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UFC 321: revanche pela frente e os desafios da nova rainha dos palhas; confira o matchmaking do evento

O UFC 321 deixou o octógono cheio de histórias, mas também de dúvidas. O evento, que prometia movimentar as categorias dos pesados e dos palhas femininos, terminou de forma agridoce: uma luta principal interrompida por um acidente infeliz e uma nova campeã coroada em uma das divisões mais competitivas da organização.

Agora, o trabalho de matchmaking de torna fundamental para manter o ritmo das narrativas que o evento produziu. E, a julgar pelo que vimos em Abu Dhabi, o UFC terá decisões importantes pela frente nos próximos meses.

Aspinall x Gane: a luta inacabada que ganha um novo capítulo

A luta principal entre Tom Aspinall e Ciryl Gane terminou de maneira anticlimática. Um evento que prometia definir de vez o futuro da divisão dos pesados terminou com um “no contest” (sem resultado) após um golpe acidental no olho de Aspinall, causado por Gane, encerrar o combate de forma precoce. O resultado, compreensivelmente, gerou frustração tanto entre os fãs quanto nos bastidores do UFC, que planejava usar esse confronto como o divisor de águas da categoria.

O desfecho, porém, abre espaço para um novo cenário: uma revanche inevitável. Dana White, presidente do UFC, ainda não fez um anúncio oficial, mas fontes próximas à organização já indicam que o plano é reagendar Tom Aspinall x Ciryl Gane para 2026, assim que o inglês estiver totalmente recuperado da lesão ocular.

Aspinall, que vinha de uma sequência dominante e era considerado o rosto da nova geração dos pesados, saiu visivelmente frustrado, mas mantém seu status de elite. Gane, por sua vez, volta a ser questionado. Embora o francês tenha mostrado bom ritmo antes do incidente, o “fantasma” das atuações inconsistentes em lutas grandes ainda paira sobre ele.

A revanche será, portanto, mais do que uma nova chance de definir um vencedor: será um teste de resistência emocional para dois lutadores em momentos diferentes da carreira — Aspinall buscando afirmação como campeão legítimo e Gane tentando provar que ainda pertence ao topo da categoria.

Mackenzie Dern: a nova rainha tem parada dura na primeira defesa de seu reinado

Se a luta principal terminou sem conclusão, o co-main event foi exatamente o oposto. Mackenzie Dern teve uma das melhores performances de sua carreira ao vencer Virna Jandiroba e conquistar o cinturão dos palhas feminino (52,1 kg).

Foi um triunfo que representou mais do que uma conquista pessoal: a consagração de uma lutadora que passou por altos e baixos, mas que finalmente conseguiu unir o refinamento técnico de seu jiu-jítsu com uma maturidade mental que antes lhe faltava. Dern agora se estabelece como a principal representante do Brasil na divisão, um símbolo de renascimento dentro do MMA feminino brasileiro.

A grande questão agora é: quem será a primeira desafiante ao trono de Mackenzie Dern? O cenário é empolgante. Duas opções se desenham com clareza. A primeira é Tatiana Suarez, invicta e com um estilo de luta que casa de maneira intrigante com o de Dern. O duelo entre a força do wrestling de Suarez e o jiu-jítsu afiado da campeã seria um choque de estilos clássico — e, do ponto de vista esportivo, talvez a luta mais interessante para o futuro imediato da divisão.

Mas há também uma possibilidade ainda mais chamativa no horizonte: Weili Zhang. A chinesa, ex-campeã, enfrenta Valentina Shevchenko no UFC 322, e caso seja derrotada, pode ser a escolha perfeita para desafiar Mackenzie Dern em sua primeira defesa de cinturão.

Weili é um nome de peso comercial e técnico, e o confronto entre ela e a nova campeã seria um verdadeiro duelo de gerações — a potência física e versatilidade da chinesa contra a técnica refinada e a confiança crescente da brasileira. Em qualquer um dos casos, Dern não terá caminho fácil.

Jandiroba ainda tem moral no UFC, mas deve ter uma queda nos rankings

Do outro lado, Virna Jandiroba deve enfrentar um período de reconstrução. Apesar da derrota, a lutadora mostrou evolução no striking e não saiu desvalorizada da disputa. Ainda assim, a derrota em uma luta pelo título inevitavelmente a faz cair algumas posições no ranking.

As opções para o seu retorno ao UFC passam por nomes como Loopy Godinez e Iasmin Lucindo — duas atletas em ascensão, que fariam sentido dentro da lógica do matchmaking do UFC. Um duelo entre Jandiroba e Godinez, por exemplo, seria um teste técnico de alto nível, enquanto uma luta contra Lucindo representaria um confronto entre gerações do MMA brasileiro.

(Foto: Zuffa LLC)