A seleção da Itália pode estar prestes a iniciar uma nova era. Com Andrea Pirlo muito próximo de assumir o comando técnico da Azzurra, cresce a expectativa sobre como o ex-meio-campista pretende colocar em prática suas ideias de jogo. Livre no mercado e apoiado por Paolo Maldini, novo diretor técnico da Federação Italiana, o treinador aparece como favorito para liderar o projeto que busca recolocar a equipe na Copa do Mundo.
Conhecido pela inteligência dentro de campo durante a carreira como jogador, Pirlo também construiu uma filosofia de jogo própria como treinador. Desde que iniciou sua trajetória à beira do gramado, passou por Juventus e Sampdoria, alternando formações e adaptando seu modelo conforme as características do elenco disponível.
Mais do que um esquema fixo, Pirlo costuma defender um futebol baseado na ocupação dos espaços, na posse de bola e na mobilidade dos jogadores. Caso seja confirmado como novo técnico da Itália, essas ideias devem servir como ponto de partida para um novo ciclo da seleção.
Pirlo prioriza posse de bola e um sistema tático flexível
A filosofia de Andrea Pirlo ficou bastante conhecida ainda em 2020, quando apresentou sua monografia no curso de treinadores de Coverciano. No documento, o ex-volante explicou que deseja equipes protagonistas, com posse de bola, postura ofensiva e participação ativa de todos os jogadores tanto na defesa quanto no ataque.
Segundo o treinador, o mais importante não é a formação inicial desenhada no papel, mas sim a maneira como os atletas ocupam os espaços durante a partida. A ideia é que a equipe consiga modificar seu posicionamento naturalmente entre os momentos ofensivos e defensivos, tornando o sistema muito mais dinâmico.
Esse conceito foi bastante debatido durante sua passagem pela Juventus. Embora os resultados tenham dividido opiniões, Pirlo nunca abriu mão da ideia de um futebol “fluido”, em que os jogadores trocam constantemente de função de acordo com a necessidade da partida.
Modelos de jogo seguem grandes referências do futebol europeu
Na própria monografia, Pirlo revelou quais treinadores e equipes influenciaram sua visão de futebol. Entre as principais referências estão o Barcelona de Johan Cruyff, o Barcelona de Pep Guardiola, o Ajax comandado por Louis van Gaal, o Milan de Carlo Ancelotti e a Juventus de Antonio Conte.
A principal característica em comum entre esses times é justamente o controle da partida através da posse de bola, da movimentação constante e da pressão para recuperar rapidamente a bola após a perda.
Na prática, porém, Pirlo mostrou que sabe adaptar suas ideias. Ao longo da carreira como treinador, utilizou principalmente o 4-3-3 e o 4-1-4-1, mas também recorreu ao tradicional 3-5-2 quando precisava de maior segurança defensiva, tanto na Juventus quanto na Sampdoria.
Defesa pode funcionar como uma linha de três disfarçada
Uma das principais marcas do futebol de Pirlo é a chamada “defesa de três mascarada”. Embora o time seja escalado inicialmente com quatro defensores, durante a fase ofensiva um dos laterais avança bastante, enquanto o outro permanece mais recuado e passa a atuar praticamente como um terceiro zagueiro.
Esse movimento permite que a equipe tenha superioridade numérica na saída de bola e, ao mesmo tempo, mantenha proteção contra contra-ataques.
Caso assuma a seleção italiana, Pirlo terá um desafio importante para montar esse setor. Assim como aconteceu nas passagens de Luciano Spalletti e Gennaro Gattuso, a abundância de defensores canhotos exige escolhas difíceis.
Nomes como Alessandro Bastoni, Riccardo Calafiori e Federico Dimarco disputam espaço na equipe titular. Uma alternativa seria utilizar Dimarco mais avançado pelo lado esquerdo, liberando Calafiori para atuar como lateral que fecha por dentro e transforma o sistema em uma linha de três durante a posse.
Pontas, meias e atacantes oferecem diferentes possibilidades
No setor ofensivo, Pirlo costuma valorizar jogadores capazes de vencer duelos individuais pelos lados do campo. Quando não possui pontas com esse perfil, adapta a equipe utilizando laterais mais ofensivos e um ou dois meias atuando atrás do centroavante.
A Itália vive justamente um momento de renovação nessas posições. Enquanto jovens como Liberali, Koleosho e Inacio ainda buscam espaço, jogadores mais experientes aparecem como candidatos naturais para ocupar essas funções.
Federico Chiesa pode ser um dos principais beneficiados pela chegada de Pirlo. Os dois possuem boa relação desde os tempos de Juventus, e o atacante pode recuperar protagonismo na seleção. Além dele, Dimarco, Politano, Nicolò Zaniolo, Daniel Maldini e Giacomo Raspadori também surgem como opções para atuar pelos lados ou mais centralizados.
Já no comando de ataque, o cenário é diferente. A Itália conta com várias alternativas para a posição de centroavante.
Moise Kean e Francesco Pio Esposito aparecem como os nomes mais fortes para iniciar esse novo ciclo, mas Mateo Retegui e Gianluca Scamacca também seguem na disputa. Além deles, Raspadori pode exercer a função em determinadas partidas, enquanto jovens como Francesco Camarda e Ekhator despontam como opções para o futuro.
Provável escalação da Itália de Andrea Pirlo
Levando em consideração as características do elenco atual e as ideias apresentadas por Pirlo ao longo da carreira, a seleção italiana pode atuar com uma formação que muda bastante durante a partida.
Na fase ofensiva, o time teria uma saída de três jogadores na defesa, com um lateral avançando bastante e outro permanecendo mais preso. Já sem a bola, o sistema pode se transformar em um 5-2-3 para aumentar a proteção defensiva.
A formação inicial projetada seria:
Donnarumma; Palestra, Mancini, Bastoni e Calafiori; Chiesa, Tonali, Barella e Dimarco; Moise Kean e Pio Esposito.
Nesse modelo, Calafiori fecharia como terceiro zagueiro quando a equipe tivesse a posse, enquanto Palestra teria liberdade para apoiar constantemente pelo lado direito. Chiesa e Dimarco seriam responsáveis por dar amplitude ao ataque, com Tonali e Barella comandando o meio-campo.
No setor ofensivo, Kean teria maior mobilidade para atacar os espaços e participar da recomposição defensiva quando necessário, enquanto Pio Esposito atuaria como referência na área para finalizar as jogadas e servir de apoio nos contra-ataques.
Caso Andrea Pirlo seja oficialmente anunciado como novo treinador da Itália, a expectativa é que a Azzurra passe por uma transformação tática importante. O objetivo será montar uma equipe protagonista, baseada na posse de bola, na movimentação constante e na versatilidade dos jogadores, buscando recolocar a seleção entre as principais potências do futebol mundial e garantir o retorno à Copa do Mundo.
REUTERS/Alberto Lingria



