A fase turbulenta da Juventus ganhou um novo capítulo neste fim de semana. Em Roma, a Velha Senhora foi superada pela Lazio por 1 a 0 e ampliou sua sequência negativa para oito jogos sem vitória na Serie A. O time comandado por Igor Tudor até teve mais posse de bola, mas voltou a esbarrar em velhos problemas: lentidão na transição ofensiva, pouca criatividade e dificuldade para reagir depois de sair atrás.
O gol de Toma Basic, ainda no início, definiu o placar e expôs, mais uma vez, a fragilidade emocional e tática de um elenco que parece distante do padrão competitivo que marcou a Juventus em outros tempos.
O jogo
A Lazio começou o jogo com intensidade e aproveitou o ambiente favorável no Estádio Olímpico para tomar a iniciativa. Logo aos nove minutos, a pressão alta surtiu efeito: a equipe recuperou a bola no campo ofensivo, e Toma Basic, posicionado entre as linhas, recebeu e finalizou com precisão no canto do goleiro. Foi um golpe rápido e certeiro, que colocou os donos da casa em vantagem e deixou a Juventus desorganizada.
A partir daí, a Velha Senhora tentou reagir por meio da posse de bola, mas mostrou as mesmas limitações vistas nas últimas rodadas. O meio-campo teve dificuldade para acelerar o jogo e conectar o ataque. Vlahovic e Jonathan David, isolados na frente, pouco participaram, e as laterais — tradicionalmente um ponto forte do time em outros ciclos — não conseguiram dar amplitude suficiente.
A Lazio, por sua vez, manteve o controle emocional e recuou as linhas, apostando em transições rápidas com Isaksen e Zaccagni para explorar os espaços deixados na retaguarda bianconera.
A Juventus terminou o primeiro tempo com mais posse, mas com apenas duas finalizações certas, ambas sem grande perigo para o goleiro Provedel. A impressão era de uma equipe previsível, sem movimentos coordenados e sem alternativas quando as jogadas pelos lados eram bloqueadas.
O cenário não mudou muito na volta do intervalo. Tudor tentou aumentar a agressividade do time, adiantando as linhas e dando mais liberdade a Cambiaso e Francisco Conceição pelos flancos. A estratégia até empurrou a Lazio para o próprio campo, mas o domínio territorial não se traduziu em efetividade. Faltava clareza nas ideias ofensivas e coordenação entre os setores.
David, visivelmente frustrado, tentava resolver individualmente, enquanto Vlahovic permanecia encaixotado entre os zagueiros biancocelesti. O meio-campo, sem um articulador natural, sofria para criar superioridades numéricas, e as poucas chances vieram de bolas paradas.
Sem identidade, Juventus sofre na temporada
O maior problema da Juventus neste momento é estrutural. A equipe parece desconectada das ideias de Igor Tudor e carece de uma identidade clara dentro de campo. O treinador croata tenta implementar um sistema baseado em posse, amplitude e intensidade, mas o elenco, montado para um estilo mais direto e reativo, ainda não se adaptou.
Falta compactação entre as linhas e coordenação nas fases defensiva e ofensiva. Quando a equipe avança, o bloco se parte e deixa buracos para o adversário transitar. E quando recua, tem dificuldade em sair jogando. O time, que outrora era símbolo de solidez e equilíbrio, hoje vive de lampejos individuais.
Outro ponto preocupante é a falta de liderança dentro de campo. McKennie e Koopmeiners, teoricamente os pilares do meio, não conseguem assumir o papel de organizadores. A ausência de um camisa 10 clássico é notável — e faz o ataque depender demais de jogadas pelas pontas.
A Lazio, por outro lado, fez o que o jogo pedia. Maurizio Sarri armou a equipe em um 4-3-3 compacto, com Basic, Guendouzi e Cataldi controlando o meio. A equipe foi sólida sem a bola, ocupando bem os espaços e reduzindo as opções de passe da Juve. Quando recuperava, atacava com rapidez e verticalidade, aproveitando a velocidade de Zaccagni e Isaksen.
A linha defensiva, com Romagnoli e Gila, foi precisa nas coberturas, e Provedel teve atuação segura nas bolas aéreas — um ponto que se tornou crucial nos minutos finais, quando a Juventus apostou em cruzamentos desesperados. Sarri, que vinha sendo criticado pela irregularidade da equipe, mostrou que, mesmo com elenco limitado, é capaz de montar um sistema competitivo contra rivais de maior investimento.
Com o novo tropeço, a Juventus segue estagnada no meio da tabela, com apenas 12 pontos e oito partidas sem vitória. A pressão sobre Igor Tudor aumenta, e a falta de evolução coletiva preocupa. A equipe parece sem confiança e sem mecanismos de criação, algo que compromete não apenas o desempenho, mas também o ambiente interno.
Mais do que o resultado, o que preocupa é a ausência de um plano de jogo claro. A Juventus, que por anos foi referência em consistência e competitividade, hoje é um time que não sabe se defender bem nem atacar com convicção. Enquanto isso, a Lazio, com a vitória, alcança os 11 pontos e ganha fôlego na tentativa de se aproximar da zona de competições europeias.
(Foto: Getty Images)


