Álvaro Carreras está vivendo o melhor momento da sua carreira. O lateral-esquerdo de 21 anos, nascido em Ferrol, caiu como uma luva no Real Madrid e vem chamando atenção com atuações seguras, intensas e cheias de personalidade. Depois de se destacar no Benfica, o jovem espanhol manteve o alto nível na volta à Espanha, o que já faz muita gente se perguntar: será que ele merece uma vaga na próxima convocação da Seleção?
O problema é que o caminho até “La Roja” não é dos mais fáceis. A briga pela lateral-esquerda é pesada — e Carreras tem dois gigantes pela frente: Marc Cucurella, do Chelsea, e Álex Grimaldo, do Bayer Leverkusen. Luis de la Fuente, técnico da seleção espanhola, dificilmente levaria três jogadores para a mesma posição, o que significa que, se Carreras for chamado, alguém vai sobrar. E aí vem a grande questão: vale a pena abrir espaço para o madridista?
Os números dizem que sim — ou pelo menos que ele merece estar na conversa. Carreras vem superando seus concorrentes em alguns aspectos fundamentais do jogo moderno, especialmente na distribuição e na capacidade de construir jogadas desde a defesa.
O rei da distribuição e o motor do ataque
Quando o assunto é passe, Carreras está em outro patamar neste início de temporada. Ele tem uma média de 54,7 passes por partida, mais do que Cucurella e Grimaldo. Mas o que realmente chama atenção é o número de passes para o terço final do campo: 7,7 por jogo, uma diferença bem significativa em relação aos outros dois. Claro, é preciso lembrar que o Real Madrid costuma dominar as partidas e jogar com a linha defensiva mais alta, o que facilita um pouco esse tipo de ação. Mesmo assim, o desempenho do garoto é digno de destaque.
Ofensivamente, o domínio ainda é de Grimaldo. O lateral do Leverkusen é praticamente uma máquina de criação: lidera em cruzamentos, passes-chave, assistências, gols e até em conduções progressivas. No ataque, ninguém chega perto dele — nem Carreras, nem Cucurella. Mas entre o jogador do Real e o do Chelsea, o madridista leva vantagem.
Carreras tem números melhores em progressões com bola (1,76 contra 0,59), dribles bem-sucedidos (0,77 contra 0,08) e duelos ofensivos vencidos (1,83 contra 1,01). Ou seja, ele é mais participativo e mais perigoso quando decide partir pro ataque. Cucurella ainda é mais eficiente em passes-chave e assistências, mas a diferença é pequena — nada que tire o brilho do jovem merengue.
Carreras sólido atrás e com fome de bola
Na parte defensiva, a disputa fica mais equilibrada. Cucurella leva vantagem em alguns pontos: ele perde menos bolas, bloqueia mais finalizações e faz mais cortes por partida. A experiência do jogador do Chelsea ajuda muito nesse sentido, já que ele atua na Premier League, onde o nível físico e o ritmo são bem intensos.
Mas Carreras também não fica para trás. Ele é o que mais recupera bolas entre os três, com uma média impressionante de 9,3 por jogo — número superior aos 7,3 de Cucurella e aos 6,8 de Grimaldo. Esse dado mostra como o lateral do Real Madrid tem um senso de antecipação apurado e uma disposição enorme para pressionar e roubar a bola.
No geral, dá pra dizer que Carreras é o mais completo dos três. Ele domina na distribuição, tem presença ofensiva respeitável e, defensivamente, se mantém em bom nível. Grimaldo é o mais ofensivo, enquanto Cucurella se destaca na marcação, mas o jovem gallego equilibra as duas coisas melhor que qualquer outro.
A decisão está nas mãos de Luis de la Fuente
Agora, a bola está com o técnico Luis de la Fuente. A Espanha tem dois jogos importantes pela frente — contra a Geórgia e contra a Turquia — e o treinador precisa definir se vai manter a dupla que vem dominando a lateral esquerda há mais de um ano. Desde março de 2024, apenas Cucurella e Grimaldo foram titulares por ali. O comandante até demonstra uma certa preferência pelo jogador do Chelsea, que foi titular em 18 dos 35 jogos da “Roja” sob seu comando, incluindo partidas da Eurocopa. Grimaldo, por outro lado, começou jogando em oito oportunidades.
A chegada de Carreras, no entanto, pode mudar esse cenário. O lateral do Real Madrid é jovem, tem ritmo, qualidade com a bola e está em um clube que valoriza o jogo ofensivo — tudo o que a Seleção busca em seu estilo atual. Se o treinador quiser renovar a posição e apostar no futuro, o momento é agora.
E, convenhamos: se continuar jogando desse jeito, Carreras não vai “bater à porta” da Seleção por muito tempo — ele vai arrombar.