O PSG viveu altos e baixos em sua derrota para o Bayern de Munique por 2 a 1 em um dos jogos mais aguardados nesta semana de UEFA Champions League. Os atuais campeões da Ligue 1 “não viram a cor da bola” durante todo o primeiro tempo e acabaram sendo dominados pelos atuais campeões da Bundesliga, que abriram dois gols de vantagem graças à Luis Díaz aos 4′ e 32′ (com uma falha completamente imperdoável do brasileiro Marquinhos), mas um cartão vermelho no início do segundo tempo mudou o panorama da partida.
A expulsão permitiu que Luis Enrique pudesse sonhar com uma reação e João Neves buscou um gol de voleio aos 24′ do segundo tempo, mas somente um gol foi marcado até o apito final, e o PSG não evitou a 16ª vitória consecutiva do Bayern de Munique, único time das cinco grandes ligas da Europa com 100% de aproveitamento.
Entenda como Kane anulou o PSG na defesa e no ataque

Grande parte do excelente desempenho do Bayern de Munique mesmo com um jogador a menos por quase 30 minutos se deveu à Harry Kane. O artilheiro não marcou gols desta vez, mas acabou sendo o melhor em campo por conta de sua contribuição tática indiscutível. Harry Kane atuou como a principal referência ofensiva, mas seu papel foi muito mais profundo do que um centroavante, sendo o ponto de articulação entre o meio-campo e o ataque.
Kane passou grande parte do jogo recuado, atuando na zona do meio-campo ofensivo em vez de ficar preso entre os zagueiros, sendo um “camisa 10”. Ao recuar, atraía um dos zagueiros do PSG para fora de posição, abrindo um buraco na linha defensiva parisiense para criar espaços de ataque para os pontas de velocidade (Luis Díaz e Olise), os quais podiam explorar as diagonais vazias. Foram necessários quatro minutos para entender a função de Kane neste jogo, pois o primeiro gol de Luis Díaz saiu através do espaço gerado na área permitindo a finalização.
Além disso, o Bayern (especialmente no primeiro tempo) utilizou a bola longa para sair da forte pressão do PSG e Kane foi crucial nessa estratégia funcionando como um pivô de excelência, recebendo a bola de costas para o gol, principalmente após lançamentos longos dos zagueiros (Upamecano ou Tah) ou do volante Kimmich. Sua capacidade de proteger a bola e distribuí-la para os jogadores em corrida (como Gnabry, Musiala ou os pontas) foi vital para a transição ofensiva, transformando a pressão ofensiva em lances de ataque perigosos.
Por fim, após a expulsão de Luis Díaz, Kane assumiu um novo papel tático contra o PSG e foi ainda mais eficaz quando passou a ficar controlando mais a posse. Sua inteligência e força física permitiram que ele sofresse diversas faltas garantindo o controle da bola, tempo para a defesa se reagrupar e pausas no ritmo imposto pelo PSG. Desta forma, o Bayern de Munique pode ficar mais convencido de que o artilheiro está se aproximando do auge tático de sua carreira, sendo muito mais do que um goleador, algo que Luis Enrique parece não ter percebido no embate válido pela quarta rodada da fase de liga.
Imagem: Getty Images