O UFC 322 redesenhou a divisão dos meio-médios de um jeito que poucos esperavam. Islam Makhachev, dominante no peso-leve, subiu de categoria, encarou Jack Della Maddalena e saiu do octógono com o cinturão. A transição foi imediata e eficiente, o tipo de vitória que redefine prioridades. Quando um campeão muda de divisão e já conquista o título, a fila inteira se reorganiza. E foi exatamente isso que aconteceu.
Agora, Makhachev tem vários nomes disputando espaço para desafiá-lo. Só que o próximo passo do campeão não depende apenas do que ele quer, e sim do que o UFC planeja a partir do que acontecerá no co-main event do UFC Catar. Lá, Ian Machado Garry e Belal Muhammad se enfrentam em uma luta que serve como ponte direta para o destino da categoria.
Garry ou Muhammad: o vencedor define o ritmo da divisão e o adversário de Makhachev
O UFC sabe o valor comercial que Ian Machado Garry alcançou nos últimos meses. Provocador, com forte presença de mídia e com apoio de dois países importantes no cenário da organização (Brasil e Irlanda), ele se tornou um produto que a organização gosta de promover. Se Garry vencer Muhammad no Catar, o caminho é claro: ele será o primeiro desafiante de Makhachev nos meio-médios. Não só porque seria esportivamente justificável, mas porque a narrativa está pronta. Um jovem striker ousado contra um bicampeão dominante que só perdeu uma vez na vida profissional. A história se escreve sozinha.
O cenário muda se Muhammad vencer. Belal é consistente, disciplinado, competitivo e raramente perde rounds. Mas, mesmo com esse currículo e sendo ex-campeão, ele nunca conseguiu se consolidar como uma atração. A falta de apelo de mercado pesa nas decisões da organização. Por isso, embora Muhammad tenha condições técnicas de disputar o cinturão novamente, a tendência é que o UFC procure outra solução se ele bater Garry. É aí que surge o nome de Carlos Prates.
Prates derrotou Leon Edwards no UFC 322. Esse tipo de vitória muda carreiras. Edwards era ex-campeão, ainda top contender, ainda um nome que garante relevância. Prates aproveitou a grande chance e deu um salto no ranking. Assim, se Muhammad vencer Garry, o brasileiro passa a ser um dos favoritos para enfrentar Makhachev. Ele é explosivo, ofensivo, tem estilo agressivo que combina bem com a ideia de promover lutas empolgantes. E o UFC gosta de lutas empolgantes.
Della Maddalena permanece na elite e deve ir para um title elininator contra Michael Morales
Jack Della Maddalena perdeu o cinturão que tentava construir e viu seu momento de ascensão freado. Mas a derrota para Makhachev não o jogou para baixo. Ao contrário: mostrou que ele pode competir em alto nível mesmo contra um campeão estabelecido. O UFC não deve penalizá-lo. A tendência é colocá-lo diretamente em um title eliminator.
O nome que mais faz sentido para esse papel é Michael Morales, que derrotou Sean Brady no mesmo UFC 322. Morales é jovem, talentoso, invicto e tem estilo direto. É o tipo de atleta que o UFC prepara com cuidado, empurrando na direção certa. Um duelo entre Morales e Della Maddalena resolve uma questão simples: quem realmente está pronto para entrar na linha de frente da divisão.
Além disso, é uma luta atraente. Os dois se destacam mais na parte em pé, gostam de manter o ritmo alto e têm histórico de nocautes. É combate de alto risco, mas também de alto retorno. E o vencedor sai com moral suficiente para pressionar o UFC por uma disputa de título.
Shevchenko mantém o cinturão e tem brasileira pela frente
Enquanto os meio-médios mudavam de dono, o co-main event do UFC 322 manteve o status de uma das maiores campeãs da história do evento. Valentina Shevchenko derrotou Weili Zhang e confirmou uma vez mais por que segue no topo do peso-mosca. Controlou os momentos críticos, tratou os riscos com precisão e mostrou leitura de ritmo que apenas atletas experientes possuem.
A luta seguinte da campeã já está praticamente definida. Natália Silva é o nome que ocupa essa posição de forma natural. A brasileira está invicta no UFC, termina lutas, domina adversárias e evolui a cada apresentação. Hoje, ela é a maior ameaça ao reinado de Shevchenko e o confronto é inevitável.
Weili Zhang retorna ao peso-palha
A derrota para Valentina deve empurrar Zhang de volta ao peso-palha. O caminho lá também é claro. Mackenzie Dern tomou o cinturão no UFC 321, e Zhang continua sendo uma das maiores estrelas da categoria. A luta entre elas é possível, vendável e tecnicamente atraente.
(Foto: Getty Images)