Após o UFC Vegas 110, vários lutadores estão ocupando novos lugares em suas carreiras. Steve Garcia e Waldo Cortes-Acosta saem fortalecidos de Las Vegas, enquanto David Onama e Ante Delija precisam redefinir seus próximos passos. O matchmaking agora é o centro da conversa.
Confira o que o UFC deve fazer nas próximas lutas das principais estrelas do evento.
Garcia confirma evolução e pede passagem no top 10
Steve Garcia teve no UFC Vegas 110 a atuação mais madura de sua carreira. Encarando David Onama, o estadunidense impôs um ritmo agressivo desde o início, controlou a distância e não deu espaço para o adversário reagir. O nocaute técnico no primeiro round consolidou uma sequência de vitórias que já o coloca no radar dos ranqueados do peso-pena.
Garcia mostrou evolução não apenas técnica, mas também mental. Seu controle de tempo e pressão seletiva revelam um lutador em pleno entendimento de sua identidade dentro do octógono. E é justamente por isso que o debate agora gira em torno do próximo passo. Manter-se fora do top 10 seria desperdiçar o momento.
O nome mais interessante para esse desafio parece ser Jean Silva. O brasileiro, que recentemente sofreu revés diante de Diego Lopes, continua entre os lutadores mais perigosos da categoria. Ele combina potência, movimentação e agressividade. Para Garcia, enfrentá-lo seria o teste definitivo antes de mirar o top 5.
Silva, por sua vez, teria uma oportunidade de reabilitação imediata. Uma vitória sobre Garcia o recolocaria no jogo do ranking e apagaria a lembrança da última derrota. Além disso, é o tipo de luta que o público quer ver: dois strikers ofensivos, ritmo alto e potencial de bônus de performance.
Do ponto de vista do UFC, há lógica comercial. A organização precisa renovar as histórias dentro da divisão. Confrontos entre nomes em ascensão mantêm o público interessado sem depender apenas dos veteranos consagrados.
Onama precisa reconstruir com prudência
Se Garcia sobe, David Onama precisa recomeçar. O lutador de Uganda ainda é jovem e talentoso, mas a derrota em Las Vegas expôs fragilidades defensivas e de adaptação. Onama entrou no octógono tentando igualar o ritmo do rival, mas foi rapidamente engolido pela pressão e volume de golpes.
Sua presença no ranking não está ameaçada, mas o próximo passo precisa ser estratégico. O adversário ideal seria alguém que permita uma recuperação de confiança sem ser um passeio. Nathaniel Wood surge como a opção perfeita. O britânico, que também lutou no mesmo evento, é técnico, competitivo e está em busca de entrar no ranking.
Além disso, o duelo Wood x Onama tem o equilíbrio certo de risco e recompensa. Wood oferece um desafio de movimentação e precisão, mas não o mesmo poder de nocaute que Garcia demonstrou. Uma vitória recolocaria Onama em boa posição, enquanto uma derrota indicaria que ele ainda precisa de tempo para amadurecer dentro do top 15.
No cenário atual da divisão, onde os jovens talentos surgem em ritmo acelerado, uma escolha errada de adversário pode significar meses de estagnação. O UFC tende a proteger lutadores com potencial de mercado, e Onama, com seu estilo empolgante, ainda tem crédito suficiente para reconstruir.
Cortes-Acosta sobe para lutas grandes
No co-main event, Waldo Cortes-Acosta venceu Ante Delija e deu um salto considerável no peso-pesado. O dominicano mostrou potência, calma e inteligência para capitalizar sobre o erro do croata. O triunfo o deixa muito próximo de um confronto eliminatório por título.
O nome que surge naturalmente é Alexander Volkov. O russo vem de vitória convincente sobre Jailton Malhadinho e, apesar de estar pronto para disputar o cinturão, deve esperar a resolução da revanche entre Tom Aspinall e Ciryl Gane. Nesse intervalo, uma luta contra Cortes-Acosta manteria ambos ativos e o público interessado.
Cortes-Acosta oferece o perfil ideal de adversário: jovem, explosivo e com capacidade de tornar a luta divertida. Volkov, por outro lado, traria experiência e envergadura, o que permitiria ao dominicano provar que pode lidar com os grandes nomes da divisão. Em termos de narrativa, seria a clássica história do desafiante em ascensão enfrentando o veterano estabelecido.
O UFC costuma premiar lutadores que dizem “sim” a desafios arriscados, e Cortes-Acosta parece disposto a arriscar. Seu carisma e estilo de luta agressivo o tornaram popular rapidamente. Uma vitória sobre Volkov o colocaria como candidato direto ao cinturão, e até mesmo uma derrota competitiva o manteria relevante no topo.
Delija precisa de espetáculo para se reerguer
Para Ante Delija, a missão agora é simples: entreter e recuperar moral. O croata tem um estilo baseado na trocação franca e é exatamente isso que o público quer ver. Uma luta contra Derrick Lewis seria perfeita. Lewis continua sendo um dos nomes mais carismáticos do peso-pesado e, mesmo em fase irregular, garante visibilidade e vendas.
O duelo Delija x Lewis seria o típico confronto “striker x striker” que agrada ao público e serve de redenção para ambos. O vencedor voltaria com força; o perdedor, pelo menos, entregaria um espetáculo memorável.
Para o UFC, essa combinação faz sentido financeiro e esportivo. A organização mantém Lewis ativo, sem precisar colocá-lo em lutas de alto risco, e dá a Delija a chance de provar que pertence à elite da divisão.