A Juventus vive um dos momentos mais delicados dos últimos anos. A derrota por 1 a 0 para a Lazio, no Estádio Olímpico, com gol de Basic, foi apenas mais um capítulo de uma sequência preocupante: o time não vence desde o triunfo sobre a Inter de Milão, em meados de setembro. Desde então, entre Serie A e Champions League, os bianconeri acumularam cinco empates consecutivos e três derrotas seguidas. O último gol marcado foi de Conceição, há cerca de um mês, contra o Villarreal.
A fase ruim custou caro ao técnico Igor Tudor, demitido no dia seguinte à derrota para a Lazio. Agora, a diretoria da Juventus busca um nome capaz de resgatar o espírito competitivo da equipe, e Luciano Spalletti aparece como o principal favorito para assumir o comando.
O estilo Spalletti e o que esperar da Juventus
Luciano Spalletti, campeão italiano com o Napoli em 2023 e ex-técnico da seleção da Itália, é conhecido por seu estilo ofensivo e por dar identidade tática clara às suas equipes. Se realmente assumir a Juventus, é quase certo que implantará o seu sistema preferido: o 4-2-3-1, que marcou sua carreira em clubes como Roma, Inter e Napoli.
A ideia seria devolver fluidez e intensidade ao meio-campo, explorando a verticalidade e a capacidade de criação dos pontas e meias. A formação idealizada pelo treinador poderia ter Di Gregorio no gol; Joao Mario, Gatti, Kalulu e Cambiaso formando a defesa; Locatelli e Thuram como volantes de construção; e, mais à frente, um trio de meias ofensivos com Conceição, Jonathan David e Yildiz, sustentando Vlahovic como referência central.
Esse esquema, além de potencializar o poder ofensivo, exige movimentação constante e inteligência tática, duas características que Spalletti sempre valorizou em seus times. Com ele, jogadores como Vlahovic e Yildiz poderiam crescer, assim como David, caso confirme a transferência para o clube.
Um novo desafio após a seleção italiana
Spalletti está livre no mercado desde sua saída da seleção italiana. O técnico foi demitido pela Federação em meio às Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026, após uma derrota por 3 a 0 para a Noruega. Embora a Itália ainda dispute vaga no torneio, a diretoria considerou que o rendimento estava abaixo do esperado.
O treinador anunciou sua despedida em coletiva, explicando que deixaria o cargo após o jogo seguinte — uma vitória por 2 a 0 sobre a Moldávia. Foi um fim melancólico para uma passagem curta, mas marcada por um desgaste interno com os dirigentes e críticas à falta de renovação na equipe.
De volta ao radar dos grandes clubes, Spalletti vê na Juventus a oportunidade ideal para retomar sua trajetória vitoriosa. Ele é visto como um técnico capaz de unir pragmatismo e espetáculo, duas qualidades que a Velha Senhora tem perdido nas últimas temporadas.
Um projeto em reconstrução
Caso a negociação avance, Spalletti herdará um elenco em transição, que mescla jovens promissores e jogadores experientes que ainda buscam reencontrar o melhor futebol. A Juventus, que tenta reconstruir sua identidade após anos de instabilidade técnica e administrativa, precisa de um comandante que ofereça clareza tática e mentalidade vencedora.
O 4-2-3-1 de Spalletti poderia trazer de volta a solidez defensiva e o dinamismo ofensivo que marcaram as grandes fases do clube. A torcida, cansada da irregularidade, enxerga no técnico toscano a esperança de ver novamente uma Juve protagonista — capaz de competir com Inter, Milan e Napoli tanto no campeonato nacional quanto na Champions.
Ainda não há definição sobre a escolha, mas o nome de Spalletti, pela experiência e pelo perfil de liderança, surge como o mais forte candidato para recolocar a Juventus no caminho das vitórias. Se a diretoria confirmar o acerto, o desafio será grande — mas, como o próprio treinador costuma dizer, “os projetos mais difíceis são os que mais valem a pena”.

