Depois de mais de dois anos afastado, Paul Pogba finalmente voltou a pisar num gramado. O nome dele voltou a aparecer na lista de convocados do Monaco para enfrentar o Rennes, e isso já bastou pra criar uma sensação de recomeço. Era como se, depois de tanto tempo no escuro, ele finalmente tivesse encontrado a luz no fim do túnel.
O francês não jogava desde 3 de setembro de 2023, quando entrou no segundo tempo da vitória da Juventus sobre o Empoli. Esse acabou se tornando o último ato antes de um período duríssimo, marcado pela suspensão por doping e por uma série de problemas físicos que atrapalharam até seus primeiros meses na França.
Agora, com o Monaco apostando nele como um renascimento na carreira, Pogba tenta reconstruir tudo o que perdeu nesse tempo. Quatro meses de contrato e zero minutos disputados até aqui, mas a história começa a mudar.
Um calvário que parecia interminável
Pogba assinou um contrato de dois anos com o Monaco, mas sempre que o momento do debut parecia perto, vinha outro problema. Logo no início, quando Adolf Hütter ainda comandava a equipe, o francês lidava com um incômodo na coxa direita que o impedia de jogar. Depois, quando Pocognoli assumiu, veio a ideia de colocá-lo em campo no começo de novembro… mas aí aconteceu mais um baque: uma entorse de segundo grau no tornozelo, que atrasou tudo novamente.
Foram semanas e semanas fora, sem conseguir estrear, acumulando uma frustração quase inevitável. Ele perdeu os jogos contra Bodo/Glimt e Lens, e o retorno parecia sempre empurrado pra frente.
Só que agora, pela primeira vez em muito tempo, o momento parecia real. O clima no clube mudou, a ansiedade virou esperança e Pogba finalmente estava pronto para dar o primeiro passo.
Da suspensão ao novo contrato
Tudo começou em 20 de agosto de 2024, quando um controle antidoping após Udinese x Juventus acusou metabólitos de testosterona no organismo do jogador — ironicamente, uma partida que ele nem entrou em campo. O choque foi enorme. A primeira sentença determinou quatro anos de suspensão, algo que praticamente encerraria sua carreira.
Pogba chegou a considerar a aposentadoria. Estava devastado. Mas decidiu lutar: rejeitou qualquer tipo de acordo, mesmo sabendo que isso poderia reduzir a pena, porque insistia em sua inocência. “Não ho imbrogliato”, repetia. Ele alegava contaminação acidental — e o tribunal aceitou. A suspensão caiu de quatro anos para dezoito meses.
Em março de 2025, finalmente estava liberado pra jogar. Mas aí veio outro problema: sem clube. A Juventus tinha rescindido o contrato, mesmo com Pogba disposto a ficar ganhando menos. Meses se passaram até que apareceu o Monaco, disposto a apostar na recuperação dele e oferecer uma nova chance.
O momento atual do monaco
O Monaco vive uma temporada de altos e baixos. Depois das primeiras rodadas, ocupa o oitavo lugar, oito pontos atrás do líder Marselha. Hütter acabou demitido após um empate por 2 a 2 com o Nice, jogo marcado por uma grande atuação de Ansu Fati. No lugar dele, chegou Pocognoli, que começou com dois empates, depois venceu Tolosa e Nantes, perdeu para o Paris FC e se recuperou com um triunfo contra o Bodo/Glimt.
É um time em reconstrução, buscando estabilidade. E é justamente nesse cenário que Pogba chega como um possível diferencial — alguém que, mesmo sem ritmo, pode oferecer experiência e personalidade.
A volta aos gramados
O retorno aconteceu vindo do banco, aos 85 minutos, na derrota por 4 a 1 para o Rennes. O Monaco já estava com um jogador a menos, após a expulsão de Zakaria, e o placar era pesado. Mas isso pouco importava: aquele momento era sobre Pogba.
Os torcedores o aplaudiram quando entrou. Biereth até marcou o gol de honra nos acréscimos, mas o destaque emocional da noite foi a reestreia do francês, que finalmente colocava fim ao jejum de mais de dois anos sem jogar.
As palavras de Pogba
Depois do apito final, Pogba falou com sinceridade. Disse que estava feliz, mas ao mesmo tempo triste pelo resultado. Contou que trabalhou muito, que ainda precisa de tempo pra jogar os 90 minutos, mas que está pronto para ajudar o time.
Ele também falou sobre o quanto o futebol fez falta. Disse que foi estranho voltar a viajar com o grupo, mas que se sentiu acolhido. A reação da torcida o emocionou. E confessou algo bem humano: que em alguns momentos a cabeça pregou peças, que a dúvida tentou dominá-lo, que parecia que tudo tinha acabado.
Mas ele insistiu. “Sou um lutador”, afirmou. Disse que acredita em si mesmo, em suas qualidades, e que sempre soube que não tinha feito nada errado.
Agora, o retorno é real. O recomeço está aí. E Pogba, depois de tanta turbulência, finalmente volta a caminhar dentro do campo — onde sempre pertenceu.