie, apesar de ainda ser uma ameaça, mostrou que pode ser vencida quando forçada a sair do seu jogo ideal.
Se Jandiroba conseguir impor seu ritmo, controlar o solo e evitar erros de transição, tem todas as ferramentas necessárias para não apenas vencer a revanche, mas também se tornar a nova campeã peso-palha do UFC.
A noite de 25 de outubro pode muito bem marcar o ápice da jornada de uma lutadora que transformou cada derrota em aprendizado e agora, finalmente, está pronta para conquistar o topo.
(Imagem de capa: Divulgação UFC)